Um jovem que questiona tudo – de religião ao governo

Muitos adultos mentem para as crianças por uma infinidade de razões. Porque querem proteg ê-las, porque nem sempre sabem a resposta certa e também porque, às vezes, tem preguiça de explicar as coisas. A verdade é que as pessoas que são capazes de ensinar pensando no amanhã, não apenas no agora, produzem melhores resultados.

As crianças de hoje são extremamente bem informadas e conscientes de alguns valores morais, conhecem várias marcas de produtos, pessoas do mundo artístico e da política. Gostam de escolher as roupas, mochilas e manter um estilo. São capazes de exercerem certa independência na tomada de decisões e influenciar o comportamento de compra da família. Aproveitando essa espetacular habilidade de assimilar as coisas, é importante reforçar nas crianças ‘o pensar’ de forma crítica. Ensinar-lhes a pensar em uma sociedade governada por alguns dogmas absurdos, preconceitos raciais e moralidade oscilante. As crianças devem ser preparadas para questionar tudo e todos.

É fácil dizer-lhes o que fazer, mas não é tão fácil ensiná-los a fazer, dando-lhes exemplos diários. Fico perplexa diante de pais que tem uma resposta fácil e pronta para todas as perguntas dos filhos; porque precisam comer determinadas coisas que os pais não comem, porque não podem chorar se todos choramos, enfim… Em outras palavras, omitimos informações que possivelmente a maioria das crianças já tem quando nos perguntam.  As crianças são atentas, ouvem e nem tudo comentam, mas aprendem. As crianças tem suas teorias para todos os temas do cotidiano e também estratégias para lidar com as reclamações dos amigos, da família e dos professores.

Aos onze anos Vinicius explicou-me minuciosamente porque eu não deveria votar em um dos meus candidatos. A riqueza de detalhes do que ele sabe surpreendeu- me assim como a ênfase com que fui repreendida, ao defender o meu voto. 

Dias atrás fiquei chocada ao ler sobre uma estudante escocesa, de 19 anos, que fugira de casa depois da aula, tomou um avião rumo a Síria, atravessou a fronteira para o Iraque e juntou-se a um jihadista, que a havia seduzido num relacionamento pela internet. Num contato único com os pais avisou que não volta mais. Devastados, eles disseram que nada perceberam de anormal antes da fuga. Contei a história para Vinicius, combati com veemência a violência banalizada pela mídia, que exibe cenas de guerra e filmes violentos, pelo arsenal de armas utilizadas nos jogos de videogame. Perplexo, ele olhou- me e perguntou: “se você ver uma pessoa matando outra, você vai chegar em casa e matar alguém? Claro que não né, Vó”!  Mas é nisso que dá viver em um mundo que nos adverte sobre o perigo a todo momento. 

Infelizmente o mundo de hoje tem muitas faces; bondade, humildade, amor, mas também egoísmo, servidão ao dinheiro, arrogância e humilhação. As crianças precisam saber das coisas para questionar, para não serem alvos de movimentos radicais tampouco seduzidas a seguir fanáticos.

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