A canção dos homens

A música pode ser usada para expressar a emoção, unir as comunidades e fazer juramentos. No livro O Mundo Musical em Seis Canções, Daniel Levitin sugere que todas as músicas podem ser agrupados em seis tipos; amizade, alegria, conforto, religião, conhecimento e amor são os seis fundamentos. Ele vê esses temas básicos como indicadores do estado de ânimo pessoal. Como exemplo, ele vê uma canção de alegria como um indicador confiável da saúde física e mental de uma pessoa.
Ele observa que a música afeta a biologia humana e pode influenciar o pensamento e sentimento, além de aliviar as tensões e agir como um mecanismo de ligação entre os grupos distintos.
A música tem desempenhado um papel vital na história da humanidade e as evidências parecem sugerir que o canto é bom em um nível comum e pessoal. Pesquisas diversas revelam uma relação inequívoca entre ouvir música, cantar e bem-estar. Seus benefícios físicos incluem aumento da oxigenação da corrente sangüínea e trabalha grandes grupos musculares na parte superior do corpo, aumenta a energia, melhora a postura, reduz a pressão arterial.
Psicologicamente a música tem o efeito positivo na redução dos níveis de estresse através da ação do sistema endócrino que está ligado ao sentido de bem-estar emocional, elevação do humor, ativação da memória, aumento da concentração e melhoria no sistema imunológico também.
No sistema social Xinguano, a música é ritual que performatiza a delicada linguagem da relação entre os indios do Xingú. A música é sempre a história de um passado recente, fatos cotidianos da vida, sobre encontros com outras tribos e ao mesmo tempo, a música promove uma comunicação entre os que tocam e os que escutam. Assim, na mitologia kalapalo, a música é tratada como manifestação das transformações dos seres perigosos e como um meio de exercer o controle sobre essas forças. Dessa forma, os Kalapalo usam a música ritualmente como meio de comunicação entre categorias desiguais de seres.
A poetisa africana Tolba Phanem conta que quando uma mulher, de certa tribo da África, sabe que está grávida, ela segue para a selva com outras mulheres e juntas rezam e meditam até que surge a canção da criança. Quando nasce a criança, a comunidade se junta e cantam a sua canção. Logo, quando a criança começa sua educação, o povo se junta e canta sua canção. Quando se torna adulto, eles se juntam novamente e cantam. Quando chega o momento do seu casamento os noivos escutam a sua canção. Finalmente, quando sua alma está para ir-se deste mundo, a família e amigos aproximam-se e, como no nascimento, cantam a sua canção para acompanhá-lo na viagem. Nesta tribo da África há outra ocasião na qual os homens cantam a canção. Se em algum momento da vida a pessoa comete um crime ou um ato social aberrante, levam-no até o centro do povoado e a gente da comunidade forma um círculo ao seu redor. Então todos cantam a sua canção. A tribo reconhece que a correção para as condutas anti-sociais não é o castigo; é o amor e a lembrança de sua verdadeira identidade. Quando reconhecemos nossa própria canção já não temos desejos nem necessidade de prejudicar ninguém. Os amigos conhecem a sua canção e a cantam quando a esqueces. Aqueles que te amam não podem ser enganados pelos seus erros ou pelas imagens escuras que mostras aos demais. Os amigos recordam sua beleza quando te sentes feio; sua totalidade quando estás quebrado; sua inocência quando te sentes culpado e seu propósito quando estás confuso.
A sua música pode ser Tocata e Fuga, de Bach, a belíssima Missa da Coroação, peça de Mozart; de Heitor Villa-Lobos ao repertório de Artur Piazzolla, como visto, transmitido com amor e paixão no concerto em homenagem aos 90 anos do músico argentino semana passada, no Cine Teatro.
Parte da beleza da música dos pássaros deve-se a sua brevidade. O som não deixa evidência para trás. É efêmero!

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