Ninguém está seguro até que todos estejam seguros

A pandemia não chegou ao fim. Não estamos liberados do uso de máscara em local fechado, temos que ser vacinados e as normas sanitárias estabelecidas continuam vigentes, embora percebamos um relaxamento desproporcional das norma de biosegurança, considerando o “inferno” que estamos vivendo há quase 2 anos. O que vou relatar agora está nas capas dos maiores jornais do mundo e no site da Organização Mundial da Saúde este final de semana; os países estão lutando para impedir a entrada de uma nova variante da covid, batizada de Ômicron, com casos confirmados na África do Sul, Bélgica, Egito e líderes globais reconhecendo o quanto estamos vulneráveis. O alerta ao mundo foi feito por cientistas sul-africanos.

A descoberta é muito recente e o rastreamento do novo vírus está sendo feito especialmente na África, em Botsuana, onde pesquisadores indicam que pode ter ocorrido uma mutação genética, com suposta capacidade do vírus se disseminar mais rapidamente do que a variante Delta, amplamente conhecida. Outra grande preocupação é saber se as vacinas até aqui produzidas e aplicadas serão eficazes para conter a propagação dessa variante, considerada altamente infecciosa e evitar mortes.

Cientistas alertam que a nova variante não precisa de muita ajuda para encontrar as dezenas de milhões de pessoas que estão desprotegidas, sem vacinação completa. E enquanto houver partes do globo com baixas taxas de vacinação, continuaremos a ter criadouros ideais para novas variantes.

Todos os lugares do mundo, das metrópoles aos vilarejos foram alcançados pela pandemia do coronavírus, porém, nem todos foram alcançados pela vacinação. Agora, a realidade de um mundo globalizado não apenas pelas relações comerciais, mas ligado também pelas misérias volta a nos assombrar. Sob muitos aspectos essa nova situação muda definitivamente nossa ideia de lugar, de segurança. Para onde tentarmos ir, não encontraremos terra segura, esta epidemia está a nos acompanhar por onde andarmos. Se os cientistas a debelam de uma forma, o vírus se transmuta e ressurge numa terra que muito provavelmente tenha sido negligenciada ou esquecida.

Para quem decidiu sair e viver a vida, virando a página da tragédia das 614 mil mortes e mais de 22 milhões de casos no país, apresentando a narrativa de que a pandemia essencialmente chegou ao fim, seria bom um recuo mental e reavivar as imagens das unidades de terapia intensiva colapsadas, os anúncios dos números assustadores de mortes diárias incluindo aí, familiares de muitos de nós.

Pode parecer uma ideia atraente acreditar que atingimos o equilíbrio, porque ansiamos voltar à vida normal, mas isso vai de encontro à realidade da existência de uma pandemia que continua latente. Existe uma realidade ruim eclodindo hoje na Africa que pode ser irradiada para muitas outras populações, inclusive a nossa.

Além disso, vale relembrar as entrevistas de cientistas, infectologistas e virologistas afirmando que  novas variantes continuariam a evoluir, mas com os cortes das verbas do fundo para a ciência, a comunidade científica brasileira não tem recurso (equipamento e reagentes) para fazer pesquisas para entender se as variantes são mais ou menos virulentas. Entretanto, virologistas mundo afora estão voando em alta velocidade para entender se as propriedades e o potencial da nova variante pode evitar a imunidade das vacinas e das pessoas que já foram infectadas.

A narrativa cruel de que “todos vamos morrer um dia e não adianta fugir dessa realidade e que temos que deixar de ser um país de maricas”, não pode se repetir, caso o monitoramento da nova variante mostre que ela tem potencial para causar surto em países com alta taxa de cobertura da vacina.

Longa caminhada até a liberdade

Foi estabelecido a data de 20 de Novembro como dia nacional de Zumbi e Consciência Negra. A data é uma homenagem póstuma à Zumbi dos Palmares, líder do maior quilombo do Brasil colonial, o quilombo dos Palmares, no Estado de Alagoas. Por muitos anos, Zumbi, nascido presumidamente em 1655, foi o comandante da resistência dos negros contra a escravidão. Poucos estados, entre os quais, Mato Grosso adotaram a data como feriado em todos os municípios.  A luta contra o racismo é um estado de vigilância permanente e na contemporaneidade encontra representação na figura de um homem que fez da luta contra o racismo a razão de sua vida, Nelson Mandela!                                               

“Long Walk to Freedom” – Longa caminhada até a liberdade é a autobiografia do ex-presidente sul-africano Nelson Mandela, uma das pessoas mais influentes do planeta no século XX. O livro relata a vida de Mandela desde seus primeiros anos, até as experiências amargas vividas nos 27 anos que passou na prisão, maioria do tempo em Robben Island sob o governo severo do apartheid. Desde jovem, morando no interior, Mandela se destacava academicamente e ao mesmo tempo ia construindo sua identidade nos movimentos contra o regime segregador que governava a Africa do Sul. Frequentou a única Universidade de Direito que permitia o ingresso dos negros. Mais tarde formou-se também em Artes. Envolveu-se profundamente nos movimentos de boicote liderados pelos negros, participava de reuniões políticas nos comitês de partidos de oposição (ANC). Assim, o Nelson Mandela ativista chegou em Joanesburgo e Pretória. 

