Na contramão da evolução comportamental dos pais, o não reconhecimento da paternidade ainda é problema no Brasi

Os pais de hoje já começaram a assumir papéis muito diferentes dos pais das gerações anteriores.
O que trouxe essa mudança de papéis para os homens, como pais?
Isso, em decorrência de uma nova forma de organização da família, mudanças na sociedade contemporânea, como aumento no número de mulheres entrando no mercado de trabalho, proporção de nascimentos fora de casamento, além do aumento de famílias de pai ou mãe solteiros.
Nas décadas mais recentes, a mudança do papel econômico das mulheres tem tido grande impacto o papel dos pais. Mas o pai moderno se reinventou. O pai de hoje não é mais o ganha-pão tradicional, casado e disciplinador da família. Pesquisa psicológica entre famílias de todas as etnias sugere que o afeto do pai e seu envolvimento direto com a criação dos filhos ajuda a promover o desenvolvimento social e emocional das crianças e isso não rivaliza com o papel das mães, porque pai e mãe atuam em pólos distintos da formação do caráter da criança.
De acordo com os estudos publicados por Engle e Breaux ,no relacionamento pai e filhos, o pai deve: 1) construir uma relação de cuidado com os filhos, envolvendo-se por meio de interação, disponibilidade e responsabilidade ; passando parte do seu tempo com a criança; bem como estar presente, já que há evidências de que o contato com o pai acarreta menos problemas de comportamento, mais senso de habilidade para fazer coisas e maior auto-estima na criança; 2) tomar a responsabilidade econômica pela criança e 3) reduzir as chances de criar um filho fora de uma parceria com a mãe da criança (o que pode reduzir seu vínculo com a criança).
Alia-se a esses conselhos, outros tantos sugeridos no livro; como comportar-se de modo amoroso e dedicado, criar um clima doméstico e acolhedor. Manter o olhar atento no filho. Interromper as atividades para ouvi-lo, para brincar.
Cabe ressaltar que todo processo de mudança de comportamento é lento e carregado de estruturas sociais tradicionais. Mas as mudanças são significativas e tendem a causar impacto positivo no papel das relações pai e filho. Os múltiplos papeis que se espera que os pais explorem, segundo diversos artigos publicados na revista Scielo, estão ligados aos aspectos mais diversos da paternidade; como tomada de decisões, motivação e mecanismos para exercer influencia sobre os filhos.
A assimilação dessas regras que constituem a identidade moral das crianças, devem ter características muito mais humanas quando o pai com o qual a criança se identifica está em casa. Esse pai deve se mostrar com todas as suas competências e fraquezas, enfim, uma figura real. Cultuando a imagem do pai herói, as crianças correm o risco de se identificar mais ou também com os ídolos da mídia, com celebridades.
O pai retratado por U2 na música “ Sometimes you can´t make it on your own” ( às vezes você não pode fazer tudo sozinho); escrita por Bono Vox dedicada ao pai durão, que fingia que as coisas estavam sempre bem e sob controle, que resolvia tudo sozinho para poupar a família. Na música, Bono desconstrói a imagem desse pai infalível e pede ao pai que aceite que nem sempre se consegue fazer tudo sozinho e que o pai não tem que estar sempre certo em suas convicções.
Os pais desempenham um papel particularmente preponderante no desenvolvimento das crianças para a abertura para o mundo. Os homens parecem ter uma tendência para excitar, surpreender e eles também tendem a incentivar as crianças a assumir riscos, enquanto, ao mesmo tempo garantem a segurança, permitindo assim que as crianças aprendam a ser mais corajosas em situações desconhecidas, bem como para defender-se. Mas essa dinâmica só pode ser eficaz no contexto de um vínculo emocional concreto e sólido entre pai e filho. Pais modernos ou antigos, jovens ou nem tanto, não se desobriguem a educar seus filhos. Escola e Família não tem a mesma função.
Na contramão da evolução comportamental dos pais, o não reconhecimento da paternidade ainda é um sério problema no Brasil.Cerca de 30% das crianças brasileiras não tem o nome de seus pais em seus registros de nascimento, é o que revela a pesquisa da socióloga Ana Liési Thurler. E numa tentativa de amenizar ou solucionar o constrangimento a que são expostas essas crianças, a corregedoria do Conselho Nacional de Justiça – CNJ lançou o projeto “Pai presente”, cujo objetivo é identificar os pais que não reconhecem seus filhos e garantir que assumam as suas responsabilidades.Determina ainda que as corregedorias dos Tribunais de Justiça de todo o Brasil identifiquem os pais de 4,85 milhões de pessoas que têm essa lacuna no registro de nascimento. 3,8 milhões são jovens com menos de 18 anos

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