Não traia a sua geração

Há vários candidatos jovens nas eleições atuais. Eles esbanjam beleza, energia, anunciam novos rumos, mas será que são realmente jovens de espírito assim como o são de aparência? Os rostos jovens se mostram inquietos, devem ouvir rock progressivo, se expor nas redes sociais. Mas por que querem ser políticos?
Aos jovens dá-se o crédito de serem arrojados, ousados, menos conformistas com a realidade. Despendem energia tentando mudar o rumo das coisas, tomam decisões que contrariam até pai e mãe. Imagina os correligionários!
O ex presidente e sociólogo Fernando Henrique Cardoso escreveu um livro para orientar os jovens que queiram lançar-se na vida pública. Diz ele que “ a política é importante demais para ser deixada apenas para os políticos”.
A política é uma atividade complicada e quem participa dela sem o conhecimento adequado corre sério risco de ser enganado. É preciso entender seu funcionamento.
A política é uma jogada de risco. Só carinha bonita não ganha eleição. È preciso ir as ruas e convencer o povo que você pensa neles, que você pode ajudá-los a encontrar soluções para um monte de problemas.
Mas não seja político porque papai o é, porque vovô o foi. Apresente-se se tiver perfil, capacidade de andar em compasso com a realidade, se tiver vontade de ajudar a comunidade, de inspirar, de ser exemplo. Não seja político se você acredita que pode viver apenas do espólio dos votos obtidos no passado por gente de sua família.
Seja você no seu tempo.
Arrisque-se a acertar, errar e perder. Transmita suas opiniões claramente. Não, você não deve parodiar ninguém, não deve entrar em retóricas com palavras de efeito para atrair puxadores de palma.
Nosso país tem muitos problemas. Mas você que quer ser político deve conhece-los bem, deve ter certa facilidade para enxergar a solução e saída para as crises. Do político não espera-se uma visão genérica do caos. Trabalhe com fatos, com dados. Há progresso, desenvolvimento e avanços por toda parte. Critique o que tiver que criticar com honestidade.
Não enfrente a imprensa, respeite-a. As campanhas estão direcionadas à televisão. Olhe para a câmera e dia logo o que você vai fazer, prometa um caminho novo, inspire as pessoas a te seguirem.
Mas não minta. Vereadores são podem aumentar o número de empregos. Você entende um pouco de economia de mercado, sabe o que está acontecendo no mundo globalizado, não? Pois é, é a economia que regula o mercado. Não invente fórmulas mirabolantes!

O vice-presidente da República, Michel Temer ao escrever sobre o jovem e a política disse acreditar que o jovem é o esteio da transformação política brasileira, que precisa receber exigênio novo e plantar novas sementes. E as sementes são os jovens.
Talvez seja a hora de olhar com mais atenção para o papel do jovem na sociedade.
O poder político inegavelmente dá visibilidade e abre portas. Mas o poder político exercido com seriedade tolhe, exige abnegação e expõe.
Eleito? Pronto! Agora você é pago com dinheiro público para trabalhar pelo bem da população. Seu papel muda e não adianta ficar reclamando das adversidades, da crise, do corte disso ou daquilo, você garantiu que seria uma alternativa boa, acreditaram em você. Mostre serviço!

O que macula nossa independência

O mundo está mudando constantemente e a lista que li esta semana nomina 192 países como sendo independentes, contudo ao longo da matéria vê-se que esse número não é fechado e pode ser bem maior, de acordo com a variação de critérios adotados pela ONU.
Esse ano, em 7 de setembro, o Brasil, maior país da América Latina comemora 190 anos de independência, ultrapassando a marca de 190 milhões de habitantes. O Palácio do Planalto comemora a data com o slogan: “7 de Setembro – Brasil, um país de oportunidades”. Um país que gaba-se da solidez econômica e da maturidade política alcançada, um país que vem combatendo a miséria e o trabalho infantil com seriedade, mas que nos dias de hoje registra índices medievais de violência.
O Brasil, da monarquia a república enfrentou golpes duros. Teve que pagar, em espécie para livrar-se do domínio português. A Inglaterra, que intercedeu junto a Portugal para que este aceitasse a independência do Brasil, pediu em troca que o Brasil pagasse a dívida de Portugal junto a Coroa Britânica. Foram 67 anos de império e agora 123 anos de república, entrecortados por revoltas, golpe militar e instalação da terrível ditadura, que silenciou o povo brasileiro por 21 anos e abriu um flanco na pretensiosa estabilidade política brasileira. Em 1985 foram restabelecidos os direitos civis, tais como, liberdade de imprensa, liberdade de expressão e o voto.
O Brasil está entre as mais influentes democracias globais, é o oitavo colocado entre os dez países considerados melhores para se viver e trabalhar no mundo, segundo pesquisa da Brookfield Global Relocation Services. Em 2010, três por cento das empresas globais escolheram o Brasil como um local ideal para se instalar, apesar do país estar ainda tentando romper a barreira do estranhamento com seus próprios vizinhos sul-americanos, com os quais tem dificuldades nas relações comerciais.
Às vezes esse país parece enigmático até para os brasileiros. Belos edifícios na orla marítima de um lado, favelas do outro, terras ricas, povo pobre. São os dois brasis, identificados por Euclides da Cunha que se encavalam um no outro até hoje. São tantos contrastes; de vegetação, de raças, de etnias, costumes, linguajar, que fomos permitindo um sincretismo religioso máximo, algo típico do Brasil, que mescla catolicismo, com seitas evangélicas, xamanismo indígena, crenças africanas, religiões orientais.
Mas cá estamos nós, entufados e devaneadores, olhando para o futuro com olhar enamorado. Vejo o verde e amarelo refletido nos estádios do mundo afora, nos fóruns econômicos mundiais, nas conferências das Nações Unidas, na proposta de equilibrar o desenvolvimento sustentável. Estamos portanto, avançando em muitas frentes. Como brasileira quero agora ver com esse mesmo olhar enamorado, os benefícios práticos do desenvolvimento chegando ao cidadão, quero sentir-me protegida dentro ou fora de casa. Eu sei que todos nós compartilhamos esse interesse pela promoção da paz e segurança. Mas como vamos debelar a mente violenta do homem que sai a noite para caçar? A resposta é uma só: Dando as crianças e aos jovens escolas de qualidade. 3,7 milhões de crianças e adolescentes estão fora das escolas.Talvez seja esse o item que macula nossa independência. Por que não se coloca um foco particular na educação?