Envolvido em discussões diárias sobre os abusos do governo, a segregação e indignidades. Incitou greves, deixou o país ilegalmente para denunciar no exterior, as atrocidades cometidas pelo governo contra seus cidadãos negros. Foi preso e na sua defesa, disse no tribunal: “Durante a minha vida tenho-me dedicado a esta luta do povo africano. Lutei contra a dominação branca e lutei contra a dominação negra. Tenho acalentado o ideal de uma sociedade democrática e livre em que todas as pessoas vivam juntas em harmonia e com oportunidades iguais. É um ideal pelo qual espero viver e alcançar. Mas se for preciso, é um ideal pelo qual estou preparada para morrer ”.

Mandela foi considerado culpado neste julgamento e condenado à prisão perpétua. Sofreu retaliações na própria prisão. Havia restrição em tudo que era para ele, correspondência, visitas.

No entanto  começou haver uma grande pressão internacional sobre a África do Sul, por parte de governos e da ONU, que recomendou ao governo que concedesse anistia a todas as pessoas que se opunham ao apartheid. O governo porém, seguiu promovendo segregação, propagando ódio e exclusão dos negros da vida política e espaços de poder no país.

Na prisão, Mandela lutou contra a crueldade dos carcereiros, organizou uma greve de fome para melhorar as condições de vida em Robben Island. No final, os guardas aderiram à greve. Mandela também usou seu tempo na prisão para educar outras pessoas. Ele fundou um tipo de universidade dentro da prisão, com um programa organizado por prisioneiros políticos do ANC. Conseguiu escrever muitos depoimentos relatando sua situação e a do país, os quais foram conseguiram chegar às mãos de líderes de outros países e assim a pressão pelo fim do apartheid ganhou importantes adeptos.

Finalmente em 1980, a campanha “Mandela Livre” foi criada e ganhou o mundo. O Governo tentou negociar a liberdade de Mandela com o fim dos movimentos e greves dos negros. Mandela recusou. A popularidade do líder negro cresceu e o presidente da Africa do Sul quis se encontrar com ele e juntos começaram a elaborar um plano para enfraquecer e desmantelar o apartheid. Mandela deixou a prisão em 11 de fevereiro de 1990, após cumprir 27 anos.

Mandela ganhou o Prêmio Nobel da Paz em 1993, graças a sua vida de luta pelos direitos da África Negra. Em seguida, ele inicia uma campanha eleitoral. Presidiu a Africa do Sul de 10 de maio de 1994 até 16 de junho de 1999. Morreu em 5 de dezembro de 2013.

Voltando ao cenário alarmante brasileiro, li no site do Senado um artigo recente, que começa dizendo que “o Negro continuará sendo oprimido enquanto o Brasil não se assumir um país racista. E que no Brasil, ser negro significa ser mais pobre do que o branco, ter menos escolaridade, receber salário menor, ser mais rejeitado pelo mercado de trabalho e assim, ter menos oportunidade de chegar à cúpula do poder político e aos postos de comando na iniciativa privada, além de ser vítima preferencial da violência urbana, ter mais chances de ir para a prisão e consequentemente morrer mais cedo. 77% dos jovens assassinados no Brasil são negros. A cada 23 minutos, um jovem negro é assassinado. São 63 mortes por dia, que totalizam 23 mil vidas negras perdidas pela violência letal por ano.

A conferência da reputação global das marcas

Uma das ideias dominantes na nossa sociedade é a idéia generalizada da escassez, da falta de recursos suficientes, comida ou qualquer outra coisa para suprir a demanda de todos. Milhares de pessoas insistem dizer que, com quase oito bilhões de pessoas no planeta (7.906.439,177), a escassez é uma realidade num futuro próximo. 

As soluções para crises globais estão sob a responsabilidade dos líderes mundiais e das grandes corporações. Foi clara e contundente a chamada à uma consciência climática global feita pelo Secretário-geral da ONU, António Guterres ao saudar os líderes presentes na Conferência do Clima, no Reino Unido: “É hora de dizer chega! Chega de brutalizar a biodiversidade. Chega de nos intoxicar com carbono. Escolha a ambição. Escolha a solidariedade. Escolha proteger nosso futuro e salvar a humanidade”.

