Mundo mais vivível

mundo místico
Ao aprender sobre o passado, podemos ganhar valiosas lições para nos ajudar com a nossa vida atual, bem como as experiências futuras.  Tudo o que aprendemos sobre o nosso passado é a chave para estabelecermos um bom futuro. Nós retemos essência e informações de nossas vidas passadas, bem como a continuação de um padrão que foi iniciado possivelmente tempos atrás.

Quem eu já fui?

Sei que hoje sou uma pessoa que tenta adquirir conhecimento espiritual através da leitura, das práticas e do pensamento profundo. Isso parece nascer de um dom, de uma certa inquietação, temperamento e perspectiva projetada de vida.

Para mim, o divino está em muitos aspectos de vida, em cada impulso, há uma orientação velada, as teias me conectam com a vida de outros, para servir, para ajudar e ser capaz de orientar as pessoas a vencer os obstáculos, relacionamentos ou decisões críticas de vida. Claramente, como a intuição e a conexão não podem ser simplesmente ensinadas ou aprendidas, devemos todos despertar e abraçar a vocação.

Ouça as experiências de outros como uma espécie de ponto de referência  e questione sempre a sua existência, a realidade dos seus dias, seus propósitos. Procuro saber como o seu universo funciona e por quê e não conformo-me com  a incerteza de não saber o que o próximo momento trará. Há sinais que podem ser interpretados, mistérios que podem ser revelados. Conto com todas as formas de percepção e conhecimento, além da linguagem racional para vivenciar os valores da poderosa mistura que empurra para a busca espiritual.

Não há de haver desconfortáveis hierarquias religiosas e espirituais. Há certa rebeldia na espiritualidade que busco e vejo que muitas figuras luminares de várias religiões foram duramente criticadas, alguns perseguidos, para depois serem reverenciados, sem que o status quo religioso lhes suba ao ego.

Sendo o universo infinito e misterioso, a curiosidade não cessa, os mitos são derrubados, novas verdades constituídas sob outras óticas.  Acho que isso me encanta; ser humilhada pela minha ignorância e motivada pela vontade de alcançar a espiritualidade que vai rivalizar com a objetividade e racionalidade, que são partes do meu núcleo.

É simplesmente importante conhecer e atingir o verdadeiro propósito de estar aqui, sem negar qualquer parte de mim mesma.

Negociação permanente

Assisti o documentário “Carta da Escola Estadual Emanoel Pinheiro para as Escolas de Florianópolis”, embalado por uma trilha musical tocante. Eliseu Xumxum, um dos narradores do filme, fala sobretudo sobre o racismo invisível, praticado por pessoas que negam ser racistas e se envolvem em práticas racistas a todo momento.

Relatam as perturbações que ocorrem dentro do âmbito das relações do homem negro fora das comunidades quilombolas. Eliseu mora no  bairro Cristo Rei, em Várzea Grande, região tradicionalmente conhecida como Capão de Negro, que abrigava comunidades quilombolas desde o século XIX, onde a dança do Congo era dançada nas ruas. Depois vieram as intervenções dos homens brancos. Doa-se um pedaço de terra para um, para outros, muda-se o nome da comunidade.

Eu não tenho receita do que seja um exemplo de harmonia racial, mas parece uma ação apropriada para uma sociedade saudável, desaprovar o racismo por qualquer pessoa de qualquer raça sobre qualquer pessoa de qualquer raça.

Quando as pessoas usam seus privilégios sociais para denunciar preconceitos, para falar de igualdade ela pode causar um forte impacto sobre o bem-estar psicológico das minorias. No entanto, é preciso aprofundar as discussões, estabelecer debate freqüente, pois em circunstancias preocupantes, os membros dos grupos majoritários, que geralmente não são alvo de preconceitos não conseguem sequer ter certeza quando algo tendencioso de fato é narrado.

As mídias sociais que estão recebendo pressão para limitar o discurso do ódio e do preconceito, e o documentário são apenas formas de comunicar o que se passa nesta época marcada pela inquietação e indiferença, com problemas graves que passam muito além da economia e política, e tem relação intrínseca com a qualidade de vida interior que estamos vivendo.  Mensagens de apoio precisam ser seguidas de atitudes que demonstrem mudança do comportamento social.

