História de Pajé Tamoin

“Eu e mais três parentes saímos para pescar. Eu tinha de dar peixes para os tocadores de minha flauta jacuí. Saímos cedo da aldeia. Quando chegamos ao rio, o sol já estava alto. Subiram até o foz do Kurisevo. De repente começaram a ouvir barulho de remo na borda da canoa. Olharam para o lado de onde vinha o barulho e avistaram uma canoa comprida, cheia de homens, umas oito pessoas, enfeitadas de penas na cabeça e nos braços, igual a que eles usavam.

Os remadores não olhavam para os lados, só para a frente. As canoas quase emparelhadas, mas eles só olhavam para frente, corpos fixos, só os braços se movimentavam com os remos. Um sinal claro, que não os via. Tentando explicar o inexplicável, o velho Tamoin conjecturou: – Não sei se eles existem. Mas nós os vimos, mas eles não nos viram. Gente ou visão? E não fomos só nós, muitos outros dos nossos viram também”.

A Arte dos Pajés, Orlando Villas Bôas

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