Valores

Recentemente, tenho me perguntado: O que eu estou valorizando agora? Que valores tenho levado em consideração antes de fazer minhas escolhas? Quais valores eu realmente endosso?

Valores funcionam como princípios orientadores; eles são ferramentas de navegação no mar revolto da  vida humana. Eles nos ajudam a discernir quem queremos ser e como queremos viver. Ao contrário dos objetivos, os valores não são atingidos, obtidos ou concluídos. Eles estão além do sucesso ou do fracasso. Eles são simplesmente incorporados à vida que vivemos.

Eu valorizo a sabedoria e os ensinamentos que me ajudam a sentir gratidão, a entender o sofrimento. Eu valorizo viver em alinhamento com minhas aspirações, com minhas possibilidades e muitas vezes, até com meu contraditório.

Tradicionalmente valorizo a simplicidade e a amizade e causa-me desgosto profundo quando por descuido, minha mente é invadida por certezas ilusórias ou mal intencionadas.

Eu valorizo à essência humana, que abranda o sofrimento como parte da liberdade e esvazia o sentimento doloroso da dúvida.

Eu valorizo ​​a reciprocidade e o comprometimento nos relacionamentos, eu valorizo ​​a clareza e a especificidade da minha vida como o único canal através do qual eu posso atualizar meus valores, lembrando sempre que existem outros caminhos e outros valores que são igualmente valorizados e valiosos.

Tenho dado valor o custo de viver com consciência, inteira!

Estamos sendo silenciados?

Muitos de nós estamos sendo silenciados pelo politicamente correto, embora tenhamos o direito legal de nos expressar sobre o que queremos. Contudo, é inegável a pressão social para não fazermos uso dessa liberdade, uma pressão que, em tese tenta restringir a liberdade real de nos manifestarmos.

Temos que falar e nos posicionar diante das coisas que acreditamos, das doutrinas que professamos, nas quais pensamos frequentemente; mas devemos sempre, nos colocar na posição, pelo menos mental daqueles que pensam diferente.

Não é possível na contemporaneidade limitar ou censurar a vibrante fala ou escrita de quem quer que seja que vá contra as primeiras impressões publicadas. Não é saudável um querer regular o que pensa o outro, querer no rompante da arrogância, doutrinar o pensamento do outro. Não há de haver censura nos comentários caprichosos emitidos sobre os temas do cotidiano; Lava Jato, Moro, VLT, o menino Rhuan ou qualquer tema que afete nosso ambiente social.

Não temos que ser servis e reprodutores de comentários sem graça. O homem não pode mais aceitar restrições, não pode temer o enfrentamento no campo das ideias, embora seja notório a vigilância sobre o posicionamento ideológico, político ou religioso. Vaga sob nós uma grande rede que tudo vê e tudo quer controlar. Mas a sociedade ideal é plural, diversa e não se iguala nos pensamentos e atitudes.

Posicionar os debates atuais em torno dos limites do que podemos falar ou escrever é um argumento tosco. Ninguém pode decidir por outro o que é apropriado e o que deve ser eliminado do discurso público. A tensão que existe deve incomodar os que não aprenderam a ouvir e considerar o outro.

Unificação de mandatos

O deputado federal Rogério Peninha Mendonça, MDB, SC, apresentou na Câmara Federal uma Proposta de Emenda Constitucional PEC para unificar as eleições no Brasil. Os prefeitos vibram com a possibilidade de terem seus mandatos estendidos em mais 2 anos. Se aprovada na sua integralidade, da PEC anula as eleições de 2020.

Além da argumentação da redução dos gastos de campanha, os prefeitos entendem que não havendo o pleito de 2020, a classe política poderá concentrar-se nas Reformas que o governo federal tenta colocar em pauta.

Os prefeitos se manifestam quase unanimemente favoráveis a extensão de seus mandatos e alegam que o custo da eleição municipal, em torno de R$12 bilhões, sendo que 80% desse valor é dinheiro público, é a causa da movimentação.

Quanto aos custos, não há nenhuma comprovação válida que haja redução porque os custos de uma campanha são divididos entre custos operacionais; publicidade, cabos eleitorais e lideranças comunitárias; publicidade online e impressa. As campanhas para prefeito e vereadores continuarão tendo seus custos, que se incorporarão aos outros.

A redução se daria apenas nos custos operacionais dos tribunais e do processo eleitoral.

Uma campanha política, um momento de disputa pela atenção e convencimento do eleitor é o momento em que o candidato precisa mostrar suas características ao eleitor.

Quando temos as eleições separadas, candidatos a vereança disputam a atenção com candidatos a vereança e a prefeito. Para você ter noção de grandeza, temos 5.570 municípios e, em ano de eleições municipais, pouco mais de 450 mil candidatos.

