Quando ações e palavras não se alinham

Mahatma Gandhi escreveu que a verdadeira moralidade não consiste em seguir uma trilha batida, mas em encontrar o verdadeiro caminho para nós mesmos, e sem medo segui-lo. Você nunca muda as coisas lutando contra a realidade existente.  Para encontrar novos caminhos devemos ir além do mero cumprimento das obrigações. Afinal de contas ter boas intenções e não colocá-las em prática é apenas desperdício de energia. Muitas vezes eu vi pessoas desviarem-se das críticas sobre sua conduta, fazendo falsa alegações sobre suas intenções.  Chega uma hora em que causa aborrecimento ouvir: “Eu quis fazer o mal”, “Nunca foi minha intenção”, “Eu não sou racista”, “Eu não sou homofóbico.”

Praticamos o que somos na essência. Traídos às vezes pela linguagem corporal, nossas palavras revelam o que pensamos. Devemos então, convergir conversa e coração para o mesmo rumo. É importante ter senso de compromisso, pensar no que se fala, no que se faz. As palavras não podem ir por um lado e as atitudes por outro. Vez ou outra é bom refletir, avaliar o impacto que nossas palavras e ações causam na vida das pessoas com quem convivemos. Quando digo algo que fere alguém, não importa muito se eu pretendia dizer outra coisa, se me expressei mal. Já causei dor. Lidar com a forma como compreendemos os que nos rodeiam, com suas experiências, seus privilégios, tempo de decisão é uma lição profunda de justiça e respeito.

As nossas palavras devem pertencer à ordem das coisas sérias, embora quando, sem profundidade, pareçam coisas da ordem do efêmero. Dizem que uma imagem vale por mil palavras, mas sem receio de entrar em polêmica, diria que quase tudo o que vemos precisa de palavras para ser verdadeiramente compreendido. Nossas intenções não, elas precisam ser materializadas. As palavras constroem diálogos importantes, suscitam debates, curam, são gritos ou instrumentos efetivos para construir e reconstruir vidas e projetos, porém palavras e ações devem cumprir o mesmo fim, sem fronteiras artificiais a separá-las.

Penso evidentemente igual em relação à política. As palavras não estão aí para promover ideações sem a menor possibilidade de concretizarem-se. O ideal político seria que os homens fossem altamente comprometidos com as idéias que defendem, que mantivessem a preocupação de vigiar suas ações, cumprir as promessas e unificar os ciclos de intenções e ações e aos eleitores; que fossem vigilantes e cobrassem destemidamente sempre que percebessem distanciamento entre uma coisa e outra.

Não disse que o homem mente quando afasta-se do que prega. Bem mais condizente seria dizer que é uma inclinação natural do ser humano acreditar na sua própria retórica.

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