Breaking News

Breaking News é uma palavra já incorporada ao vocabulário de quase todos os idiomas falados no mundo, significa “última notícia, notícia quentinha”. Esta palavra traduz exatamente a quantidade, não a qualidade de notícias que tem crescido exponencialmente nos últimos anos. Tudo perde a importância diante da última notícia que aparece nas telas. Tanto que a tragédias não explicadas no Brasil, o aumento das tarifas públicas, desabamento de prédio, as reformas anunciadas pelo governo são misturadas com meteorologia, economia, num só bloco dos jornais, para confundir a compreensão das mesmas.

Vivemos como se estivéssemos lendo seguindo as linhas com os olhos e a mente, tomando outro caminho. Esse estado instável pode ser benéfico para a criatividade, mas,  seguramente é péssimo quando o analisamos do ponto de vista de focalizar a atenção em um problema. Este pensar discursivo de entender de tudo, sofrer por tudo, chorar por mortos alheios não é um estado aprofundado em sinceridade e empatia. Virou mania!

Talvez não seja impossível, no entanto, não creio que podemos desencadear sensações sinceras diante de todos as notícias que ouvimos. Mas estamos assim, tentando nos identificar com o emaranhado de notícias que ouvimos. A busca pela notícia se tornou insaciável e confusos entre serenidade e indiferença nos apegamos à repetição de mantras vulgares de elogios ou críticas, mas temos que nos manifestar.

A instantaneidade das coisas nos priva de tempo para assimilar os fatos, dar-lhes roupagens coerentes, análises razoáveis e assim pecamos tentando viver um momento que sequer entendemos, mas insistimos em emitir opinião sobre tudo porque essa é uma  visão de senso comum dos seres conectados, interativos e modernos.

As notícias arrebentam nas ondas modernas dos streamings, internet, televisão e cá, sem tempo para sentar, ouvimos e passamos adiante o que nem verdade deve ser. Mas temos que ser rápidos, a próxima notícia já está sendo trabalhada para vir, com mensagens subliminares contidas, com boa ou má fé para preencher esse vazio insaciável por novidades. Saiba que tudo isso não passa de mera intoxicação consumista de bens de mídia e ideias.

Nem tão engraçados, engajados, admirados temos que ser.  Existe vida entre uma notícia e outra, existem comentários pontuais, conexão com as mídias dentro de um arrazoado de vida moderna, onde sobra tempo para ler, acompanhar os filhos, assistir um bom filme, onde o personagem central não tenha, necessariamente que transversalizar ou rivalizar com sua realizade.

Acompanhar as manchetes é muito importante, mas o consumo excessivo de notícias pode distrair a mente quanto ao que precisa ser feito e dependendo do nível de vício, você pode precisar de intervenção para recuperar o fluxo de uma rotina saudável.

 

A relevância do entendimento

Segundo entendimento de Norberto Bobbio, no Dicionário de Política, os fins e os objetivos da política são definidos de acordo com os interesses dos grupos e políticos dominantes. Não há de ser assim em todo e qualquer contexto. Aliás, não deveria ser assim de forma alguma, não devemos viver sob o signo do conflito de interesses.

No caso político, o entendimento é necessário para se implantar as medidas que não gozam de consenso absoluto e precisam ser discutidas, polidas, adequadas até chegar a um nível que, mesmo que não agrade a todos os parlamentares, favoreça algum encaminhamento.

Via de regra, quase todas as medidas anunciadas pelos governos esbarram na má vontade, na vaidade, na lista ou não das prioridades. Se souberem trabalhar em conjunto, expurgando os ruídos provocados pelas bases, governo e parlamentares poderão avançar nas pautas de interesse do país.

Entender a natureza dos projetos, a relevância da aplicação de leis novas e acima de tudo, responder a inquietação da população é praticar a política republicana, que põe em relevo o bem comum sem desidratar os antagonismos entre os diversos interesses, mas, dando-lhes porém o contorno de que o bem comum deve ser buscado, sempre.

O debate acalorado é um elemento que bem ilustra a forma de fazer política do brasileiro e nem de longe significa rusga ou falta de educação. Entretanto, a paralisia é causada pelos pequenos mal-estar que vão se avolumando, pela adoção de estratégias mascaradas para fazer emperrar a máquina já lenta do executivo.