Repare que nas eleições municipais o foco de atenção fica quase sempre na disputa majoritária, a dos prefeitos.  Candidatos a vereança tem um número muito maior de concorrentes diretos e menor exposição midiática do que os prefeitos, logo, precisam investir mais.

Considerando que a proposta do deputado seja aprovada, vereadores e prefeitos terão que disputar a atenção com deputados estaduais, deputados federais, governadores, senadores e com o presidente do país.

Os processos eleitorais a cada dois anos abrem uma janela de exposição para quem é candidato estar presente junto ao eleitorado em um momento em que o eleitor está com seu foco na política. Ao passo que fazer eleições a cada cinco anos, votando de uma vez só em prefeito, governador, presidente, senador, deputado e vereador, pode afastar a discussão política do dia-a-dia da sociedade.

É muito comum que políticos de todos os níveis se envolvam em todas as eleições, até presidencial. Se o espaçamento maior se der entre as eleições, os pretensos candidatos terão que investir muito mais em suas campanhas para retomar a comunicação com os eleitores.

Para o novato ficará ainda mais difícil entrar na política, porque quem está com mandato tem exposição garantida e chance muito maior de reeleger-se.

A proposta, que a princípio mais parece demagógica, visto que há tantas formas, não utilizadas de se cortar despesas, inclusive nos gabinetes dos parlamentares.

Assustados com as mudanças trazidas pelo ano de 2018, muitos prefeitos temem enfrentar o processo de reeleição e então, apostam nas eleições num prazo mais longo.

Existem 107 Propostas de Emenda Constitucional (PEC) e diversos projetos de lei que abordam a reforma política, espaço apropriado para este tipo de debate.

 

Articulação política é ato republicano

No parlamento, tanto os 81 senadores quanto os 513 deputados federais foram eleitos comprometidos, eles mesmos, com suas bases, com as reformas menores que prometeram para os segmentos que representam. Estão, portanto, engajados em projetos próprios e de certa forma, até o momento, ainda estão alheios aos chamamentos para votar. Enfim, o parlamento em outros incentivos e outras preocupações.

Os líderes do governo e o próprio governo parecem ignorar essa dinâmica e por não terem tomado tempo para conhecer os parlamentares e até por desdenhar o apoio parlamentar, devem pagar um preço por isso. Sem construir uma base moldada na confiança não é possível contar com apoio. E isso não significa  corrupção, não é toma lá dá cá, Isto é pragmatismo, articulação política.

Na pressão, com mensagens cifradas em redes socias, não é possível reverter o quadro de estagnação. Os parlamentares, a maioria acostumados e com bom trânsito político não vão, sem entendimento e diálogo, votar com o governo e aprovar a reforma da previdência nem mais tarde, nenhuma outra reforma.

Os parlamentares, devido as características de seus mandatos, podem sofrer uma derrota aqui, outra acolá. Ao governo, seria bom, colecionar vitórias porque o povo é impaciente e não gosta de perder.

Além disso, qualquer derrota envia sinais de alarmes aos mercados, aos políticos, aos eleitores, passando a mensagem que o governo está sem controle das situações políticas e do país.

Governo e Parlamentares precisam se alinhar em interesses e urgências de maneira republicana, em torno de políticas de médio e longo prazo. Se os parlamentares adotarem postura de total independência, o perigo pode começar a rondar o governo.

Ainda há tempo, o mercado e a população ainda estão se ajustando. Mas é uma espera, cheia de interrogações.

As lições estão aí

O sistema carcerário abriga figurões. Temos várias condenações, pessoas cumprindo pena, pessoas que no passado não imaginávamos que poderiam responder por seus desvios. São ex presidentes da República, funcionários de altos escalões de empresas públicas e privadas e parlamentares.

Enfim, a corrupção estava entranhada em todos os meandros das instituições republicanas e partidos políticos.

A tradição da impunidade está sendo alterada. É preciso reconhecer que há avanços, porém, a  sociedade precisa se fortalecer na direção da integridade e honestidade até que cheguemos a um ponto em que a corrupção não tenha mais meios para contra atacar.

O momento nos tira do debate ideológico e partidário, e nos desloca para termos o foco nas lições dos últimos anos, no combate à corrupção até como forma de tirar o impacto dos roubos da economia, dos serviços públicos que são os primeiros a serem afetados.

Os corruptos não esperam e não querem ser punidos. Às leis, contudo, devem ser aplicadas indistintamente e o cidadão que não respeita os bens públicos, as pessoas, independentemente de sua classe social, devem ir para a cadeia. A corrupção mata no pronto socorro e tira investimento da educação.

A ignorância favorece as explicações caolhas dos corruptos.