Jeff Bezos, o famoso fundador da Amazon, goza de boa reputação e discursou na COP 26 anunciando que criou o “Bezos Earth Fund”, uma organização para financiar e administrar projetos climáticos, para investir recursos em empresas que assumem essa pegada de mudança climática. Bezos, que foi duramente criticado, inclusive pelo Principe William por gastar dinheiro com viagem ao espaço em vez que colaborar com a solução dos problemas na terra disse que o fundo que criou vai investir na restauração de paisagens e na transformação de sistemas alimentares em várias partes do mundo.

A reputação das corporações está sendo usada para estimular o progresso sustentável. Escrevi dias atrás sobre reputação de mandato político e assistindo os discursos e entrevistas dos líderes políticos e empresariais, percebo que a palavra “reputação” permeou as rodas de conversas das altas cúpulas na COP 26. Todas as metas sugeridas que avançarem, o êxito será creditado ao zelo e ao medo que as grandes corporações tem com suas reputações. Um investidor, admitiu em entrevista que as marcas maiores e mais bem estabelecidas tem medo do papel que uma má reputação no quesito ambiental pode desempenhar nos lucros, no conceito e na durabilidade das empresas.

Assistindo videos sobre a conferência, percebi um certo ambiente de lobby propositivo que rolou nos bastidores da conferencia, onde outro investidor arriscou dar o nome de capitalismo consciente a esse momento em que os governos e grandes corporações experimentam quando conciliam investimentos com exigências de endurecimento ao cumprimento das metas de desenvolvimento sustentável. Mais de 30 das maiores corporações do mundo assinaram um documento prometendo não mais investir em atividades que desmatam as florestas e 141 mandatários de países, incluindo o Brasil, assinaram documento com a promessa de reduzir o desmatamento embutido no comércio gobal de alimentos.

Enfim, a reputação de qualquer governo e das grandes corporações está intrinsicamente associada a uma série de valores e a excelencia operacional não é mais suficiente. Na conferência do clima falou-se o tempo todo na responsabilidade por melhorar a reputação da política climática diante da população para que a população jovem escolha cada vez mais trabalhar para empresas que tenham propósito e compromisso com as mudanças climáticas.

Ao final, especialistas desiludidos disseram que o ideal seria que nenhum tipo de acordo tivesse sido assinado na conferência porque os políticos já se mostraram totalmente incapazes de cumprir tratados e que senão o povo, ninguém mais pode construir algo para salvar o mundo. E ouviu-se, nos momentos finais da conferência a voz da jovem ativista da Uganda, Vanessa Nakate, endereçada aos líderes políticos: “Eu estou aqui implorando para vocês nos mostrarem que estamos errados”.

Em busca da batida perfeita

Conheci o sociólogo Fábio Gomes num seminário sobre reputação política no mandato, em Brasília, 2019. A palestra veio de encontro a um tema que sempre considerei muito importante e o meio político, muitas vezes, vira-lhe a cara, a construção da reputação de mandato, para que eventos esporádicos, mesmo que arranhem a imagem, não destruam a reputação.

Fabio disse que “a imagem é pontual, todo mundo vê, são notícias quentes, que todo mundo comenta. A reputação é uma construção sólida, é o que estrutura a imagem, o que as vêzes, nem é percebido. A imagem arranhada, restaura. Reputação arranhada é difícil restaurar, quase sempre, é fim de jogo”.

Metáforas e lendas mitológicas foram utilizadas para fazer a distinção entre imagem e reputação (não são sinônimos). Imagem política é reforçada por um fato acertado aqui, um fato errado acolá. Reputação é a soma do tempo, a média que se tira da história de vida, a média dos factuais, onde erros podem ser relevados diante dos acertos e nem sempre determinam baixa na reputação.

Ele diz que estamos em busca da batida perfeita na política. Políticos não devem fazer discurso em cima do que não lê, o contexto da reputação leva em conta a a vida como ela é, o mundo da vida real, a construção do discurso, do conhecimento, das expectativas que são criadas. Não se constroi boa reputação política sendo do tipo “eu faço, eu resolvo, eu falo e você curte e compartilha porque eu tenho a batida política perfeita”.

No ambiente polarizado que engoliu o diálogo, o bom senso, o filtro, a própria razão, os indivíduos aceitam e reproduzem todo conteúdo vindo de seus líderes políticos, como se estivessem ouvindo a batida perfeita, o sociólogo recorreu a lenda mitológica de Zeus, o rei dos deuses, Hera, sua esposa e Eco, uma contadora de histórias. Hera desconfiou que Zeus a traia com Eco. Jogou Eco no Vale das Penitências com a maldição de que ela nunca mais pronunciaria uma palavra espontânea. A partir da maldição, Eco só repetiria o que ouvisse.

Alí, circulando no vale, Eco conheceu Narciso, por quem se apaixonou mas devido a maldição não conseguiu se comunicar com o belo jovem que ao perceber que Eco so repetia o que ouvia, afastou-se. Desiludida, Eco embrenhou-se numa caverna e definhou até a morte, deixando apenas sua voz ecoando pelo vale. A maldição de Eco pode ser percebida em muitos processos de comunicação política entre o lider e os seguidores.

