Um novo conceito no papel de mãe

Eu criei meus dois filhos dentro de um padrão absolutamente consciente de não punição.
Foram anos e anos falando, mostrando, segurando pelas mãos, sem elevar a voz, sem levantar a mão…nunca. Certamente ser casada com um pediatra facilitou-me a compreensão da infância, da juventude, como etapas da vida que precisam ser cumpridas, com intensidade.
Então, optei por participar, compreender, apoiar e compartilhar.
O resultado, anima-me e faz-me rever o meu conceito de ser mãe e acreditar que é possível criar os filhos para nos superarem, inclusive na sublime tarefa, de ser mãe.
Desde o ano de 2003 observo com profundo orgulho o surgimento do homem que assume papeis múltiplos, inclusive de cuidar do filho, compartilhar a educação, visitas ao consultório médico, batismo, dentista, levar e buscar na escola, assistir partidas de futebol, treino de natação, fazer tarefa, tudo.
Quisera eu ter sido consciente, carinhosa, presente como meu filho Eduardo é hoje, como pai de Vinicius.
Vinicius é um garotinho que aprendeu que tem duas casas, porque o papai e a mamãe não são casados, e que transita muito bem nesse mundo aparentemente desestruturado de famílias de pais e mães solteiros. Vejo um jovem de 31 anos intercambiando experiências e programas com seu filho – estão juntos nos concertos de música, nos restaurantes, na academia, no parque, nos corredores do colégio, trocam palavras em inglês, ora conversam em código, que só quem joga playstation conhece. Eduardo divide essa rotina com a mãe desde o nascimento do filho no ano de 2003, quando, aos 25 anos, tornou-se pai e assumiu desde então, todas as responsabilidades e alegrias contidas no desempenho do papel de criar um filho. E ele, assim como eu, não quer apenas criar um filho, mas educar uma criança para ser um cidadão pleno, com cultura e bondade.
Não faço nenhuma apologia para que sejam todos pais e mães solteiros, apenas reconheço que há homens compartilhando a tarefa de criar os filhos com a leveza, responsabilidade e presença adentrando num universo antes povoado naturalmente pelas mulheres.
Neste dia das mães, homenageio-as todas abraçando demoradamente meu filho, que sem querer ser piegas ou cair no senso comum, é um pai com a alma repleta do amor incondicional que dizem, só as mães são dotadas.