Historicamente é difícil um projeto, uma lei ser votado em consenso inicial. Mesmo quando não há o que negociar, alguns encontram razões para enrolar e para tornar o parlamento um lugar tenso, enquanto no plano ideal, deveriam todos trabalhar juntos e celebrar alianças progressivas.

As duas indignações

L´INDIGNATION  EST  UN

PROCESSUS

DÉMOCRATIQUE

 

Quando um evento triste ou violento ocorre temos a tendência de expressar nossos sentimentos, quase sempre permeados pela indignação. Decorre daí, experimentarmos dois tipos de indignação.

Primeiro, a indignação relacionada diretamente ao fato que nos chocou e logo depois, como se estivesse corrigindo o exagero desta, a indignação escamoteada em espanto por termos nos indignado, com a violência já naturalizada ou com sofrimentos já sabidos inevitáveis.

Vivemos em sociedade e inúmeros conjunto de atitudes não mais como retornar. A vida moderna nos ensina que é para frente que devemos seguir, independente do que deixamos ou vemos lá atrás. Carregamos os exemplos, as lembranças e deixamos as sujeiras escondidas atrás dos tapetes que negamos levantar.

Indignar não é nenhum ato de redenção. É um susto involuntário. Não é nenhum elemento novo, amigo. É a mente pressionando para que não nos esqueçamos dos valores que tentaram incutir na nossa educação; viver com ética, sermos bondosos e tolerantes.

Quem, imperfeitos como somos, nunca pensou em passar do desejo à atitude de maltratar alguém que lhe fez algum mal? Porém, as duas indignações não permitirão o revide. Pois que, o mal causado por outro lhe indignou e o seu pensamento, ainda que tênue de fazer o mal, causa a segunda indignação.

Melhor aprender viver combatendo a percepção ingênua da completude e interpretar nossa história fixadas nas impossibilidades e que a indignação seja nosso estado de lucidez!

Nos sentimos culpados

Os seres humanos são os responsáveis, para não dizer os culpados, pela interpretação que fazem das suas vidas e pelas ações que permeiam seus arredores. A maioria dos atos tem, pelo menos, algum grau de omissão humana.

Reforço esse conceito no sentido de que não é possível nos estabelecermos como cidadãos dissociados de qualquer código de decência e, assim sendo, devemos nos colocar numa situação que predisponha o agir na direção daquilo que queremos melhorar ou mudar.

Que nos esforcemos para isso diante de tantas tragédias que fulminaram a semana e levaram as autoridades e responsáveis à instalar vários gabinetes de gerenciamento de crises.

Como o próprio nome indica, esses gabinetes são instalados depois que algo sai do controle, ai, então, serve apenas para delegar culpados depois de acirrado jogo de empurra e para finalizar com relatórios concluindo que problemas técnicos já apresentavam indícios de vulnerabilidade e possível tragédia.

Os procedimentos negligentes têm tudo a ver com as tragédias que nos abalaram recentemente. Laudos técnicos forjados, burocracia excessiva no papel e vista grossa na realidade objetiva escancararam a deficiência como o país tem funcionado e negligenciado seus filhos.

E por que o Poder Público não age antes? Porque, segundo o professor da Universidade de São Paulo (USP), Sérgio Médice, falta ao país a cultura da segurança nas obras públicas. Denúncias são reforçadas apenas quando acontece um desastre, depois tudo volta ao que sempre foi, com relatórios forjados apontando normalidade e excluindo riscos no curto prazo.

Foi exatamente assim no caso do rompimento da barragem em Brumadinho, no alagamento e desmoronamento de encostas nas comunidades do Rio de Janeiro e, mais recentemente, o incêndio no Centro de Treinamento do Flamengo. Não havia um plano B porque, segundo os responsáveis, não havia com o que se preocupar!