Construir e reforçar a reputação para que esta seja submetida aos filtros ideológicos e sociais dos seguidores é um trunfo do qual, poucos lídere políticos se valerão porque não investiram tempo e discernimento na busca pelo bem comum, pelo diálogo com menos militância e paixão e mais razão,
maior percepção da realidade e menos subjetivismo, mais compromisso com a verdade, tolerância às ideias divergentes.

Não, não estou falando de um mito grego, mas de políticos que existem e que honestamente admitem não ter encontrado a batida perfeita, não estão aprisionados e amaldiçoados com a perda da palavra espontânea e não disparam bala mágica com mensagens que não podem ser questionadas ou contrariadas.

Políticos que não gostam de ser contrariados se comunicam com seus eleitores baseados na “teoria da bala mágica” ou seja, apostam que suas mensagens são tiros certeiros que adentram a mente dos seguidores sem encontrar resistência, da mesma forma que uma bala penetra a pele e se aloja sem dificuldade no corpo da vítima. Segundo essa teoria, a mensagem política deve surtir o efeito de uma bala disparada por uma arma de fogo. Não importa o conteúdo, são precisas e os indivíduos que as recebem, são vulneráveis e facilmente manipuláveis.

Epidemia de homicídios de crianças e adolescentes

A violência não é um estigma da sociedade contemporânea, porém, a cada tempo ela se manifesta de forma diferente. Envolvidos numa polarização que muitas vezes extrapola o campo político, os brasileiros vão fazendo vistas grossas ao repulsivo fato de que o Brasil está passando por uma epidemia de homicídios de crianças e adolescentes.

Com farto material, adquirido graças à lei de acesso à informação, os boletins de ocorrências de mortes violentas e violência sexual contra crianças e adolescentes, em todo o país, de 20016 a 2020 foram criteriosamente analisados por pesquisadores do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e do UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância. As informações foram sistematizadas e tornadas públicas e amplamente divulgadas nos maiores meios de comunicação do país, esta semana.

É estarrecedor perceber que a posição do Brasil no contexto internacional não muda, pelo contrário, reflete uma prática política estagnada e desunamizada, o que contrasta com a política adotada por muitos outros países que trabalham desde a origem dos problemas e não registram sequer um caso de violência contra suas crianças e adolescentes. Não é nosso caso, portanto o que os números revelaram foi que:

  • 35 mil crianças e adolescentes foram assassinadas no Brasil entre 2016 e 2020;
    7 mil crianças e adolescentes são mortas em média por ano no país; 19 por dia.
    Número de morte de crianças até 4 anos aumentou 27% em 2020;
    Meninos negros são a maioria das vítimas em todas as faixas etárias 

Para traçar um simples paralelo, realçamos que os Estados Unidos, país igualmente grande, com população maior do que a do Brasil, registra em média 3 mil mortes violentas de crianças e adolescentes por ano.

O Ceará é o estado brasileiro com o maior índice de violência intencional contra crianças e adolescentes. Mato Grosso é o 16º estado que mais mata na faixa dos 14 a 19 anos.

Com os dados nas mãos foi possível perceber que a características das mortes seguem um padrão diferenciado considerando a faixa etária. Crianças de até 9 anos são vítimas de violência doméstica e, acima de 10 anos, da violência urbana, alimentada pelas desigualdades sociais abissais, relações familiares envoltas em negligência, alcoolismo, envolvimento com o tráfico de drogas. O ambiente exercerá influência decisiva sobre o indivíduo, durante toda sua vida.

O ineditismo e detalhamento da pesquisa é surpreendente. Até 9 anos, 40% das crianças foram mortas dentro de casa; 56% eram negras e 33%, meninas. Sobre morte de crianças dentro de casa, lembremos do caso do menino Henry, de 4 anos, que foi torturado e morto pelo padastro, o vereador Jairinho, do menino Samuel, que desapareceu em Rondonópolis, no ano de 2019 e há informação de que o ex-marido da avó o teria matado, a menina Nicolly, de 4 anos, assassinada durante uma chacina na zona rural de Lucas do Rio Verde, em 2020. São casos que tiveram grande repercussão nacional e local e que fazem parte da estatística apresentada na pesquisa.

Há uma desconfiança quanto aos dados registrados da violência sexual. A grande maioria são crimes cometidos dentro de casa, por parentes ou namorados de familiares e nesse contexto, o ano de 2020 expôs as crianças a uma convivência maior com os possíveis agressores, onde no dia a dia verificou-se constantes incidentes de violência. Entre uma análise e outra, percebe-se o reflexo da violência doméstica no desenvolvimento das crianças, que tornam-se adolescentes vulneráveis ou violentos.

