A Diferença entre ser mãe na Noruega e no Afeganistão

Quase todas as estatísticas vão muito além de meros números. Neste caso que apresento aqui, o desespero humano, a esperança perdida mostra que às mães devem ser dadas as oportunidades que necessitam para quebrar o ciclo da pobreza e melhorar a vida para si e seus filhos. Todos os anos cerca de 343 mil mulheres morrem durante a gravidez ou durante o parto.
A organização internacional Save the Children publicou o décimo segundo relatório anual sobre as mães do mundo. A pesquisa traz à luz a disparidade entre os tratamentos recebidos pelas mães nos mais diversos países e abre-se corajosamente para o entendimento de que uma mulher entenderia e cuidaria melhor de outra mulher. Relata a falta de profissionais de saúde no mundo em desenvolvimento e na necessidade de mais profissionais do sexo feminino para salvar a vida das mães e dos bebês, porque 50 milhões de mulheres no mundo em desenvolvimento, dão à luz sem ajuda de nenhum profissional. Porém apenas o acesso à educação à mulheres jovens criaria oportunidade de sobreviver, criar os filhos e prosperar. .
Eis a lista dos 10 melhores lugares do mundo para ser mãe: Noruega, Austrália e Islândia, Suécia, Dinamarca, Nova Zelândia, Finlândia, Bélgica, Holanda e França.
Os 10 piores países são: República Centro-Africana, Sudão, Mali, Eritreia, República Democrática do Congo, Chade, Iêmen, Guiné-Bissau, Nigéria e Afeganistão. Os Estados Unidos classificado, segundo a pesquisa no ranking geral em 31º lugar e o Brasil em 58º.
Num quadro comparativo pode-se ver o alarmante fosso que separa as mães norueguesas das mães afegãs ou etíopes. Na Noruega 100 por cento dos partos são assistidos por profissionais de saúde qualificados, no Afeganistão, menos de 15 por cento, na Etiópia, nem 6 por cento. Na Nigéria, o risco de uma mulher morrer por causa da gravidez ou causa relacionada ao parto é de 1 em 7. Na Itália o risco de morte materna é menos de 1 em 25.000 mulheres. Os números não soam frios, porque a indignação corre as veias. Lembra quando linhas acima citamos a educação? Pois bem, uma mulher no Afeganistão, Angola, Chade e Guiné-Bissau recebe menos de cinco anos de educação formal,enquanto na Austrália e Nova Zelândia, a mulher permanece na escola por mais de 20 anos.
São investimentos rentáveis, que salvam vidas, que deveriam ser prioridade para os líderes políticos do mundo todo.
No Brasil, que ocupa a 58ª posição no ranking, cerca de 51 por cento das mulheres são mães que admitem que não conseguem equilibrar bem o tempo entre o trabalho e os filhos e por isso sentem-se culpadas. No tempo que passam em casa, cuidam dos filhos, escutam suas histórias e os orientam. São mães com tantos rótulos, agrupadas de tantas formas distintas, classe A/B, C/D, mães solteiras, mães adotivas ou simplesmente mães, que revelam o que todos sabemos; a maternidade transforma a vida da mulher, apesar do trabalho, da preocupação constante, da omissão dos companheiros.
No Brasil e na América Latina convive-se com o risco premente da gravidez precoce, são meninas de 15 a 19 anos, geralmente solteiras, que incham as estatísticas de histórias tristes. Muitas tornam-se mães porque foram abusadas.
A diretora executiva da ONU Mulheres, ex-presidente do Chile, a médica Michelle Bachelet, defendeu recentemente uma abertura e favorecimento para maior participação das mulheres nas discussões políticas no Brasil e no mundo. Segundo Bachelet apenas 19 por cento dos parlamentares do mundo são mulheres, quase todas mães e não há democracia, não há desenvolvimento sem um olhar mais carinhoso para as mulheres.

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