Nostalgia – um compromisso com o passado

O que cai no passado vai tornando-se distante e estranho. Houve um tempo em que a nostalgia era considerada uma doença mental. Parece incrível, mas a saudade de um tempo, cujos sintomas podem ser desde crises de choro, batimento cardíaco irregular, falta de apetite, dificuldade de concentração, era atribuída aos demônios que habitavam nossos cérebros.
Embora a nostalgia seja hoje considerada apenas uma experiência emocional benéfica, cerca de 80% das pessoas do planeta sentem-se nostálgicas pelo menos uma vez por semana. Há razão para pensar que a nostalgia manifesta-se de forma ruim, que tem componentes negativos, porque é muitas vezes vivenciada como uma perda ou saudade de um bom momento que não volta. Longe de ser vista como uma doença da mente, os psicólogos modernos veem a nostalgia como um antídoto ao tédio, pois a saudade comprovadamente pode dar significado a vida. A nostalgia combate solidão. Como somos seres sociais, quando nostálgicos nos lembramos de nossas conexões com os outros. Isso reabre possibilidades de novo contato.
Admito que sou quase sempre nostálgica. A nostalgia me parece um recurso mental valioso para reabilitar certos caminhos por onde já andei. Não precisa haver o sentimento que o mundo era melhor e mais culto, que as músicas tinham letras e melodias melhores. Não, não é saudade que eu sinto do passado, é um compromisso contínuo que tenho com ele.
Reminiscência nostálgica pode ajudar a manter esse sentido de continuidade, apesar do fluxo constante de mudança que enfrentamos ao longo da vida. É reconfortante perceber o quão rica nossas vidas têm sido, quanta alegria, trabalho, sucesso e emoção temos vivido. Quando estamos tristes ou desanimados, pode ser edificante lembrar que ainda somos a pessoa que foi muito feliz, forte e produtivo no passado.
A música é especialmente evocativa de emoção. As letras nostálgicas também capturam memórias felizes e a exuberância da juventude. O tom emocional de uma música pode envolver o ouvinte em uma reflexão sobre quem ele era antes e como ele chegou ao seu eu presente.
De toda forma, olhar para trás não faz mal a ninguém. Os jovens estão nostálgicos também. A própria realidade vai sendo fundamentalmente alterada por um mundo altamente midiatizado e neste admirável mundo novo, podemos apertar uma tecla e correlacionar nossas lembranças pessoais com o que estava acontecendo naquele dia, na mesma hora em qualquer parte do mundo. Nossas lembranças estão armazenadas em discos rígidos, nossas fotos de viagens, das pessoas que conhecemos estão seguras em arquivos nas nuvens, mas eu vou tentar salvá-las também na minha mente e no meu coração.

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