A escolha

Os amigos me libertam do paradigma de que estar bem é ter alguém;
Eu tenho a mente e o coração livres porque preciso desse espaço para existir por inteira. Não saberia ser a metade de outra pessoa. É assim que minha consciência opera, dentro de um espaço próprio.
Já quis ir com alguém, quis que alguém ficasse, mas essa vontade é efêmera. Espero passar. Sou eu amadurecida, responsabilizando apenas a mim mesma pela minha felicidade!

A desordem da minha natureza

Descobri que minha obsessão por cada coisa em seu lugar, cada assunto em seu tempo, cada palavra em seu estilo, não era o prêmio merecido de uma mente em ordem, mas, pelo contrário, todo um sistema de simulação inventado por mim para ocultar a desordem de minha natureza.
Descobri que não sou disciplinado por virtude, e sim como reação contra a minha negligência; que pareço generoso para encobrir minha mesquinhez, que me faço passar por prudente quando na verdade sou desconfiado e sempre penso o pior, que sou conciliador para não sucumbir às minhas cóleras reprimidas, que só sou pontual para que ninguém saiba como pouco me importa o tempo alheio.
Descobri, enfim, que o amor não é um estado da alma e sim um signo do Zodíaco.
(Gabriel Garcia Marquez, Memórias de Minhas Putas Tristes – Pg. 74)

Blood in the Mobile

Injustiça, Pobreza e Ignorancia sao condições básicas para o desenrrolar desse enredo sangrento, onde os interesses financeiros estão acima do bem estar do ser humano. Mas será que são essas pessoas vistas como seres humanos? O documentario é forte demais, mas todos nós, que temos celular, deveríamos assistir e refletir sobre nossa consciencia diante desses fatos gritantes de exploração. Aqui no caso, cita-se a Nokia, mas imagina os métodos utilizados pelos concorrentes. Escorre sangue quando falamos ao telefone!

Mensagem de paz no dia dos namorados

Este Dia dos Namorados Enviar cartas de amor para o Zimbábue
Todos os anos para comemorar Dia dos Namorados, a WOZA, uma organização pacifista constituída por mulheres leva seus membros às ruas para espalhar a sua mensagem de amor: “amor a si mesmo, a família, a comunidade e ao país”. Este ano, os membros do WOZA expressaram preocupação sobre o potencial de violência durante as eleições antecipadas. Zimbabuanos devem retornar às urnas este ano, para votar uma nova constituição e potencialmente novas eleições presidenciais e parlamentares. Há muita confusão sobre este assunto, exatamente quando e quais votações irão ocorrer, mas não há confusão sobre um ponto: qualquer voto deve ser livre, justo, sem violência e em conformidade com normas nacionais e internacionais.
As eleições passadas, de 2008 no Zimbábue foram marcadas com altos níveis de violência política. A Anistia Internacional documentou assassinatos, tortura e desaparecimentos. Membros políticos da oposição, sociedade civil e defensores dos direitos humanos foram particularmente visados. Women of Zimbabwe Arise (WOZA) está muito envolvida no processo de implementação da nova Constituição do Zimbabwe, medo de que a constituição seja escrita e dirigida ao abuso político. Muitos líderes, presidentes de outros países africanos estão pessoalmente envolvidos no precesso eleitoral do Zimbabwe, estabelecendo mecanismo de segurança que sejam suficientes para prevenir a corrupção, a violência e garantir a liberdade e justo acesso para a mídia atuar dentro do país.
Dia 14 de fevereiro, dia dos Namorados no país, as mulheres estão nas ruas com suas mensagens de amor e paz.

