Emoções como herança

A chuva cai sobre o justo
E também sobre o sujeito injusto;
Mas principalmente sobre o justo,
Porque o injusto tem o guarda-chuva do justo.

É pelos atos que praticamos nas relações com os homens, que nos tornamos justos ou injustos. Para florescer no que viemos aqui para ser, é importante simplificar a vida. No estudo sobre a evolução da mente, Geertz já dizia que a criança sente o amor na sua pele, antes de senti-lo no seu coração; aprende a contar pelos dedos antes de contar na cabeça. As ideias, mas sobretudo as emoções são as heranças que devemos deixar.

Não podemos nos envolver com uma ordem genérica de educação. Temos que manter nossa forma particular de olhar a vida, de construir a rotina, de construir o mundo. A vida cotidiana, com a família em volta deve valorizar produções culturais, concepções simbólicas, os valores éticos.
Não há como reinventar. A vida é construída nos pilares basilares do prazer, da verdade, do amor, conhecimento e valores. Sim, somos seres muitos emocionais e ao educar transferimos sentimentos impulsivos e ensinamos exercícios tortuosos que remetem a vencer, a superar; mas é absolutamente preciso controlar os estímulos do medo, da raiva, do se sobrepor a qualquer preço, para impedir o sofrimento causado pela instabilidade afetiva. Não motivar as crianças pelo medo, pois que o medo opera afastando-os do amor.

O problema do sofrimento recai sempre na questão do merecimento. Embora nem sempre, mas quase sempre, o sofrimento é considerado cruel e também não merecido pelo sofredor. Nem sempre somos capazes de colocar nossas emoções indisciplinadas em ordem e nem sempre nossos julgamentos morais são isentos, principalmente se são afetados os nossos filhos.
Nosso modo de vida moderno está cheio de desculpas, nossas agendas cheias de compromissos, nossas cabeças cheias de medo. E o quem inspirado nossas crianças?

Padronizar a educação das crianças é o mesmo que destrui-las. Mante-las em atividades desde que se levantam até a hora que eles vão dormir, é roubar-lhes a oportunidade de experimentar o silêncio, o sossego, a preguiça boa. Ao estudar a interpretação das culturas, as formas e sentimentos, é bastante aplicável que para desenvolver normalmente a criança não pode ter seu tempo estruturado de forma mecânica e nem deve sentir pesado em si a influência e a expectativa dos pais. Agir com calma e deixar experimentar provoca respostas igualmente positivas.
Criar filhos para serem indivíduos misericordiosos, responsáveis e justos não é tarefa fácil!

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