Experiências dolorosas não têm gerado aprendizado algum. A tragédia de Mariana não evitou a de Brumadinho. As fortes chuvas associadas à ocupação irregular dos morros, falta de canalização de córregos, falta de drenagem das águas e contenção das encostas tem causado deslizamento e mortes nas comunidades do Rio de janeiro, quase todos os anos. As autoridades locais não evitam e até estimulam loteamentos em áreas sabidas de risco.

E como pode um local definido em projeto como estacionamento tornar-se moradia de longo prazo para os meninos sonhadores que vem de outras cidades, buscar oportunidade de ser um grande jogador de futebol? É muito grave o fato de dirigentes do Flamengo terem aprovado a prática de alojar os garotos, que seriam mais tarde os ídolos do clube, em contêiners. Isso não causou indignação em nenhum deles, em nenhum pai?

As irregularidades do local foram confirmadas pelo Corpo de Bombeiros, que informou em nota, que o CT não tem o certificado emitido pela corporação. Enquanto os jornais mantiverem o foco nessas tragédias, elas repercutirão negativamente e forçarão os responsáveis a produzirem respostas imediatas às tragédias, mas se a imprensa colocar a pauta em segundo plano, adeus! O silêncio percorrerá os corredores do poder e dos poderosos.

Outra coisa que falta é falar a verdade. Em todos os casos recentes, familiares reclamaram da omissão de informações, da improvisação, da desorganização das autoridades. Isso, num momento de dor horrível, onde familiares percorrem o IML numa tentativa desesperada de levar seus mortos para casa.

Quando um poder não decide, outro o faz

A situação vexatória da reunião preparatória para escolher o presidente do Senado Federal teve seu início no mês de dezembro, quando o senador Lasier Martins do PSD do Rio Grande do Sul fez consulta ao Supremo Tribunal Federal (STF) sobre um projeto se resolução de sua autoria, apresentado no Senado, para que o voto fosse aberto para as eleições da Mesa. O Ministro Marco Aurélio, citando que os princípios constitucionais da publicidade e transparência previstos na Constituição Federal deviam ser colocados acima do regimento, determinou que a votação fosse aberta. Entretanto, o presidente do STF, Min. Dias Toffoli derrubou a decisão sob o argumento de que os poderes devem se manter autônomos e próprio senado tem que decidir por seus atos.

No ambiente dos gabinetes percebia-se uma movimentação tumultuada, aparentemente desarticulada, mas era claro a tendência de barrar, não diria a candidatura, mas a vitória do senador Renan Calheiros. O senador que interinamente ocupava a presidência, Davi Alcolumbre, demitiu o secretário-geral da casa, Fernando Bandeira, pessoa ligada a Renan, que horas mais tarde retomou o cargo. As 15 horas, a sessão de posse transcorreu dentro da normalidade, mas aos burburinhos, grupos de parlamentares já definiam as estratégias, inclusive regimentais, para aplicar à sessão da escolha do presidente.

O Regimento interno do Senado foi escrito, para de certa forma ser, quando necessário ou conveniente, sujeito a múltiplas interpretações. Na prática, assuntos fundamentais foram decididos na questão de ordem, os senadores exaltados citavam os artigos do regimento, em interpretações difusas cada qual agregando seus ideologismos, preciosismos e indagações. Defensores da candidatura do Senador Renan Calheiros invocaram quase todos os artigos, se utilizaram de todas as manobras para que o senador Alcolumbre, candidato declarado à presidência do Senado não presidisse a Sessão preparatória.

Foi no mínimo surreal a cena protagonizada pela senadora Kátia Abreu, do PDT de Tocantins, ao roubar a pasta que continha o rito da condução dos trabalhos. Pegou a pasta, desceu as escadas saltitante, parecendo uma criança, que acabara de ganhar um doce. Após mais de 5 horas de embates, com os ressentimentos políticos à flor da pele, 50 senadores votaram pela abertura do voto. A sessão foi encerrada com continuidade agendada para o dia seguinte e a pasta de documentos foi devolvida ao presidente.

Assim, iniciou-se a nova Legislatura; sem presidente.

