O que macula nossa independência

O mundo está mudando constantemente e a lista que li esta semana nomina 192 países como sendo independentes, contudo ao longo da matéria vê-se que esse número não é fechado e pode ser bem maior, de acordo com a variação de critérios adotados pela ONU.
Esse ano, em 7 de setembro, o Brasil, maior país da América Latina comemora 190 anos de independência, ultrapassando a marca de 190 milhões de habitantes. O Palácio do Planalto comemora a data com o slogan: “7 de Setembro – Brasil, um país de oportunidades”. Um país que gaba-se da solidez econômica e da maturidade política alcançada, um país que vem combatendo a miséria e o trabalho infantil com seriedade, mas que nos dias de hoje registra índices medievais de violência.
O Brasil, da monarquia a república enfrentou golpes duros. Teve que pagar, em espécie para livrar-se do domínio português. A Inglaterra, que intercedeu junto a Portugal para que este aceitasse a independência do Brasil, pediu em troca que o Brasil pagasse a dívida de Portugal junto a Coroa Britânica. Foram 67 anos de império e agora 123 anos de república, entrecortados por revoltas, golpe militar e instalação da terrível ditadura, que silenciou o povo brasileiro por 21 anos e abriu um flanco na pretensiosa estabilidade política brasileira. Em 1985 foram restabelecidos os direitos civis, tais como, liberdade de imprensa, liberdade de expressão e o voto.
O Brasil está entre as mais influentes democracias globais, é o oitavo colocado entre os dez países considerados melhores para se viver e trabalhar no mundo, segundo pesquisa da Brookfield Global Relocation Services. Em 2010, três por cento das empresas globais escolheram o Brasil como um local ideal para se instalar, apesar do país estar ainda tentando romper a barreira do estranhamento com seus próprios vizinhos sul-americanos, com os quais tem dificuldades nas relações comerciais.
Às vezes esse país parece enigmático até para os brasileiros. Belos edifícios na orla marítima de um lado, favelas do outro, terras ricas, povo pobre. São os dois brasis, identificados por Euclides da Cunha que se encavalam um no outro até hoje. São tantos contrastes; de vegetação, de raças, de etnias, costumes, linguajar, que fomos permitindo um sincretismo religioso máximo, algo típico do Brasil, que mescla catolicismo, com seitas evangélicas, xamanismo indígena, crenças africanas, religiões orientais.
Mas cá estamos nós, entufados e devaneadores, olhando para o futuro com olhar enamorado. Vejo o verde e amarelo refletido nos estádios do mundo afora, nos fóruns econômicos mundiais, nas conferências das Nações Unidas, na proposta de equilibrar o desenvolvimento sustentável. Estamos portanto, avançando em muitas frentes. Como brasileira quero agora ver com esse mesmo olhar enamorado, os benefícios práticos do desenvolvimento chegando ao cidadão, quero sentir-me protegida dentro ou fora de casa. Eu sei que todos nós compartilhamos esse interesse pela promoção da paz e segurança. Mas como vamos debelar a mente violenta do homem que sai a noite para caçar? A resposta é uma só: Dando as crianças e aos jovens escolas de qualidade. 3,7 milhões de crianças e adolescentes estão fora das escolas.Talvez seja esse o item que macula nossa independência. Por que não se coloca um foco particular na educação?

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