Soneto 97 – William Shakespeare

Como o inverno, tornou-se minha ausência De ti, o prazer com que passou o ano! Que frio senti, que dias negros eu vi! A estiagem de dezembro espalhou-se por toda a parte! E longe .cava, então, o verão, O próximo outono, crescendo com toda a força, Suportando o luxurioso peso do início, Como úteros viúvos após a morte de seus senhores; Embora esse farto assunto me pareça A esperança de órfãos, e de frutos sem ascendência, Pois o verão e seus prazeres servem a eles, E, embora distante, os mesmos pássaros emudeçam; Ou, se cantam, emitem um trinado tão mortiço, Que as folhas empalidecem, por temerem o inverno.

William Shakespeare (Stratford-upon-Avon, Inglaterra, 23 de abril de 1564 – Stratford-upon-Avon, 23 de abril de 1616)

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