É hora de fazer um reboot no cérebro e na alma I

O Vale do Silício é uma região da Califórnia, Estados Unidos, onde concentra inúmeras empresas de tecnologia da informação e computação. Desde os anos 50, o polo tem o objetivo de gerar e fomentar inovações no campo científico e tecnológico. O nome Silício é homenagem ao próprio elemento químico (Si), que é a matéria-prima básica na produção dos circuitos e chips eletrônicos.
Não só parece, mas é de fato um grande paradoxo, que os empresários, executivos e trabalhadores do Vale estão agora promovendo uma conferência anual denominada “wisdom 2.0”, onde o tema recai sobre a necessidade de encontrar um equilíbrio no uso das tecnologias da era digital. Pregam inclusive, a necessidade de um momento de desligamento total de toda a parafernália que nos conecta. Reunidos estavam executivos do Facebook,Google, Twitter, payPal, e-Bay, Zynga, Juniper, os que mais do que outros, exaltam os benefícios extraordinários dos computadores e smartphones, porém eles foram categóricos: é necessário desligar tudo de vez em quando.
Esse fato causa estranheza vindo de um lugar onde a tecnologia é vista como uma resposta toda-poderosa a tudo. As empresas, preocupadas com o equilíbrio de seus funcionários, estão adotando formas de treinamento da mente para ajudar a encontrar o equilíbrio trabalho-vida, reduzir o estresse e promover certa felicidade no local de trabalho.
A preocupação expressa na conferência e nas entrevistas com os altos executivos das empresas de tecnologia, é que a atração de estímulo constante e a demanda generalizada de atualizações está criando um profundo desejo físico que pode prejudicar a interação entre as pessoas. As pessoas precisam estar atentas ao efeito que o tempo on-line tem sobre o desempenho de seus relacionamentos reais.
Certamente ouvir isso de líderes de empresas influentes do Vale do Silício, que lucram com o tempo que as pessoas ficam on-line, pode soar contraditório, mas passada a fase de lua de mel, eles estão se perguntando: “o que virá agora? ‘”, diz Soren Gordhamer, que organiza a “Wisdom2.0 – Sabedoria 2.0”. Eles não assumem culpas, mas advertem que é preciso dosar, equilibrar e mesmo virar a página.
Em uma das sessões, os executivos debateram se as empresas de tecnologia têm a responsabilidade de considerar o seu poder coletivo de atrair os consumidores para jogos viciantes e foram alertados que o Manual do Diagnóstico e Estatística de Transtornos Mentais, planeja para o próximo ano incluir o transtorno de uso de Internet em seu apêndice, embora isso requeira um estudo mais aprofundado para ser considerado um condição oficial de transtorno mental. É evidente a poderosa atração que os dispositivos refletem nos humanos para se conectar e interagir, mas que esses desejos precisam ser geridos de modo que eles não sobrecarreguem o modo de vida dos usuários.
Òbviamente tudo está sendo feito com os olhos bem abertos e supor que seja possível esse desenvolvimento todo sem causar nenhum dano, seria no mínimo, ingênuo. Essa preocupação em buscar o equilíbrio no uso das tecnologias vai seguramente contra o modelo de negócios lucrativos que os executivos idealizaram para seduzir e induzir as pessoas a passarem mais tempo on-line. O desafio é dosar isso agora.

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