Não tenhamos medo de sermos inadequados

Há momentos na história em que pessoas de todo o mundo precisam levantar-se para dizer que algo está errado e pedir mudança. Em muitos países houve revolta por causa do desemprego, distribuição de renda, falta de liberdade e desigualdade social, gerando um sentimento de que o sistema político é injusto e está descontrolado. A era moderna da globalização, que tantas mazelas expôs, também desempenhou um papel, ajudando na propagação de idéias além das fronteiras. A juventude ao redor do mundo começou a acordar e acender faíscas de indignação aqui e acolá. É um acalento à alma constatar que houve um despertar, mas temos que tomar o tempo para refletir com mais profundidade sobre os representantes que queremos.
Eu estou certa de que novos horizontes surgirão com tomada de decisão corajosa, com ousadia para mudar e quebrar elos poderosos. Ninguém, nenhuma autoridade, nenhuma organização ou qualquer coisa que percebemos como poderoso em nossa realidade pode, eventualmente, vencer á disposição de mudar quando os cidadãos percebem que algo está errado, quando são invadidos por um sentimento de que estão sendo ignorados. Nós, brasileiro temos a oportunidade de chamar atenção para a mudança através do processo democrático de eleições livres.
Ao longo do tempo as desigualdades aumentam e no dia-a-dia as mudanças não são percebidas, as chances de melhoria de vida são afetadas pela má distribuição de renda e pelo descaso, que distraidamente foi virando bolsa disso, bolsa daquilo…Mas e o amanhã? Ao pensar no amanhã troque o seu voto por um futuro digno, com possibilidade de produzir, de estudar, de ser tratado com humanidade quando cair doente. Esse mundo é possível se você não perder sua bússola moral.
De você depende o futuro e não do sistema político. Porque o sistema não conseguiu impedir que as crises políticas e econômicas se instalassem, não conseguiu resolver as crises, ele não conseguiu amenizar as desigualdades, falhou em proteger aqueles que são mais fracos, e não conseguiu impedir o crescimento abusivo das grandes corporações. Os políticos ouvem você sobretudo através do seu voto, pois ele determina o rumo que você escolhe, ele pode amplificar a sua voz ou simplesmente deixar enriquecer os ricos à custa do resto da sociedade.
Em um trecho do discurso de posse, no ano de 1994, Nelson Mandela dirigiu-se ao povo sul-africano pedindo-os que não tivessem medo de expressar o seu poder. Disse ele: “Nosso medo mais profundo não é o de sermos inadequados. Nosso medo mais profundo é que somos poderosos demais. É a nossa luz, não a escuridão, que nos assusta mais. Nós nos perguntamos: ‘Quem sou eu para ser brilhante, maravilhoso, talentoso e famoso? Na verdade, por que você não seria? Você é um filho de Deus. Representar um papel pequeno não serve ao mundo. Não há nada de iluminado em se encolher, para que as pessoas não se sintam inseguras ao seu redor.”

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