Vendedores de ilusão

Os políticos são sempre os mesmos em toda parte. Eles prometem fazer pontes até mesmo onde não há rios, teria dito o líder político russo Nikita Kruschev.

Aprender a falar “não” é um dos maiores desafios enfrentados pelos políticos, que acabam super-comprometidos com programas impossíveis de se realizar quando se elegem. Tentar ser a esperança e a redenção para todo mundo não é eficaz tampouco sincero. É preciso saber quando dizer não. É bom manter o foco mais estreito e as metas dentro de um estado de controle que o candidato possa segurar pessoalmente. Deveria ser regra básica não fazer promessas ao vento. Li uma pesquisa que analisou o grau de sinceridade dos discursos de candidatos americanos e para surpresa, o resultado foi que os discursos dos candidatos lá são tipicamente sinceros.
Aqui, faz-se outra leitura. Os candidatos devem dizer não quando houver solicitações que são inconstitucionais ou que sejam de responsabilidade de outro nível de poder. A outra opção é contratar pessoas qualificadas que entendam os processos eleitorais e suas nuances, que estejam afinadas com a realidade da cidade e que tenham uma visão humana da condição de vida dos cidadãos. Além disso, o candidato pode perguntar a si mesmo o que, como cidadão gostaria que fosse feito antes de galantear-se como candidato.
Não ignorar as críticas,tampouco colocar-se acima delas, acreditar em si mesmo, no projeto político que empunha e manter-se firme no jogo são recomendações básicas para manter o equilíbrio nos dias que você sentir vontade de jogar a toalha. Mas, para ser bem sucedido, é preciso também de sorte, manter a fé e sobretudo ter bom discurso, que ataque os problemas de frente e que seja específico e claro. Embora os candidatos prefiram fazer afirmações positivas sobre seus próprios planos, interesses e atividades, alguns ainda perdem tempo criticando os programas do adversário. Estranho não? Com tanta coisa para fazer por que ater-se a ler o programa do outro? Isto sugere que quando os candidatos perdem o tempo de propaganda, já escasso para atacar seus oponentes, esse comportamento enfraquece o valor da campanha.
Segundo a pesquisa, os jornalistas e analistas políticos afirmam que frequentemente os discursos inflamados servem apenas para influenciar eleitores desavisados e vulneráveis e tem pouca ligação com o que realmente pretendem fazer os candidatos depois de eleitos. Até porque, depois de eleito, o candidato não governa sozinho. Depende de aprovação de outros poderes para legislar. E os candidatos (todos) sabem muito bem disso e se insistem em transitar entre a linha das promessas vãs e do desrespeito aos eleitores só revela que o candidato é essencialmente um vendedor de ilusões e que dirá qualquer coisa para conseguir o seu voto.
Será que nós sinceramente esperamos que eles façam tudo o que prometem durante a campanha? Afinal, as circunstâncias estão sempre mudando. Uma vez eleitos os políticos têm de se ajustar a situações diferentes em conformidade com o cargo. Contudo, alguns serão bons, outros ruins e nenhum será perfeito.
Estejamos atentos. Promessa de campanha não é sinal significativo das intenções dos candidatos. Há por aí grandes exemplos de pessoas cujos egos estão fora do equilíbrio. Eu vou procurar candidatos encorajados a pensar também com o coração.

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