As periferias precisam de atenção. As escolas precisam notificar os abandonos, pois as análises sugerem forte ligação entre a desistência escolar e a cooptação pelo mundo do tráfico e daí, o risco do adolescente ser vítima de homicídio. De toda forma, dar visibilidade a estes dados da violência doméstica,  do abuso e negligência sugere que pelo menos há eficácia nas estratégias de denúncia propostas pelas redes de proteção. E é exatamente isso que o estudo recomenda; que não devemos justificar nem banalizar a violência contra crianças e adolescentes, e sim denunciar.

Problemas indesculpáveis

Se aos olhos do mundo os pobres têm pouco valor, são eles que nos abrem o caminho para o céu; eles são nosso passaporte para o paraíso. Nos pobres encontramos a presença de Jesus, que, embora rico, tornou-se pobre por nós”, disse o Papa Francisco, numa homilia meses atrás, quando convidou 1.500 pessoas pobres para almoçar. Alertando que a indiferença com os pobres é um grande pecado.

Os pobres e as minorias têm sido apontados como os alvos da retórica de conservadores, que  argumentam que o insolúvel problema da pobreza é que “aquelas pessoas” não levantam cedo para trabalhar duro, “aquelas pessoas” têm muito filhos, “aquelas pessoas” ficam sentadas bebendo, esperando os auxílios emergenciais.

Este tipo de discurso visa principalmente reprimir os trabalhadores para que não nutram qualquer simpatia pelos pobres e também para incutir no trabalhador o medo de cair na pobreza, o risco de ter que depender dos benefícios governamentais e serem também tratados como seres insignificantes. Esse discurso encolhe o pobre, rouba-lhe a cidadania, os direitos e a esperança.

Duas crianças Yanomami morreram afogadas em Roraima, semana passada, suspeitas recaem sobre os danos irreparáveis causados no rio pelo uso sistemático de grandes máquinas nas áreas de garimpo, onde os invasores se instalam. As dragas podem ter sugado as crianças, que sabiam nadar, mas estavam no momento, próximas de dragas flutuantes, que igualmente rasgam o fundo dos rios, sugando terra a procura de ouro e outros minérios.

Foi uma tragédia anunciada. Um detalhado documentário (mais um) foi elaborado com título sugestivo aos problemas da região: “Cicatrizes na Floresta: Evolução do garimpo ilegal na TI Yanomami em 2020”, traz dados sobre a evolução da degradação florestal causada pelo garimpo ilegal, sobretudo nos anos recentes. O documento traz denúncias, aponta com fotos os locais onde as dragas estão instaladas. É um grito de socorro da Terra Indígena Yanomami. Mas providência nenhuma foi tomada. E o que temos visto é a intensificação da exploração clandestina do ouro, que coincide com  a fragilização das políticas de proteção territorial das Terras Indígenas, deixando-as vulneráveis à invasões.

São Paulo, a mega metrópole do país produz riqueza, mas também produz e ignora seus pobres. Pessoas em situação de rua comem porque entre eles, caminhando pelas ruas e becos há 35 anos, está Padre Júlio Lancelotti. O padre que crê que a mudança só virá com a humanização das pessoas, não apenas com a religião. Mas a justiça do estado, como insituição, não se humanizou,  negou a liberdade a uma mãe que roubou alguns itens de comida porque os filhos passam fome.

O defensor público tentou, alegou a aplicação do “princípio da insignificância”, diante do valor dos produtos furtados. Autoridades paulistas seguiram impassíveis e indiferentes. O caso foi ao STJ, o ministro que relatou o habeas corpus impetrado pela Defensoria Pública de São Paulo, revogou a prisão da mulher, com base em entendimento divulgado em 2004 pelo STF (Supremo Tribunal Federal) conhecido como “princípio da insignificância”. A norma orienta juízes a desconsiderar casos em que o valor do furto é irrelevante ao ponto de não causar prejuízo.

Citei apenas dois casos e explorei a palavra “insignificância” em dois aspectos: são tratados como insignificantes, os pobres e as minorias e insignificante foi o valor dos alimentos furtados em São Paulo. Mas todas as semanas há vários relatos de casos em que pobres e minorias são ignorado pela população e pelos poderes constituídos. Resta a inspiração de que em toda parte haja um ser que os acolhem, ouvem, alimentam e os defendem. 

Como disse Padre Júlio: “Se nesse mundo excludente você não tiver uma dose de rebeldia é porque se adaptou a este modelo”. Não nos adaptemos!

O tempo não desgasta as lutas

O Brasil tem o maior eleitorado compulsório do mundo e essa regra faz parte da nossa experiência democrática e a obrigatoriedade, que no país vigora desde a Constituição de 1946, é uma das razões pelas quais, muitos eleitores sequer se lembram em que votaram nas últimas eleições gerais. Apesar disso, o voto é considerado uma atividade política igualitária, já que cada eleitor, seja ele quem for, tem direito apenas um voto. Ou seja, potencialmente, são os cidadãos que podem promover mudanças políticas.

