Driblar as crises ou aprender com elas?

Baseado em fatos e números o mundo está se tornando menos desigual. A maioria das pessoas hoje vive mais do que seus pais, são mais bem nutridas, gozam de melhor saúde, são melhor educadas, e tem perspectivas econômicas mais favoráveis. Contudo, há também muitas coisas a lamentar e corrigir, como a pobreza sem fim e a desigualdade marcante que ainda persiste, mesmo em meio a riqueza de tantos. Doenças antigas e novas nos ameaçam, as práticas sustentáveis de vida, das quais nossa espécie depende para sua sobrevivência, estão sendo gravemente perturbadas pelas nossas próprias atividades cotidianas.
As grandes disparidades permanecem dentro de todos os países, a desigualdade tende a aumentar, embora a maioria dos países em desenvolvimento tenham melhorado substancialmente seus índices de ascensão no patamar social. O Brasil é citado como um dos países que teve grande avanço na área, juntamente com a China, Índia, Indonésia, África do Sul e Turquia.
No entanto, o Brasil ainda é o lar de muitos pobres do mundo. Sem investimento em pessoas, o retorno para as tentativas de melhorar o índice de desenvolvimento humano tende a ser limitado. O sucesso, quando medido, é mais provável que seja o resultado de mera integração com a economia e não acompanhado por investimento em pessoas, instituições de educação, saúde, proteção social, capacitação e tudo mais que possa permitir que as pessoas pobres participem efetivamente do crescimento do país. A importância da justiça e da igualdade de oportunidades, os direitos humanos, a democracia vai muito além da medição do progresso, na forma de renda.
Os protestos, especialmente por pessoas educadas, tendem a entrar em erupção, quando estas se sentem excluídas da influência política e quando as perspectivas econômicas são sombrias e reduzem as oportunidades. Ao se engajarem em tais protestos, cobram pelo menos uma política de inovação social. A história está repleta de revoltas populares contra governos que não ouvem e não respondem. Essas revoltas, despertam a desconfiança e podem inviabilizar o desenvolvimento e o crescimento econômico. Os pobres lutam para expressar suas preocupações, e os governos nem sempre asseguram que os serviços cheguem onde eles estão. A igualdade de tratamento é fundamental para a estabilidade política e social e mesmo que nem todos esses serviços sejam fornecidos pelo poder publico, os cidadãos precisam ter acesso seguro às formas de proporcionar o seu desenvolvimento.
As pessoas devem ser capazes de influenciar a formulação de políticas públicas e cobrar resultados, os jovens em particular, devem ser capazes de olhar para a frente, para as oportunidades e ampliarem a participação na política. É difícil prever quando a sociedade vai chegar a um ponto de inflexão. As revoltas ocorridas são lembrete de que as pessoas, especialmente os jovens, colocam grande expectativa na possibilidade de conseguir um bom emprego, querem ser ouvidos nos assuntos que influenciam suas vidas e mais, querem ser tratados com respeito.

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