A liberdade como caminho


Entender uma crise politica que se desenrrola em outro continente, que envolve componentes históricos, culturais, religiosos não é tarefa que se resume a ler e falar. Atenta, ouvi muito, compartilhei e alinhei o pensamento com amigos que respeito. Aqui portanto, mais escrevo sobre o que ouvi nos 18 dias que antecederam a derrubada do governo de Hosni Mubarak do que emito considerações próprias de quem defende o caminho da liberdade, do respeito aos direitos humanos e da democracia em qualquer continente.
O Egito, por sua geografia já é um país complexo. Situado no norte da África,com 80 milhões de habitantes, tem a maior população do mundo árabe, quase 99% da população vivendo nos 4% de área ao longo do Vale do Rio Nilo. O Islã é a religião oficial e mais de 90% dos egípcios são mulçumanos. Faz fronteira com vários países africanos e do oriente médio e a capital, Cairo tem 8 milhoes de habitantes.
Ouvi de um amigo Israelense que há muita preocupação com o que pode acontecer com Israel nos momentos pós crise do Egito, por que de certa forma Mubarak garantia estabilidade a Israel, mas meu amigo e toda família compartilharam com o povo Egipcio toda aflição e esperança na derrubada do governo corrupto e ditatorial de Mubarak, que violava direitos humanos e reprimia a oposição.
A voz do povo, o poder da mídia instantanea, sobretudo facebook e twitter, é algo que não se pode subestimar. O apelo dos jovens na praça Tahrir , a distribuição de comida e cobertor por simpatizantes, como outro amigo, desta vez, egipcio, que me confidenciou em e-mail que morreu de inveja dos jovens que lá se juntavam.
A Praça Tahrir foi o palco, o epicentro das manifestações que culminaram com a queda do governo Mubarak.
Na Tahrir Square, meu amigo não ousou perguntar como as pessoas se sentiam. Disse-me ele que a aparencia deles transcendia um espírito de pessoas que não eram apenas humanas, por isso ele decidiu chamá-los de “Anjos da Tahrir Square”. Anjos que estavam povoando um céu de sombras e ruínas, mas que sabiam que não seria em vão.
Disse-me meu amigo Egipcio que voltou para casa e não conseguiu dormir nas vinte e quatro horas seguintes. Ele queria escrever, contar para todo mundo que ele havia visto anjos em forma de humanos, lutando para que ele e a família dele tivessem dias melhores.
Na praça Abdel Moneim Riad Square, o clima era mais tenso, era exatamente a linha de fogo contra os manifestantes. Não era seguro transitar por ali, mas ele foi levar comida e cobertores e a todo momento era advertido que não deveria permanecer lá.
Daqui, tão distante, troquei mais de vinte e-mails com meus dois amigos, o Israelense e o Egipcio, para fazer um paralelo do sentimento que envolvia um e outro e que de certa forma, envolvia-me também.
Quando o Vice Presidente Omar Suleiman anunciou na TV que Mubarak havia deixado o governo, recebi um emocionado e-mail: “ você viu, você viu na TV? Nós conseguimos! O Egito está livre de Mubarak”
Percebi que o que virá agora não é temido, tampouco desconhecido para o povo egipcio, que mediu as consequencias e avançou rumo a mudança. Portanto, dias dificeis, porém não incertos, virão pela frente.
O Secretário geral da Onu admitiu hoje, que o mérito maior da derrubada do governo foi a voz do povo egípcio, particularmente dos jovens, que de maneira pacífica e corajosa, exerceram os seus legítimos direitos e que agora cabe a eles, determinar o futuro do País que querem.
Devo ter cuidado ao referir-me a “democratização” e ao processo de mudança que o Egito enfrentará, porque democracia, claro, não surge da noite para o dia e, inevitavelmente a sociedade vai precisar de tempo e esforço para pôr em prática a cultura da democracia. Este é um processo e não um único evento. .

Heróis anônimos – Luis Fernando Veríssimo

Caminho árduo para mim é aquele percorrido por milhões de brasileiros, profissionais da saúde, professores da rede pública (aliás, todos os professores) , carteiros, lixeiros e tantos outros trabalhadores incansáveis que, diariamente, passam horas exercendo suas funções com dedicação, competência e amor e quase sempre são mal remunerados.
Heróis são milhares de brasileiros que sequer tem um prato de comida por dia e um colchão decente para dormir, e conseguem sobreviver a isso todo santo dia.
Heróis são crianças e adultos que lutam contra doenças complicadíssimas porque não tiveram chance de ter uma vida mais saudável e digna.
Heróis são inúmeras pessoas, entidades sociais e beneficentes, ONGs, voluntários, igrejas e hospitais que se dedicam ao cuidado de carentes, doentes e necessitados

Eu exerço minha capacidade de transmutar, imaginar-me no limiar desse abismo de sobreviver com quase nada além da esperança. País de contraste social inaceitável.
Deveria começar aqui também uma revolução por comida, casa, justiça, saúde e educação.
A pobreza causa impactos danosos e o pobre se torna vítima de sua própria condição.
À fome, junta-se a revolta, a dor latente, as imagens retorcidas pela noite mal dormida. Esperar pelo novo dia que nada traz de mudança, não minimiza a distância entre o real e o sonho. Sonho mau, povoado por violência. Sina de viver uma vida recheada de disparidades sociais, sem afirmação nem identidade.
Heróis anônimos, que invisíveis desfilam entre os nobres, carregando-lhes a pasta, engraxando-lhes os sapatos, mas sua condição não causa impacto no semblante impassível de quem pode decidir e mudar.
Mas não decidem e não mudam porque não querem desencadear nenhum processo de equilíbrio e igualdade.