Noite mal dormida, com os ânimos acirrados, pois já sabiam da derrubada da decisão do voto aberto pelo STF, os senadores discursavam, trocavam acusações e xingamentos, cada um preocupado em desconstruir o argumento do outro. Foi Impressionante a incapacidade de ouvir dos senadores, de elevarem o nível das proposituras, de garantir o poder decisório do Senado Federal. Foram alertados pela estreante senadora Selma Arruda, PSL de Mato Grosso, que tais comportamentos é que ensejam a consulta e interferência de outros poderes nos ritos e nas decisões tomadas pela Casa.

Enfim, 50 senadores foram derrotados pela decisão de um ministro, numa questão meramente regimental. Dias Toffoli negou suas próprias palavras, que transcrevi acima e cassou a decisão soberana do plenário. Resultou desse imbróglio que o voto foi misto. Quem o quis secreto, colocou o voto no envelope, depois na urna e quem quis declarar, mostrou a cédula ou confirmou o voto no microfone. Renan Calheiros ferido, com a imagem associada a velha política, recuou da candidatura e retirou-se do plenário. Venceu o Palácio do Planalto, com o senador Davi Alcolumbre, do DEM/AP.

A imagem do Senado sai obviamente desgastada por causa do espetáculo de casuísmo protagonizado para se manter a hegemonia e a continuidade do poder do MDB na Casa. Passado este momento tenso inicial é hora de voltar os olhos ao regimento e tirar os apensos que ficam retidos na CCJ e reformulá-lo.

 

Vale da morte

Uma tragédia provocada por falha humana, alimentada pela ganância e descaso repetiu-se. A barragem de rejeitos de minério de ferro da empresa brasileira Vale do Rio Doce, maior produtora de minério de ferro do mundo, rompeu e varreu de lama e lixo localidades de Brumadinho, em Minas Gerais.

Este crime soma-se ao crime cometido contra a cidade de Mariana e assim, a Vale acaba provocando duas tragédias sem precedentes. Como foi possível o crime se repetir a 126 km de distância e 3 anos após o primeiro?

A resposta do governo e do judiciário veio rápida e 11 bilhões da empresa foram bloqueados para garantir reparos financeiros as vítimas, aos familiares e ao meio ambiente. Mas nada paga o sofrimento de uma mãe que teve um filho engolido por uma mar de lama, o desespero de pessoas que sequer sabem que fim levaram seus entes queridos e o trauma dos sobreviveram ao horror de ver o rio de lama descer colina a baixo, quebrando árvores, arrastando gente e nada poder fazer.

A tragédia não conta com o elemento da imprevisibilidade. Após o acontecido em Mariana, a Vale trocou o presidente, mas preservou as velhas práticas predadoras para garantir o destaque internacional que goza no setor, aumentar a capacidade de produção e o lucro. E apesar do presidente da empresa ter dito, ao vivo, que as barragens passam sistematicamente por processos de inspeção, o que li confirma, no entanto, que os processos de licenciamento, são aprovados com com graves inconsistências.

Porém, apesar dos alertas feitos em reuniões tensas de que esta barragem de rejeitos de minério de ferro não oferecia “risco zero”, a licença foi aprovada rapidamente e com folga e iniciou-se o serviço de mexer nos rejeitos para extrair possíveis sobras de minérios acumulados. Se as avaliações técnicas atestaram que não havia risco e a desgraça aconteceu, pode acontecer novamente em outras 142 barragens de contenção sobre a gestão da Vale, licenciadas no país, por órgãos de controle desestruturados e corrompidos por um sistema que opera mediante influência política e financeira e pior, o judiciário não tem coragem para aplicar as sansões exemplarmente nem mesmo de condenar individualmente os gestores envolvidos neste tipo de tragédia.

Sou absolutamente leiga no tema mineração, entretanto, li e assisti o vídeo da audiência pública ocorrida na Assembléia Legislativa de Minas Gerais, com a finalidade de proibir novos licenciamentos e criar uma série de restrições para a construção de barragens de rejeitos e orientava no sentido de trocar as estruturas existentes pelo método de empilhamento a seco, além de proibir a construção de novas barragens onde existisse comunidades. Obviamente esse parecer foi rejeitado.

Em vários países civilizados e também no Brasil a tecnologia de empilhamento a seco é utilizada, mas para economizar a Vale constrói as barragens em cima dos próprios rejeitos e como não geram lucros, os gestores das empresas mineradoras não se preocupam com suas lixeiras.