Atualmente há apreensão sobre a direção que nossas vidas estão tomando diante dos estilos de emoções que ansiamos, da insensibilidade dos homens para com os que não são semelhantes e não freqüentam a mesma realidade. Com frequência é assim. A diferença de perspectiva ocorre entre aqueles que são alvo de preconceito e aqueles que não são. O preconceito racial tem um custo elevado para a auto afirmação dos vitimados, como diz dona Luzia no documentário. Muitas vezes, ela não sabe onde é o lugar dela na sociedade, por ter certeza que sua presença em muitos locais, será recebida com estranheza.

Nesta questão de preconceito racial é necessário haver um toque de pele para que se efetive a promessa de aceitação entre seres humanos de cores diferentes, porque muitos autores, entre eles Guillaumin, sustentam que o racismo tem origem numa predisposição natural que muitas pessoas apresentam para a hostilidade contra grupos diferentes. Este 20 de novembro marca o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra. Espero que o feriado possibilite reflexão sobre a situação dos negros no Brasil.

A esperança é a melhor escolha

Por trás do drama banal, cotidiano, dos episódios de nossas vidas, devemos nos recusar a ceder, a nos retrair. O trabalho duro que exercemos, a energia constante despendida, os comprometimentos extraídos do esforço não nos colocam em pedestal, muito pelo contrário, nos tornam mais reais e humanos. E seres humanos guardam segredos, demonstram predileções, contam piadas, despertam mal humorados, consomem exageradamente, sentem-se culpados, se redimem, buscam alívios para as aflições espirituais.

Estamos acostumados com o mundo estruturado em forma de pirâmide, onde a parte superior dita as ordens e a forma ideal de execução das tarefas. Mas, pensemos como se o mundo fosse uma grande cooperativa, cujo trabalho e renda tivessem que ser divididos equitativamente entre os membros. Os gerentes eleitos por um ano de mandato e ninguém poderia ficar no mesmo cargo continuamente. Todo mundo passaria por todos os setores, executariam todas as tarefas, compartilhariam a participação plena na tomada de decisões. Talvez assim, nos humanizaríamos, teríamos a chance de refletir sobre como progredimos.

Quando executamos um trabalho sabemos qual é o melhor caminho para realizá-lo, descobrimos o limite da nossa habilidade, do prazer de compartilhar experiência e não há como ser arrogante com quem limpa o chão, se um dia tivemos que limpá-lo também. Porque se estamos aqui para regenerar a sociedade humana de acordo com os princípios do amor, da não-violência, justiça, igualdade e sustentabilidade, está enfaticamente claro que precisamos recriar muitas das nossas culturas, para aplacar o ódio, a violência e a injustiça; valores negativos que estão sendo construídos nas pessoas.

E assim a violência começa invisível… culpando, condenando, insultando, zombando, constrangendo, envergonhando, humilhando, provocando, enganando, mentindo, subornando, chantageando e desmoralizando. Por isso, hoje, muitas pessoas estão fundamentalmente convencidas de que as coisas estão fora de controle e não há uma solução sensata para os problemas.

Não vivemos cercados de verdades definitivas. O nosso mundo é o mundo da transitoriedade, das verdades provisórias, da inconstância, da reparação, mas . havemos de despertar para o engajamento em questões que as pessoas destacam como prioritárias, havemos de promover o bem e viver tempos memoráveis.

Então, quando você perguntar a si mesmo porque os humanos ainda estão lutando em guerras, destruindo o meio ambiente, explorando os outros economicamente em todas as partes do mundo, pergunte a si mesmo porque você espera que estes tipos de violências terminem, o que você tem feito para contribuir com a construção de um mundo melhor. A cultura não é apenas aquilo que herdamos dos nossos antepassados, é algo que podemos criar e recriar e pode ser violenta ou amorosa, de paz e de esperança. É sua a escolha.