Mudança?

Apesar de todas as reclamações e frustrações, que fazem parte da política brasileira, as eleições e o momento do voto são, queiram ou não admitir, um modelo de ordem e eficiência, onde claro, ocorrem excessos, pois falamos em eficiência, não em perfeição. A palavra mudança fez parte do slogan da maioria das campanhas e esteve também na boca de muitos eleitores, sobretudo jovens, que se por um lado demonstravam decepção com os políticos, por outro, se mostravam confiantes no processo eleitoral como protagonista de uma mudança efetiva, embora muitos relutassem em votar contra um governo que melhorou as condições de vida de muitas famílias nos últimos anos.

Sendo esta a primeira eleição depois dos protestos de rua ocorridos no ano passado e que revelaram o poder de transformação das mídias sociais, ironicamente a palavra mudança ficou restrita aos arroubos de intenções dos eleitores, que na hora de votar, foram bem econômicos em termos de inovação. Os eleitores não ousaram e a prova disso é que o índice de renovação real na Câmara atingiu a marca de 43,5%, um índice que historicamente sempre ficou dentro desse percentual, segundo fonte da Agência Câmara de Notícias.

O PT elegeu novamente a maior bancada da Câmara Federal, seguido do PMDB, exatamente como nas eleições de 2010. Os dois partidos elegerem menos deputados do que em 2010, em relação à bancada atual, porém uma flutuação irrisória. De todos os 32 partidos registrados, apenas o PSDB cresceu e elegeu 11 deputados federais a mais. Outra prova de que a palavra mudança foi absurdamente utilizada é verificada quando se vê que filhos, netos e herdeiros de políticos tradicionais foram eleitos com votações expressivas; como o neto de Mário Covas, filha de Anthony Garotinho, filho de Jair Bolsonaro, o jovem Hélder Barbalho, filho de Jader Barbalho, que levou as eleições do Pará para o segundo turno.

Mais ainda, ao conferir que os deputados recordistas de votos são os contraversos de eleições passadas; do apresentador de TV Celso Russomano, o palhaço Tiririca, novamente com mais de 1 milhão de votos e Jair Bolsonaro, que teve tantos votos, que acabou ‘puxando’ outros deputados de seu partido. Neste contexto talvez, apenas o Maranhão tenha votado pela mudança radical, declarando o fim da oligarquia Sarney no estado. Um caso isolado, todavia, pois há vários casos de deputados reeleitos, que estão no poder há mais de 20 anos.

A repentina onda clamando por mudança fica definitivamente para as eleições locais em 2016, porque em 2014 ela não ocorreu. Agora é torcer para que haja o emparelhamento das promessas com as ações reais, para que a reforma política se consolide, até para propiciar a renovação que parecia estar à vista e foi adiada pela vontade soberana do eleitorado conservador.

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