A cultura do voluntariado como manifestação de cidadania

“Nunca há um ano sem crises humanitárias e onde há pessoas em necessidade, há bons homens e mulheres se unindo para aliviar o sofrimento e trazer esperança.” observa o Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon.
O trabalho voluntário é a oportunidade de fazer a diferença na vida das crianças carentes e adultos, transmitindo educação e aconselhamento nas escolas e orfanatos, informação sobre o HIV e cuidados médicos.
O voluntariado brasileiro teve início em 1543, quando foi fundada a primeira Santa Casa de Misericórdia no estado de São Paulo. A noção de voluntariado era bastante ligada as atividades religiosas, coordenadas pela Igreja Católica. Tempos depois surgiu a Rede Feminina de Combate ao Câncer, uma organização filantrópica de âmbito nacional, que existe desde 1946.
No início dos anos 1980, o voluntariado ganhou popularidade e em 1983 a doutora Zilda Arns Neumann e o então arcebispo de Londrina, Dom Geraldo Majella fundaram a Pastoral da Criança, com o objetivo de combater a alta taxa de mortalidade infantil. Foi então que desenvolveu a metodologia comunitária de multiplicação do conhecimento e da solidariedade entre as famílias mais pobres. Os líderes comunitários eram capacitados e transmitiam às mães ensinamentos para combater grande parte das doenças e a marginalidade das crianças. Após 28 anos, a Pastoral acompanha 1.256.079 famílias, 1.598.804 crianças, 85.617 gestantes. Está presente em 4.000 municípios brasileiros e em 20 países, onde transmitem solidariedade e conhecimentos sobre saúde, nutrição, educação e cidadania para as comunidades mais pobres. Dra. Zilda Arns Neumann, nascida em 25 de agosto de 1934, em Forquilhinha, SC, médica pediatra e sanitarista, fundadora e coordenadora internacional da Pastoral da Criança e Pastoral da Pessoa Idosa, organismos de ação social da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), enveredou pelos caminhos da saúde pública e dedicou a vida a salvar vidas com medidas simples, educativas, preventivas e acima de tudo, eficazes. Em 2006, ela foi indicada ao Prêmio Nobel da Paz.
Morreu tragicamente no terremoto que devastou o Haiti dia 12 de janeiro de 2010, em Porto Príncipe quando acabara de fazer um pronunciamento sobre seus métodos e hidratar e alimentar as crianças pobres.
Se viva, estaria, dia 25 de agosto, quinta-feira, completando 77 anos de idade.
Outro momento importante para a disseminação do voluntariado foi em 1996, quando a Fundação Abrinq e o conselho da Comunidade Solidária lançaram o “Programa de Estímulo ao Trabalho Voluntário no Brasil”. Desde então, quase todas as capitais brasileiras fundaram organizações que atuam tanto na captação como na capacitação de entidades e de voluntários.
Segundo dados do Portal do Voluntário, os voluntários têm alto nível de escolaridade, 23% têm pós-graduação e 20% completaram o ensino superior – e que 31% deles têm entre 18 e 34 anos e 53% são mulheres. Em média, conforme aponta a pesquisa “Doações e trabalho voluntário no Brasil, dirigidas por Leilah Landim e Maria Celi Scalon, cada voluntário doa em média74 horas de trabalho por ano. No Canadá, por exemplo, esse número é de 191 horas anuais.
No Brasil o serviço voluntário foi regulamentado pela lei 9.608/98, que esclarece que o serviço voluntário não gera vínculo empregatício e nenhuma obrigação de natureza trabalhista.
Ação voluntária emana valores de solidariedade e de iniciativa em favor de outros. O voluntário atua como um agente de transformação social, com forte inserção na comunidade, tendo um importante papel integrador. Através da participação voluntária, as pessoas encontram espaço para seu crescimento pessoal e sua auto-realização.
Mesmo as organizações humanitárias famosas, como a Cruz Vermelha, Save the Children e Médicos Sem Fronteiras também são dependentes de voluntários.
A antropóloga Ruth Cardoso fundou em 1995 a Comunidade Solidária que, através da ação de voluntários, fortaleceu as ações sociais no Brasil, estimulando a criação de mais de 40 Centros de Voluntários nas principais cidades brasileiras. Ruth Cardoso disse em entrevista que o brasileiro é solidário, que o gesto de solidariedade faz parte da nossa cultura. Confirmou que as pesquisas indicavam que 1 em cada 5 adultos exercia atividade voluntária. Ou seja, grande número de pessoas doam tempo, trabalho e talento para ajudar quem precisa. Dra Ruth Cardoso pontuou que cada problema social é uma oportunidade de ação cidadã. Voluntariado é um hábito do coração e uma virtude cívica. Solicitados a doar o melhor que temos dentro de nós, a tendência é a uma reação generosa.
No dia 28 de agosto próximo, comemora-se o dia Nacional do Voluntariado. Que tal abandonar o comportamento individualista e tomar consciência que temos que agir efetivamente pra a solução dos problemas da vida em comunidade?
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