Dores alheias

Antes de tomar para si a responsabilidade por suas vidas, muitas pessoas se jogam no papel de vítimas e culpam  outras pessoas por seus infortúnios e desgraças.  Agem assim para mostrarem-se vitimizados por circunstâncias alheias as suas vontades.

Uma alternativa mais saudável é ir além do jogo da culpa e usar o que faz  como uma ferramenta  para se mover através de obstáculos e motivar-se para tomar medidas positivas. Todos nós lidamos com pessoas que culpam os outros o tempo todo. Essas pessoas têm medo de admitir que precisam compartilhar uma parte das suas responsabilidades para se sentirem mais confortáveis.

Mas lembremos que temos nossa própria carga para carregar, nossas feridas emocionais para curar. Ajude o outro a fortalecer-se, mas não carregue suas dores.

Prece para despertar pela manhã

4213Em uma manhã tão auspiciosa,
Reflito sobre o que passou:
Eu cometi erros,
Mas nunca perdi as esperanças;
Eu fiquei triste,
Mas pude descansar minha mente com serenidade;
Eu fui caluniado,
Mas compreendi que tudo na vida surge e desaparece de acordo com causas e condições;
Eu derramei lágrimas,
Mas acreditei que amanhã será um dia melhor.

Hoje, sob as bênçãos e proteção
De tua luz de compaixão, ó Buda,
Rezo a ti para que me dês coragem
Para encarar todos os desafios de hoje;
Rezo a ti para que me dês paciência
Para aceitar todas as derrotas de hoje;
Rezo a ti para que me dês força
Para suportar todo o trabalho de hoje;
Rezo a ti para que me concedas sabedoria
Para que possa ser grato a todas as causas e condições de hoje.

Ó grande e compassivo Buda!
Por favor, ajuda-me a revelar minha sabedoria;
Por favor, ajuda-me a abrir minha mente.
Que eu esteja apto a apreciar as maravilhas do céu e da terra;
Que eu esteja apto a agradecer ao calor da humanidade;
Que eu esteja apto a obter a ajuda dos amigos;
Que eu esteja apto a compreender o refinado tesouro do Darma.

Ó grande e compassivo Buda!
Ajuda-me a ter um coração grandioso:
Que todo dia eu possa doar, com alegria;
Que todo dia eu possa, com boa vontade, criar vínculos com os outros;
Que todo dia eu possa praticar o amor, a compaixão, o regozijo e a equanimidade;
Que todo dia eu possa tratar as pessoas com tolerância e generosidade.

Ó grande e compassivo Buda!
Ajuda-me a ser um guerreiro:
Que eu possa purificar meus pensamentos;
Que eu possa contribuir com os demais, freqüentemente;
Que eu possa me abster do mal;
Que eu possa apenas fazer o bem.

Ó grande e compassivo Buda!
Por favor, abençoa-me:
Que eu possa ter sabedoria espiritual
E a mente de Buda;
Que eu possa ter sabedoria prajna e compaixão
E liberar os seres do sofrimento.

Ó grande e compassivo Buda!
Reconheço tua presença em minha mente.
Compreendo que vim ao mundo dos humanos para ser feliz;
Entendo que faço parte da sociedade para contribuir;
Sei que estou cultivando o caminho da iluminação para ajudar os demais.
Faço votos, a partir deste momento,
De beneficiar todos os seres sencientes
E despertar a mim e aos outros todos os dias;
Faço votos, a partir de hoje,
De trazer benefícios e felicidade para a nação e para as pessoas,
E trazer libertação a mim e aos outros, em todos os momentos.

Ó grande e compassivo Buda,
Por favor, aceita minha prece sincera da manhã!
Ó grande e compassivo Buda,
Por favor, aceita minha prece sincera da manhã!

Não sei se vou ou se fico

A indecisão decorre do medo de fazer escolhas erradas

Eu esperava uma movimentação política mais acentuada após as manifestações ocorridas no país ano passado, quando o próprio eleitorado mostrou insatisfação com a classe política quase em geral. Mas há uma certa dormência no ar, um clima de indiferença com o que possa ser o resultado das eleições em outubro próximo. A maioria dos partidos estão visivelmente desorganizados e precisam antes de mais nada sentar, recompor a base dentro de uma estrutura viável enquanto partido político que pleiteia a vitória nas eleições.

