A liberdade como caminho


Entender uma crise politica que se desenrrola em outro continente, que envolve componentes históricos, culturais, religiosos não é tarefa que se resume a ler e falar. Atenta, ouvi muito, compartilhei e alinhei o pensamento com amigos que respeito. Aqui portanto, mais escrevo sobre o que ouvi nos 18 dias que antecederam a derrubada do governo de Hosni Mubarak do que emito considerações próprias de quem defende o caminho da liberdade, do respeito aos direitos humanos e da democracia em qualquer continente.
O Egito, por sua geografia já é um país complexo. Situado no norte da África,com 80 milhões de habitantes, tem a maior população do mundo árabe, quase 99% da população vivendo nos 4% de área ao longo do Vale do Rio Nilo. O Islã é a religião oficial e mais de 90% dos egípcios são mulçumanos. Faz fronteira com vários países africanos e do oriente médio e a capital, Cairo tem 8 milhoes de habitantes.
Ouvi de um amigo Israelense que há muita preocupação com o que pode acontecer com Israel nos momentos pós crise do Egito, por que de certa forma Mubarak garantia estabilidade a Israel, mas meu amigo e toda família compartilharam com o povo Egipcio toda aflição e esperança na derrubada do governo corrupto e ditatorial de Mubarak, que violava direitos humanos e reprimia a oposição.
A voz do povo, o poder da mídia instantanea, sobretudo facebook e twitter, é algo que não se pode subestimar. O apelo dos jovens na praça Tahrir , a distribuição de comida e cobertor por simpatizantes, como outro amigo, desta vez, egipcio, que me confidenciou em e-mail que morreu de inveja dos jovens que lá se juntavam.
A Praça Tahrir foi o palco, o epicentro das manifestações que culminaram com a queda do governo Mubarak.
Na Tahrir Square, meu amigo não ousou perguntar como as pessoas se sentiam. Disse-me ele que a aparencia deles transcendia um espírito de pessoas que não eram apenas humanas, por isso ele decidiu chamá-los de “Anjos da Tahrir Square”. Anjos que estavam povoando um céu de sombras e ruínas, mas que sabiam que não seria em vão.
Disse-me meu amigo Egipcio que voltou para casa e não conseguiu dormir nas vinte e quatro horas seguintes. Ele queria escrever, contar para todo mundo que ele havia visto anjos em forma de humanos, lutando para que ele e a família dele tivessem dias melhores.
Na praça Abdel Moneim Riad Square, o clima era mais tenso, era exatamente a linha de fogo contra os manifestantes. Não era seguro transitar por ali, mas ele foi levar comida e cobertores e a todo momento era advertido que não deveria permanecer lá.
Daqui, tão distante, troquei mais de vinte e-mails com meus dois amigos, o Israelense e o Egipcio, para fazer um paralelo do sentimento que envolvia um e outro e que de certa forma, envolvia-me também.
Quando o Vice Presidente Omar Suleiman anunciou na TV que Mubarak havia deixado o governo, recebi um emocionado e-mail: “ você viu, você viu na TV? Nós conseguimos! O Egito está livre de Mubarak”
Percebi que o que virá agora não é temido, tampouco desconhecido para o povo egipcio, que mediu as consequencias e avançou rumo a mudança. Portanto, dias dificeis, porém não incertos, virão pela frente.
O Secretário geral da Onu admitiu hoje, que o mérito maior da derrubada do governo foi a voz do povo egípcio, particularmente dos jovens, que de maneira pacífica e corajosa, exerceram os seus legítimos direitos e que agora cabe a eles, determinar o futuro do País que querem.
Devo ter cuidado ao referir-me a “democratização” e ao processo de mudança que o Egito enfrentará, porque democracia, claro, não surge da noite para o dia e, inevitavelmente a sociedade vai precisar de tempo e esforço para pôr em prática a cultura da democracia. Este é um processo e não um único evento. .

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