O enfrentamento à corrupção esbarra, na maioria das vezes, na incapacidade do corrupto, admitir-se como tal. Mas é avanço considerável que o sistema judiciário tenha aprendido a aplicar penas aos ricos e influentes também.

5 meses

5 meses é pouco tempo para tenha se desmobilizado a multidão que apoiou e votou no Presidente Jair Bolsonaro. Em que pese todas as declarações de apoio,  há descontentes recentes e desertores.

Mesmo que se considere que a maioria dos apoiadores estejam firmes com o Presidente, o momento de mobilização política, das concentrações foram deixados para trás e agora, com outras pautas, outras urgências, muitos podem não se dispor de tempo ou de encantamento suficiente para saírem às ruas.

Não é ato de coragem apoiar mas silenciar.

Esse é um governo que ainda não é identificado com nenhuma pauta específica, que não é defendido pela maioria na Câmara nem no Senado. Esse é um governo que se perde em explicações e divagações e não atua para efetivamente emplacar as reformas difundidas como essenciais, algumas que foram inclusive mote da campanha.

Se são essenciais, por que ainda não saíram do papel? Por que não foram pautadas para votação? Porque os líderes do governo não estão efetivamente debruçados em cima desses projetos? O Congresso tem em si a capacidade para irritar o povo, de segurar votações e depois, transferir culpas.

O Centrão existe, como aliás, sempre existiu e tem procedimento padrão para impor suas vontades, para que as velhas práticas do toma lá, dá cá não sejam combatidas sem que algo equivalente seja apresentado para o novo ciclo.

O centro sabe que pode trancar a pauta, sabe que pode pedir, porque mais cedo ou mais tarde, numa ou outra proporção, serão atendidos.

Em entrevista recente, o ex Presidente José Sarney disse que o presidente Bolsonaro aposta nas evidências do caos e que isto é um erro. Falta ao governo ajustar-se a liturgia do cargo e não esperar que o cargo se adapte ao governo.

O governo não pode, em momento algum estar numa situação de imprevisibilidade. Há toda uma estrutura montada para articular as políticas, para ligar uma ponte à outra, para dar sustentação e governabilidade ao presidente. Só que estas estruturas devem ser administradas com o mínimo de conhecimento da realidade política, certo pragmatismo, enfim.

Sem ter maioria é difícil aprovar as pautas, avançar nas agendas de reformas. A crise atual não é causada pela falta de firmeza dos partidos. Nunca foram fortes isoladamente. Mas a união do DEM e MDB balança qualquer estrutura.

 

O lado profundo da vida

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Se existe profundidade é preciso que ela suba à superfície. Porque hoje a superficialidade se impõe à profundidade, diz o filósofo alemão Peter Sloterdijk, para quem, a vida atual não convida a pensar.

Estamos nos mostrando na medida do que agrada, do que imaginamos receber elogios, estamos lendo o que vem comentado porque pensar pode ser até certo ponto, um exercício doloroso de resgate do aprendizado de uma vida, que tornou-se esvaziada pela pressa e pela superficialidade a que estamos submetidos nas práticas diárias.

Estamos vivendo ora introspectivos escondendo a boa sorte. Ora, ressentidos, invejando a boa sorte dos outros.

Dos baques sofridos  à alma lavada não temos aprendido quase nada. Tomados pela vaidade, deixamos para trás o frescor dos fins de tarde e nos trancamos vencidos pelo cansaço de um dia vivido em colisões frontais por espaço, por emprego, por um relacionamento. Enfim, a rotina nos aprisiona.

A combinação das necessidades e potencialidades internas e externas deveriam nos levar a um placar de razoável empate. Mas não! As necessidades e potencialidade internas tem sido negligenciadas. Não lemos mais, porque tememos não entender, não estendemos a mão, porque tememos ser tocados pelo veludo da pele, não ouvimos mais o outro, porque somente nossas verdades importam.

É preciso construir o eu interior, mesmo a partir da confusão, da arrogância ou do caos. É o mundo interior, coração e mente que precisam receber cuidados. No mundo superficial basta panos, jóias e carros, porém, para restaurar a mente e o coração, um pouquinho mais. É preciso dedicar tempo às amizades, leituras, pensamento crítico e muito respeito; coisas e sentimentos que habitam o lado profundo da vida e apenas, tão somente apenas esporadicamente emergem a superfície para serem pinçados.

Para nos sentir precisamos desistir das facilidades. Se um dia nos fizeram simples, nos afastamos dessa natureza e resgatá-la é o serviço de emergência que vai nos devolver os movimentos vitais.

Eis que a extraordinária exigência de mergulharmos nas águas profundas nos salvará da mediocridade, da comparação, da reclamação e das dúvidas e teremos aprendido a retornar para nossa essência