Em busca da ordem flexível

Compreender a cultura de um povo expõe a sua normalidade sem reduzir as suas particularidades. O nosso mundo cotidiano, no qual nos movemos, como membros da comunidade, é habitado por homens de rosto, qualidades e gostos concretos, diz o Papa da Interpretação das Culturas, Clifford Geertz.

Encontrar lugares que se façam de ponto de reuniões de todas as tendências, misturando tudo até tornar-se o que verdadeiramente somos; onde um chega com sua filosofia, outro com opiniões políticas, outro com sua ideologia e assim muitos artistas, pessoas criativas estão produzindo suas artes e transfigurando o cotidiano em algo extraordinário; estão se tornando empreendedores criativos; trabalhando dentro de uma conjunto de relações talvez pequeno, mas estável e sem cobranças excessivas.

Alguns fazendo da sua arte, mais entretenimento do que o trabalho estereotipado para agradar e abocanhar clientes. Estes ambientes onde as pessoas ganham dinheiro com suas idéias criativas estão ganhando espaço em Cuiabá. Neste final de semana a Feirinha da tradicional Rua 24 de Outubro, comemorou um ano, lotada, entre ameaça de chuva e um público que não arredava o pé.

É bonito perceber como a relação de troca, que é considerada o bem mais essencial da cultura, se estabelece. Um valorizando e protegendo a arte do outro. Claro que é preciso alguém com olhar mais experiente para perceber a qualidade e a pureza da arte e a possibilidade desta transformar-se num bom negócio. Muitas vezes, é no afastamento dos ambientes tradicionalmente elegantes, que percebemos desenvolvimentos verdadeiramente criativos.

É de se louvar a criação destes espaços, onde gasta dinheiro quem pode e quer, porque o acesso é de graça e transitar ali é vivenciar o esforço de muitos para expressar sua criatividade cultural, interferindo no formato de uma rua tradicionalmente estreita e quieta. Um espaço também privado, a Casa do Parque, promove exposições permanentes de artistas com entrada gratuita. Oferece ainda, refinada programação musical com jazz, blues e clássicos da MPB.

Na tradicional Praça Conde de Azambuja, que já teve tantos nomes e hoje é conhecida como Praça da Mandioca, há um movimento nesse mesmo sentido. Fazer da criatividade e da arte, entretenimento e um meio de fazer bons negócios. O GranBazar acabou virando um ambiente de multiuso, onde simetricamente convivem, boêmios, artistas e os apaixonados por música e pelo centro histórico, que regam as noitadas com a cuiabaníssima cerveja Benedita, produzida com ingredientes que valorizam a culinária local.

Estamos falando de espaços novos, sem preterir a comunidade tradicional de São Gonçalo Beira Rio e outras, onde as ceramistas há muito já dispõem de espaço para a expressão cultural e artesanal e integram à Associação para facilitar a exposição e o fluxo dos objetos decorativos que produzem. É preciso multiplicar os exemplos, porque a economia alternativa ou social, como chamam os sociólogos, favorece a criação de espaços, que oferecem a possibilidade incrivelmente inovadora de associar criação e diversão com produção, para um público que consome, não essencialmente produtos, mas cultura.

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