Não gosto muito de campanha polarizada. Prefiro menos agressividade e mais propositura dentro de cenários reais, mais alternativas, com novas forças políticas, com posicionamentos bem articulados, para despertar um sentimento de querer entrar no processo.  Sempre critiquei os indecisos, agora encontro-me assim…também na gangorra.

Numa ótima entrevista, o cientista político  Fernando Abrucio, graduado em ciências sociais, com mestrado e doutorado em ciência política pela USP, assinala que mais de  30% dos eleitores do país ainda estão indecisos e que esse eleitorado está buscando uma novidade que não consegue encontrar em nenhum dos nomes que surgiram até agora no contexto nacional. Estão sedentos pela tal terceira via, mas esbarraram na incapacidade dos candidatos de captarem esse burburinho.

Um terço dos eleitores brasileiros não sentiu-se ouvido apesar dos protestos ano passado e caminham indecisos rumo as urnas, entre um e outro candidato, entre votar em branco ou anular o voto. Isso é uma grande pena! Porém teria que aparecer uma candidatura capaz de encantar esses eleitores que buscam uma nova alternativa tanto no cenário nacional como local.

Alguns destes que afirmam que poderiam votar em qualquer um dos candidatos são eleitores sem identidade própria ou oportunistas que por uma cesta básica, um empreguinho, decidem seus votos e não contribuem em nada com a construção do país sério que realmente pretende alcançar a justiça social. Conquistar o voto dos eleitores indecisos e convencer a população a embarcar nas suas propostas requentadas ou ousadas deve ser o objetivo dos candidatos e assessores. Melhor espantar o desânimo eleitoral e entender que embora legítimo, o desinteresse significa abster-se da prerrogativa de decidir. Nos Estados Unidos, os voluntários especialmente se esforçam e intensificam seus trabalhos para reduzir o número de eleitores indecisos e ampliar as vantagens para seus candidatos, sobretudo em cidades onde os resultados são imprevisíveis. Espero que meu ânimo eleve-me ao posto de voluntária nos próximos meses.

Críticos Contumazes

Para muitos, ser inteligente, significa ser crítico. As pessoas devem ser críticas, os jovens especialmente precisam ser críticos. Isso soa como um indício que a pessoa não é enganada facilmente, além de ser um sinal de erudição. A crítica é uma atitude de desaprovação de alguém ou de alguma coisa com base em falhas ou erros detectados. Criticar é apontar coisas que de certa forma não faz sentido, pelo menos para quem elabora a crítica.

A reflexão crítica é essencial para o crescimento intelectual, porém ‘fetichizar’ descrença como um sinal de inteligência não contribui com nada. A crítica mais parece um soco no estômago do que uma dica útil e quase sempre tem a conotação de um ataque pessoal. A crítica provoca atitude defensiva, que funciona como uma resposta impensada. A crítica pode também ter o tom da vingança.

Acho salutar que se digam coisas difíceis de ouvir. Não devemos nos omitir. Porém é necessário ter entendimento do assunto que se critica, senão, comete-se heresia ao proferir análises sem conhecimento da causa. Os descontentamentos podem ser expressos também com queixas, que mesmo sendo adequadas, podem ser estratégias aborrecidas.

As críticas expõem as diferenças entre as pessoas, pois creio que as diferenças são quase sempre fontes de conflitos, embora naturais e inevitáveis. Criticamos abertamente o estilo de vida, a cultura, as experiências passadas, a moral e os valores do outro e raramente nos expomos a nossa própria auto crítica. Ou seja, somos impiedosos para julgar, para discordar e extremamente lenientes com o que nos diz respeito. Criticamos sobretudo ações, das quais somos alijados, projetos dos quais não somos beneficiados. Criticamos quando estamos com raiva, quando somos preteridos. Isso constrói?

