Não!

“Não vou impedir a candidatura de ninguém em lugar nenhum, não vou travar o direito de nenhum postulante ser candidato sob pretexto de manter a união em torno do meu nome. Não sou candidato a Governador”, anunciou o senador Blairo Maggi em entrevista à imprensa, semana passada.

Há uma cultura em torno da qual nos sentimos pressionados a dizer sim aos apelos de amigos e dos grupos aos quais pertencemos. Mas real, é dizer sim quando há inspiração, vontade, desafios a serem vencidos; quando todo o roteiro causa certo encantamento e provocação. É isso que move os homens. É preciso estar confiante e seguro para colocar-se numa posição de negação a disputa de um pleito, visto que para muitos, isso seria a realização de um sonho alimentado há anos.

Mas devemos entender que somos todos seres humanos com funções iguais, mas com aspirações absolutamente distintas e que a exposição que o exercício do poder causa ao cidadão e família, a invasão à vida privada deve ser algo que contribui enormemente para desaquecer a tesão. Esse mapa de contrariedades, a falta de estímulo para brigar por uma posição já conhecida é compreensível. Ademais, Blairo Maggi é um senador que está na metade de um mandato eletivo. Não estará, portanto, distanciado do núcleo do poder político do Estado.

Deveríamos todos aprender a dizer “não” aos postos que não estejam alinhados com nossos ideais no momento, aos projetos que são muito mais de outros do que nossos, a uma consumação de tempo e imagem para debater algo que repetidamente temos negado. Por isso somos livres! Para exercer o direito de negar aos outros o que nos pedem. Muitos políticos parecem entrar na política para serem aplaudidos, para serem unanimidades. Mas é importante contradizer-se e ao grupo também, é importante reconhecer quando o momento não é propício, quando a vontade não é suficiente para abraçar o pleito. Jamais vai existir uma decisão política que agrade a todos. È importante fazer o que não é convencional em política: dizer não. Creio que os eleitores gostam de políticos que vão direto ao ponto.

Repetidamente dizemos sim quando nosso intimo diz “não”.  Vaidosos, temos o desejo de sermos aclamados, de sermos acolhidos e temendo rejeição e incompreensão, acabamos cedendo e nos sobrecarregando com compromissos que não validam nossa competência. Se ao contrário disso,  chamamos a decisão para nós mesmos, estamos imediatamente criando um ambiente mais harmonioso, que pode beneficiar a todos que nos rodeiam. Talvez valha aqui a máxima de que nunca devemos comprometer nossa paz, seja para nossos filhos, cônjuges ou amigos. É imprescindível estarmos motivados por impulsos vibrantes, para que nossa energia seja utilizada de forma contributiva. Outro, porém, é que quando dizemos “não”, a negação é feita num determinado momento e não há mal nenhum em mudar de opinião, contanto que seja para melhor.

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