O brasileiro há certo tempo desacredita da política. Em uma pesquisa do Instituto Ibope nas eleições passadas, 68% dos eleitores entrevistados disseram ter pouco interesse nas eleições e, segundo o Instituto Datafolha, 18% dos eleitores pretendem anular o voto para deputado federal. 49% não iriam às urnas se o voto fosse facultativo. E segundo o Ibope, se não fossem obrigados a votar, seis em cada dez eleitores deixariam de comparecer às urnas.

O voto é facultativo na maioria das democracias, porém, o que protege o sistema político hoje no país é o voto obrigatório, senão já teria entrado em um processo de falência.

É de se supor que sucessivos casos de corrupção, acúmulos de escândalos, políticas públicas que não chegam na ponta, onde a população vulnerável clama por ações do governo sejam elementos que contribuam com esse descaso do eleitor em participar do processo político. É portanto, compreensível o desalento, porém, é inevitável fugir do tema, que nem sempre é uma doutrina pacífica, ainda agora envolta em discurso direto de ódio.

Observe porém, que a democracia se digitalizou e as mídias sociais e outras medidas estão sendo desenvolvidas como um meio para melhorar o engajamento dos eleitores e a participação política dos cidadãos. Facilitando inclusive que se denunciem maus serviços e atitudes de parlamentares e governo, assim como  possibilita o empréstimo da voz à causas cidadãs e sociais e contra abusos.

Tudo se articula no discurso do mundo político, onde os recursos públicos embora pareçam inesgotáveis, não são. Esse mundo que precisa de seu engajamento para melhorar é feito de desigualdades, falta comida, faltam vagas nas creches, nos hospitais, meninas faltam às aulas porque no orçamento miserável da família não sobra dinheiro para comprar absorventes higiênicos. A justiça de São Paulo nega pedido da Defensoria Pública para colocar em prisão domiciliar uma mãe de 5 filhos que furtou coca-cola, miojo e suco em pó, cujo valor totalizou 21,69. Na delegacia ela declarou que roubou alimentos porque os filhos passam fome. Nada justifica para o ato infracional mas este, escancara o estigma da fome, que os governos empurram para debaixo do tapete.

Mais de 19 milhões de brasileiros passam fome. Não é uma razão forte o suficiente para você levantar a voz?

Esse país precisa do seu engajamento para melhorar porque o Ministério da Economia bloqueou 2,7 bilhões do orçamento da Educação em 2021, mandou cortar 90% dos recursos da ciência e anunciou que vai investir apenas 0,00069204% do PIB na área e sabemos que nenhum país do mundo avançou sem que houvesse investido pesado e feito da ciência, tecnologia e inovação a rota para o progresso.

Sinceridade tóxica

Pesquisa, realizada pelo projeto Dove pela autoestima, revela que 84% das meninas brasileiras de 13 anos aplicam filtros ou usam aplicativos para alterar suas fotos. O estudo revela que meninas que distorcem suas fotos são mais propensas a terem baixa autoestima e as meninas revelaram que a baixa autoestima é potencializada pelos comentários tidos como “ataques de sincericídio” feitos por amigos e familiares.

Sobre sinceridade, intimidade e confiança mútua ninguém pode dizer que não fomos avisados. Há citações profundas de Niccolo Machiavelli, George Bernard Shaw, Zygmunt Bauman, Charles Taylor e incontáveis filósofos e autores​​ que alertaram contra seus riscos, mas W. Somerset Maugham pode ter feito isso de forma mais provocadora. “Ainda não tinha aprendido o quanto a natureza humana é contraditória; não sabia quanta hipocrisia existe nas pessoas sinceras”.

Para o filósofo francês Vladimir Jankélévitch há uma diferença entre ser sincero e falar a verdade. Ser sincero é dizer a sua verdade, ou seja, o que você subjetivamente acredita ser verdade.

Há boas razões para cautela. Pessoas tentam tranformar suas opinões em leis e a franqueza extrema, vulgarmente chamada de sincericídio, é a forma de dizer a (sua) verdade de forma impositiva, em todos os momentos e em todos os lugares. Porém, nem todas as atitudes cabem em todos os lugares, nem sempre comentários são necessários e nossas opiniões, quando não nos abrimos para estudos e leituras, refletem apenas o mundo limitado, padronizado e talvez privilegiado que vivemos.

Claro que a sinceridade é uma característica apreciada e essencial para a concepção de uma vida virtuosa. No entanto, temos que estar cientes desta tensão causada pela sinceridade tóxica, que agride e encerra com uma pessoa hedionda e individualista tetando impor suas vontades, caprichos e modo de vida à outra.

Os limites do bom senso podem ser desafiadores em qualquer relacionamento e na mioria das vêzes o que as pessoas esperam dos seus amores e amigos é compreensão e respeito e não estabelecimento de padrões e julgamentos.

