Medicina baseada em princípios éticos e humanitários

Para comemorar o Dia do Médico, o Conselho Federal de Medicina e os Conselhos Estaduais previram atividades diversas que envolvam os tomadores de decisão, como, participação em audiências públicas, palestras e até mesmo atos públicos para democratizar o debate sobre o diagnóstico da saúde no país, identificar os obstáculos que impedem o avanço e o remédio eficaz que deve ser ministrado a esse paciente crônico.

Para o final de outubro está agendado uma grande paralisação da classe médica, que protestará contra as más condições de assistência e a baixa remuneração que os profissionais recebem do Sistema Único de Saúde (SUS). A mobilização nacional é em defesa da rede pública. Casada 24 anos com médico pediatra, a rotina do hospital, o cheiro premente de remédio, da doença fez parte da minha vida. As dificuldade relatadas hoje não eram assim tão evidentes anos atrás. Fazia-se medicina com mais calma, sem convênios, campainha tocando todas as noites. Um desassossego controlado.

Agora, ao ler o perfil dos médicos brasileiros, divulgado pelo Conselho Regional de Medicina, fiquei perplexa com tão abrupta mudança. O Brasil tem aproximadamente 283 mil médicos, dos quais 64% são homens e tem menos de 45 anos; metade têm três ou mais empregos e dão plantões semanais de 12 a 48 horas, 49% estão vinculados a planos de saúde, que pagam, em média, 35 reais por consulta e ganham menos de 7. 000 reais mensais e para fechar a pesquisa, a quase totalidade define a profissão como desgastante. Os médicos jovens ainda relutam para prestar serviço no interior dos estados, onde as prefeituras pagam melhor salário, embora reclamem que os salários estão estagnados a níveis inaceitáveis.

A grande maioria dos médicos possui título de especialista, é pós-graduada, mas apenas 6,8% são doutores e metade tem até quinze anos de formado. Aos olhos dos pacientes, a pesquisa relaciona os médicos como pessoas confiáveis, competentes, honestas, comprometidas com bem comum. A classe médica é estudiosa. Os médicos participam de congressos nacionais e internacionais e a grande maioria é filiada a Associação Médica e Sindicatos. As razões que levam os doutores a buscar refinamento profissional são as mesmas que estimulam qualquer outra categoria; ascensão profissional, melhor remuneração e qualificação profissional. Há no mercado cerca de 6.108 vagas de emprego para médicos, dentro de todas as especialidades.

Os médicos ao redor do mundo também foram pesquisados e Cuba, cujo sistema de saúde é lendário, lidera a lista de países com maior número de médicos por habitantes. Frisando que não necessariamente quantidade significa qualidade na prestação do serviço ao usuário.

Em muitos países africanos a população local não atinge 40 anos de idade devido a falta de investimento em saúde pública e onde doença como a AIDS mata 1 em cada 3 adultos em idade de 15 a 49 anos, onde 9 entre 10 nascimentos ocorrem sem nenhum acompanhamento médico. Os Estados Unidos, ainda no topo to mundo, lidera em procedimentos de cirurgia plástica, enquanto a Suiça lidera a média de internação dos doentes, em torno de 10 dias, até porque dispõe da maior taxa de leitos hospitalares por habitantes no mundo.

Na área de serviço humanitário, os médicos se organizaram e criaram juntamente com jornalistas, a entidade internacional chamada Médicos sem Fronteiras, que atua hoje em cerca de 60 países. O trabalho dos Médicos sem Fronteiras é baseado nos princípios humanitários da ética médica e da imparcialidade. A organização é altamente comprometida em proporcionar cuidados médicos de qualidade para pessoas necessitadas, independentemente da sua raça, religião ou filiação política.

Noventa por cento do financiamento global dos Médicos sem Fronteiras vem de investidores e doadores privados, ou seja, fontes não governamentais. Uma entidade independente e imparcial que assiste pessoas vítimas de violência, cidadãos negligenciados pela família e pelo poder público, feridos em conflitos armados. Tamanha relevância do serviço prestado rendeu aos Médicos sem Fronteiras o Prêmio Nobel da Paz, em 1999. A Direção da entidade Médicos sem Fronteiras, trava constante diálogo com as autoridades locais, para apoiar e reforçar as cobranças e sobretudo fazer a assistência médica chegar aos pacientes que mais necessitam e em suas comunidades.

Aos médicos idealistas resta confundir a profissão com missão, e atender os pacientes baseados nos princípios humanitários da ética e da bondade.

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