Não sei se vou ou se fico

A indecisão decorre do medo de fazer escolhas erradas

Eu esperava uma movimentação política mais acentuada após as manifestações ocorridas no país ano passado, quando o próprio eleitorado mostrou insatisfação com a classe política quase em geral. Mas há uma certa dormência no ar, um clima de indiferença com o que possa ser o resultado das eleições em outubro próximo. A maioria dos partidos estão visivelmente desorganizados e precisam antes de mais nada sentar, recompor a base dentro de uma estrutura viável enquanto partido político que pleiteia a vitória nas eleições.

Não gosto muito de campanha polarizada. Prefiro menos agressividade e mais propositura dentro de cenários reais, mais alternativas, com novas forças políticas, com posicionamentos bem articulados, para despertar um sentimento de querer entrar no processo.  Sempre critiquei os indecisos, agora encontro-me assim…também na gangorra.

Numa ótima entrevista, o cientista político  Fernando Abrucio, graduado em ciências sociais, com mestrado e doutorado em ciência política pela USP, assinala que mais de  30% dos eleitores do país ainda estão indecisos e que esse eleitorado está buscando uma novidade que não consegue encontrar em nenhum dos nomes que surgiram até agora no contexto nacional. Estão sedentos pela tal terceira via, mas esbarraram na incapacidade dos candidatos de captarem esse burburinho.

Um terço dos eleitores brasileiros não sentiu-se ouvido apesar dos protestos ano passado e caminham indecisos rumo as urnas, entre um e outro candidato, entre votar em branco ou anular o voto. Isso é uma grande pena! Porém teria que aparecer uma candidatura capaz de encantar esses eleitores que buscam uma nova alternativa tanto no cenário nacional como local.

Alguns destes que afirmam que poderiam votar em qualquer um dos candidatos são eleitores sem identidade própria ou oportunistas que por uma cesta básica, um empreguinho, decidem seus votos e não contribuem em nada com a construção do país sério que realmente pretende alcançar a justiça social. Conquistar o voto dos eleitores indecisos e convencer a população a embarcar nas suas propostas requentadas ou ousadas deve ser o objetivo dos candidatos e assessores. Melhor espantar o desânimo eleitoral e entender que embora legítimo, o desinteresse significa abster-se da prerrogativa de decidir. Nos Estados Unidos, os voluntários especialmente se esforçam e intensificam seus trabalhos para reduzir o número de eleitores indecisos e ampliar as vantagens para seus candidatos, sobretudo em cidades onde os resultados são imprevisíveis. Espero que meu ânimo eleve-me ao posto de voluntária nos próximos meses.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s