Encorajei-me a expôr minha indignação diante deste crime, que configura uma tragédia doída em quem sabe que; se a mineradora operasse mediante laudos verdadeiros, com monitoramento responsável, com um plano de emergência considerando realmente as vidas envolvidas no trabalho e nas comunidades do entorno, se a dor de Mariana ainda gritasse nos peitos desses homens frios, esta tragédia não teria se repetido.

O tempo está passando. A esperança transforma-se em angústia e desespero. As evidências apontam para erro calibrado pela negligência. Quantos serão presos?

Dirigir embriagado

Por que comportamentos proibidos são tolerados no discurso público?

Dirigir embriagado é a segunda causa de morte no trânsito e o trânsito brasileiro é o quarto mais violento do continente americano. Cuiabá é a terceira entre as capitais onde mais se percebe o crime de beber e dirigir. Embora a lei ordinária do Código de Trânsito seja considerada boa e prevê penas que foram aumentando no rigor ao longo das revisões que sofreu, mesmo assim, as pessoas continuam bebendo e dirigindo sabendo de todos os riscos e consequências.

Os trabalhos de prevenção não tem sortido efeito no sentido de esclarecer o perigo do álcool. Há uma aceitação na sociedade para ver quem bebe mais. Quem mata com revolver vai imediatamente preso, quem mata com carro, quase nunca.

Naturalmente as pessoas tem resistências em obedecer algumas leis, e isso se manifesta por excesso de confiança, já fez isso várias vezes e nunca aconteceu nada. O problema é que as pessoas só mudam se algo acontecer no seu entorno. Pergunte a sua volta quantas pessoas elas conhecem que provocaram acidentes fatais. Esse número será relativamente baixo. Para a maioria das pessoas, são casos isolados, que apenas acontecem fora de seu núcleo de relacionamento e a manutenção do status social, do exibicionismo, não permite a mudança de hábito no sentido de se utilizar táxi ou uber para retornar para suas casas.

O risco porém, existe a cada copo de cerveja ingerido, mas as pessoas pensam que são imunes ao risco. A efetiva aplicação da lei indistintamente talvez seja a única forma de conter os números e mudar o comportamento das pessoas.

Ouvi na Rádio USP uma entrevista com o professor do Departamento de Psiquiatria, Ricardo Abrantes do Amaral, falando sobre as razões de as pessoas continuarem bebendo e dirigindo e não há novidade no diagnóstico: imaturidade, irresponsabilidade e falta de consciência.

O comportamento ético nem sempre é definido dentro dos limites da lei. A ética estabelece padrões amplos de comportamento e a lei nos diz o que estamos proibidos de fazer e nos impõe obrigações. Valores éticos e legais não são valores correspondentes, tampouco idênticos. Podemos considerar inaceitável algo estabelecido como lei e podemos ansiar por fazer algo que pode não ser legal.

A ética nos fornece guias sobre o que é a coisa certa a fazer em todos os aspectos da vida, enquanto a lei geralmente fornece regras mais específicas para que as sociedades e suas instituições possam ser mantidas. A ética envolve nosso pensamento e também nossos sentimentos, incluindo a culpa.

O cumprimento da lei, embora fundamental, não extingue o dever de agir no interesse público e de acordo com os princípios éticos, sobretudo quando consideramos os últimos casos ocorridos em Cuiabá, envolvendo pessoas, cujas profissões deveriam ser exercidas por bons cidadãos; servidora pública, professora, médica, juiz, etc…

Que bom que estamos vivendo um tempo de notícias 24 horas por dia, exposição de fatos da vida cotidiana, com imagens em tempo real e isso é uma característica importante para trazer à luz fatos que poderiam ser ocultados. Falta, porém, a punição exemplar.

Você bebe e dirige porque sabe que esse comportamento é socialmente aceito?

A. De jeito nenhum. Eu não descumpro a lei, não importa a razão.

B. Eu consideraria isso, mas provavelmente não faria.

C. Sim, sei que não causarei acidente nem serei pego.

D. Definitivamente faço, e tenho vários amigos que fazem também.