A contribuição com ideias, pensamentos, ideologias precisam ser solicitadas, embora temos percebido que as mídias sociais encorajaram o auto pronunciamento, o auto engajamento e ampliou a potência de microfones que sequer deveriam ter sido ligados. Amigos virtuais fazem muito isso. Se auto denominam generalistas e não deixam post sem seus “indispensáveis” comentários. Insisto que é essencial cultivar um filtro para não machucar as pessoas. Há uma bela música do Talking Heads que diz: “when I have nothing to say my lips are sealed”. (quando não tenho o que dizer meus lábios estão selados).

O filósofo canadense Charles Taylor, escreveu a Ética da autenticidade, uma virtude muitas vêzes, confundida com sinceridade. O livro estruturado em 128 páginas e 10 capítulos invoca que nossa compreensão sobre a autenticidade precisa ser modificada e o compromisso com essa virtude, não implica um compromisso com o egoísmo, com a imposição de vontades, com julgamentos baseados em caprichos e padrões sociais.

A autênticidade envolve escolhas e objetivos que contribuem para a nossa qualidade de vida, mas podemos, aliado a isso, ajudar outras pessoas a florescer, num conjunto bem ordenado de preferências para o bem. A vida de cada pessoa deve ter sua própria caligrafia, a sua impressão digital, seus passos e não dos outros. Ser autentica é estar confortável e segura em ser quem é.

Deixe-me ir

Desde a Antiguidade até os dias atuais, muitos homens e mulheres escolhem dar fim às suas vidas. Apesar do ato de suicidar-se estar presente em toda a trajetória histórica da humanidade, na Idade Média, no domínio do Cristianismo, o suicídio foi proibido. Pessoas que cometiam suicídio eram enterradas sem ritos religiosos, muitas vezes fora de cemitérios. A morte voluntária passou a ser discutida como um ato condenável, tanto que na Europa do século XVII, se a tentativa de suicídio falhasse, o sobrevivente poderia ser encarcerado.

É fato que cada época possui suas características peculiares. Todas as sociedades produzem seus estranhos, seres sensíveis, doentes, desajustados, desesperançosos e fechados em si mesmos.  Se os estranhos são pessoas que não se encaixam nos mapas cognitivos, moral ou estético da sociedade, eles tornam tênues as linhas de fronteira dão origem ao mal-estar de sentir-se perdido.

Sobre sentir-se perdido, Cartola explica: “Deixe-me ir, preciso andar, / vou por aí a procurar / rir pra não chorar. / Se alguém for lhe perguntar, / diga que eu só vou voltar / depois que eu me encontrar”. (Cartola, 1976)

O suicídio é a negação da própria vida de forma voluntária. As causas do suicídio podem ser completamente diferentes, porém, uma pessoa toma a decisão de cometer suicídio com base nas dificuldades do ponto de vista psicológico e sociológico. Só tenho ligitimidade para adentrar o campo sociológico, onde há publicações interessantes que indicam que apenas o homem é capaz de refletir sobre sua própria existência e tomar a decisão de prolongar ou pôr-lhe um fim.

12.895 pessoas se suicidam no Brasil, ano passado, no entanto, é  possível afirmar que o número de suicídios no país pode ser maior, pois muitas pessoas omitem ou inventam outra causa para a morte do ente querido por conta do estigma social que o suicídio possui no seio da nossa sociedade.

Cada suicídio individual, em sua forma e análise, encerra uma história em si mesma, com as circunstâncias específicas que levaram àquele ato fatal. Portanto, não creio que exista uma fórmula para explicar por que as pessoas se matam. Até porque muitos fatores diferentes devem ser considerados e esses fatores são tratados transversalmente por diferentes ciências para tentar entender o estado mental de indivíduos suicidas durante as crises sociais e todos os outros fatores que direta ou indiretamente podem levar ao suicídio.

O sociólogo francês Émile Durkheim publicou, em 1897, a obra Le suicide, na qual relaciona o suicídio a causas sociais e reforça que é uma das ações mais individuais e solitárias que só o homem é capaz de fazer. Durkheim pesquisou suicídios vários anos, em vários países e concluiu que a ocorrência do suicídio nada teve a ver com localização geográfica, filiação política e religiosa, predisposição genética. Segundo Durkheim,  alterações nos níveis de suicídio só podem ser explicadas pelas relações sociais ou por atos de solidariedade. Em sua essência, o suicídio é um fenômeno social, porque ocorre em consequência da relação perturbada entre o indivíduo e a sociedade.

Marx também escreveu sobre o suicídio e ao final de uma reflexão sobre o tema, Marx chega a seguinte conclusão: Que tipo de sociedade é esta, em que se encontra a mais profunda solidão no seio de tantos milhões; em que se pode ser tomado por um desejo implacável de matar a si mesmo, sem que ninguém possa prevê-lo? Tal sociedade não é uma sociedade; ela é, como diz Rousseau, uma selva, habitada por feras selvagens.