A crítica como ataque é um estilo letal de ciclo negativo que cria apenas impasses. É preciso deixar claro que não existe um mundo sem mediação, imparcial, prisioneiro dos pontos de vistas. Hoje, tudo o que sabemos é reforçado, validado pela internet, o que de certa forma, enfraquece nossos julgamentos qualitativos, porque não precisamos nos aprofundar para entender os fatos. O grampo capta as conversas, a mídia brinca com as palavras e o que era para ser sério, vira crítica generalizada. E generalização conduz a inevitável vulgarização.

Engraçado observar como criticamos o estilo de vida do outro, a questão do gosto, da música, da arte e da moda. Recaem críticas sobre o pensamento político, o agrupamento ideológico. Tudo. Criticamos absolutamente tudo.   Parece estranho a difusão das vozes que se elevam em coro contra o que foi feito, contra o que há por fazer. Temo estar certa ao julgar que as críticas mais contundentes denotam extrema desconexão com a vontade de acertar, de mudar o rumo. Soam como ecos distantes de jovens mais temerosos do que corajosos para mudar o mundo.

Derrubando estereótipo de País do samba e futebol

Se a Inglaterra inventou o futebol para o mundo, o Brasil encarregou-se de tornar o esporte popular e tem o time mais bem sucedido da história, com cinco títulos de campeão mundial. Há registros que colocam o futebol como o esporte mais popular do mundo e desde 1930, a Copa do Mundo revela-se como um evento multinacional, multi racial, que tem sempre aspectos culturais ou políticos envolvidos na sua realização. O que entendo ser absolutamente compreensível, visto que é um momento em que o mundo inteiro está de olho no que acontece no país sede e é garantida a divulgação das reivindicações, a exposição das mazelas em todas as mídias nacionais e internacionais. O futebol pode funcionar como uma ferramenta interessante para mostrar que mudamos. Hoje nem os grandes times nacionais tem conseguido colocar grande público nos estádios. 2013 foi um ano de péssima renda aos clubes.

Li com surpresa que até o sisudo banco de investimento Goldman Sachs produziu um relatório interessante sobre a copa do mundo, sob o título “A Copa do Mundo e a Economia em 2014”. O relatório é amplo e analisa a evolução econômica do país sede da copa, dos países participantes e estatisticamente indica o possível vencedor. Não tenho a intenção de deixa-los curiosos. Bem, Brasil e Argentina, segundo a análise, se enfrentarão na final em Julho e o Brasil vencerá o arquirrival portenho. Sim, teremos Neymar e Messi cara-a-cara. Cuidadosos, o relatório adverte, que a Argentina pode ser substituída pela Alemanha na final. Mas ganha o Brasil.

As seleções foram estudadas desde 1960 e também levaram em conta que os times sul-americanos venceram os Mundiais disputados no continente. Acertadamente a previsão para o Brasil vencer na Copa na Africa do Sul, era de apenas 26% de chance. Deu no que deu. O Brasil foi eliminado nas quartas de final. Economicamente, o estudo aponta que apenas nos três primeiros meses após a copa, há certo ganho no mercado de ações para o país vencedor e país sede, depois esse ganho tende a diluir-se e tudo volta ao normal.

Uma deliciosa leitura sobre as Copas do Mundo é o livro de James Montague, jornalista e escritor britânico, que documentou vários jogos de classificação para as Copas e reforça a relação estreita entre futebol e política quando relata o caso ocorrido com a Seleção da Eritréia, um pequeno país africano, cujo time nacional foi jogar  em Kampala, capital da Uganda pela Associação de Futebol da África Central e do Leste. Após a derrota de 2 X 0 para Ruanda, todos os dezesseis jogadores desapareceram, ou melhor desertaram e pediram asilo na Uganda. Lembra James Mantague que não é raro jogadores da Eritréia aproveitarem-se das viagens internacionais para fugir do País. Isso ocorreu com seis jogadores em 2007, doze jogadores fugiram em 2009 para o Quênia e 13 jogares já haviam fugido para a Tanzânia. O técnico atual do time menospreza os jovens fujões e garante que eles foram substituídos por uma nova geração de jovens raçudos, nos quais ele “quase acredita”. Já a ONU alega que centenas de eritreus fogem do país todos os meses por causa do governo repressivo e da extrema pobreza. Viu como funciona? O futebol garante a mídia para dar visibilidade às denuncias ou para promover as ações políticas.