A Arrogância de Davos & A Ameaça da economia verde em Porto Alegre

O Fórum Econômico Mundial é uma organização internacional independente, comprometida em melhorar o estado econômico e social do mundo através do engajamento de empresários, políticos, acadêmicos e outros líderes da sociedade mundial para definir a agenda global, regional e industrial.
O Fórum é promovido por uma fundação suíça com status de consultora das Nações Unidas.  O Fórum Mundial Econômico tem seu encontro anual em Davos, na Suíça, onde as várias partes interessadas, incluindo os empresários e líderes políticos se reúnem para discutir questões globais.
Este ano, o fórum discutiu como o mundo lida com o abrandamento das atividades econômicas e a Europa em particular, que está enfrentando uma grave crise.
O Fórum é composto por debates de diversos assuntos. Entre os econômicos, destacam-se o impacto da globalização em mercados emergentes, a regulamentação dos mercados financeiros e as novas tecnologias. Tudo começou quando em 1971, o professor da Universidade de Genebra, Klaus Schwab reuniu líderes empresariais europeus numa estância de esqui para uma discussão sobre as práticas de gestão global americana. O conceito era reunir os principais atores do mundo dos negócios, universidades,artes e política para discutir as principais questões que afligia o mundo naquele momento.
Pois bem, aqui no Brasil, em Porto Alegre, aconteceu na mesma data o Fórum Social Mundial, promovido por entidades ligadas ao pensamento de esquerda, idealizada a partir dos protestos contra a globalização e organismos financeiros internacionais dos últimos anos.
“Outro mundo é possível” é o lema do Fórum Social Mundial, ou Fórum Social Temático, que aconteceu como uma comunhão do ideal coletivo por uma sociedade mais justa.
 O processo sócio-econômico chamado de globalização com suas consequências para a coletividade humana será o tema central dos debates, oficinas e  inúmeros encontros que acontecem ao mesmo tempo durante o Fórum.
O Fórum Social Mundial ao concluir seus trabalhos, focou na preparação de uma ação   que pretende erguer a voz contra a Conferência da ONU  sobre Desenvolvimento Sustentável – Rio+20, em junho no Rio de janeiro. Os organizadores do Fórum convocaram um grande protesto global contra ‘ o capitalismo e a economia verde’, para o dia 5 de junho próximo.

 Os dois Fóruns correm paralelos mas há um caminho longo entre Porto Alegre e Davos, em todos os sentidos, literalmente. O Fórum Econômico Mundial tem talento especial para atrair manchete nos jornais, devido a presença de astros da música e do cinema, além de belas ativistas que tiram as roupas para protestar. Ninguém acredita que os líderes inteligentes em Davos encontrarão a solução para os problemas mundias e nem tampouco crêem que a solução venha das discussões em Porto Alegre. Mas segundo comentários de vários articulistas internacionais, o Fórum Social Mundial é um meio para esvaziar o comportamento arrogante dos homens de Davos.  Os dois fóruns possuem agendas distintas; veja:

Fórum Social Mundial
Produção de riqueza e reprodução social;
A sociedade civil e a esfera pública;
O acesso à riqueza e sustentabilidade;
O poder político e ética na nova sociedade;
Como pode a sociedade civil ter acesso aos processos de tomada de decisão?
Desigualdades e as novas tecnologias da informação;
A responsabilidade social do setor privado e tributação dos fluxos financeiros;

Um outro mundo é possível?

 

Fórum Econômico Mundial
Preparando-se à reação contra a globalização;
Empresas e organizações não-governamentais;
A tecnologia pode aliviar a pobreza?
A empresa e o público;
Como  a globalização pode entregar a mercadoria?
Aproveitando a oportunidade digital global;
A forma de corporação no século 21;
A evolução e os benefícios da globalização econômica.

Ironicamente foi justamente a globalização, e como transformá-lo em um projeto lucrativo, que constituíu o centro da discussão em Davos. Mas os debates sobre a democracia e seus problemas estava pautado para Porto Alegre. Ou    inverteram os temas ou as pessoas estavam nos fóruns errados. O padrão atual de globalização não é apenas a exclusão digital, é mais democracia para o desenvolvimento e o Fórum Social Mundial abordou precisamente esta dimensão sócio-política inevitável do desenvolvimento.  Daí o papel central da sociedade civil na possibilidade de mudar a mente dos poucos que governam o mundo. Os movimentos populares terão de unir os novos movimentos sociais, as ONGs ambientais e de desenvolvimento, associações de direitos humanos, ativistas pela paz, alianças de combate à pobreza com os movimentos mais antigos, especialmente porque não é apenas a sociedade civil que se torna importante no processo de governança global, mas a sociedade civil global. 

No Fórum Social Temático, ligado ao processo do Fórum Social Mundial,  organizado por movimentos sociais, os governos participam como convidados. A presidente Dilma Rousseff,  preferiu Porto Alegre a  Davos e o Brasil foi representado no Fórum Econômico Mundial por alguns de seus ministros brasileiros.

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