A contemporaneidade traz-nos a desesperança de Zygmunt Bauman, que  apresenta-nos as inquietações da modernidade líquida, um universo marcado por relacionamentos de laços frágeis, amores que escapam e  escorrem entre os dedos, onde se desvelam os dramas individuais e coletivos de indivíduos fragilizados pela liquidez dos sentimentos, dos momentos, dos ressentimentos, dos rompimentos, da aceitação. Peso excessivo para muitos!

Cautela no novo código eleitoral

Em regime de urgência a Câmara dos Deputados começou votar o texto do projeto do novo Código Eleitoral, como forma de consolidar toda a legislação eleitoral e resoluções do Tribunal Superior Eleitoral, abrangendo vários temas, como mudanças na regra de inelegibilidade, na fidelidade partidária, prestação de contas, pesquisas eleitorais, gastos de campanha, acesso a recursos do fundo partidário para partidos políticos, diminuição da sub-repesentatação das mulheres, por exemplo, entre outros.

O Código eleitoral vigente está absolutamente alicerçado em premissas autoritárias. Está vigente desde 1965 e vem recebendo remendos pontuais, desde então. O projeto é complexo e permeado por poucos pontos polêmicos, alguns acrescentados como destaques, que já foram retirados ou votados semana passada. A elaboração do novo código contou com a contribuição de mais de 100 pessoas, entre eles, pesquisadores, professores, advogados, membros do Ministério Público, magistrados, representantes da sociedade civil organizada, visando atualizar as disposições e imperfeições do sistema político eleitoral brasileiro e suas idiossincrasias, como o fato de suportar a existência de 34 partidos políticos devidamente registrados no TSE.

O regime de urgência foi contestado por vários parlamentares principalmente porque tal recurso permite a votação do projeto sem passar por votação em nenhuma comissão da Câmara Federal, o que realmente não cumpre o rito básico do processo legislativo normal. Contudo deve enfrentar dificuldade de ser votada também em regime de urgência no Senado, uma casa mais pautada pelo seguimento do rito e das normas burocráticas, onde nenhuma grande mudança ocorre sem debates. Para valer já para as próximas eleições todo o rito, de finalização da votação na Câmara, no Senado e sansão presidencial deverá ocorrer até um ano antes das próximas eleições, ou seja, início de outubro.

A votação na Câmara começou com um recuo; a retirada do projeto de um dos principais temas polêmicos: a quarentena de cinco anos de desligamento do cargo que seria exigida de juízes, membros do Ministério Público, guardas municipais, militares e policiais para poderem concorrer às eleições, o que inviabilizaria muitas candidaturas, entre elas, de Sérgio Moro e do Delegado Flávio Strigueta, para citar um nome nacional e um local.

Foi aprovado o destaque que trata da distribuição das “sobras” eleitorais, que são as vagas não preenchidas pelo sistema proporcional, (total de votos válidos obtidos pelo partido com todos os candidatos da legenda). Pela nova regra, essa vaga só poderá ser acessada por partido que obtiver 80% do quociente eleitoral e candidatos com no mínimo 20% do quociente eleitoral. Atualmente, todos os partidos que tenham participado das eleições, independentemente do número de votos, podem participar da distribuição das sobras. Lembrando que o projeto segue para votação no Senado.

O projeto altera também as regras de fidelidade partidária, estendendo para o executivo, governadores, prefeitos e presidente a obrigação de permanecerem na legenda após a eleição. Atualmente, apenas parlamentares são obrigados a cumprir fidelidade partidária com o partido pelo qual se elegeram. Um dos destaques já aprovados pelos parlamentares foi sobre a janela de mudança de partido, que tem permitido a dança de partidos sem penalidades, no mês de março de cada ano eleitoral. Pelo destaque aprovado a janela ocorrerá apenas 30 dias anteriores ao prazo de filiação partidária.

Enfim, o projeto do novo código eleitoral teve o texto base aprovado, alguns destaques votados e outros que serão colocados em votação esta semana, tenta discorrer acerca de todas as áreas conflitantes, que tem gerado demandas judiciais ao final de cada processo eleitoral, como a distribuição da verba pública partidária, cuja proporcionalidade é sempre confusa e discutível por ser utilizada fora do propósito de amenizar as desigualdades econômicas entre candidatos e se dar mais transparência às disputas eleitorais.

Um dos principais pontos que precisa efetivamente avançar diz respeito ao aumento do quantitativo na representatividade feminina, sobretudo nos parlamentos. Existe até um projeto em andamento, fora do projeto do Novo Código Eleitoral, que aprova reserva de cadeiras à mulheres para a Câmara dos Deputados, Assembleias Legislativas dos estados, e as Câmaras Municipais. 28 países já têm legislação que estabelece reserva de ocupação de cadeiras para mulheres no parlamento, uma ação bem mais afirmativa do que cota para ser candidata.