Nai Talim, Gandhi e a educação

O relatório de Desenvolvimento do Milênio elaborado por profissionais do mundo inteiro, coordenados pela ONU, prevê até final deste ano, a universalização da educação “primária” no mundo, garantindo que todas as crianças completem o ciclo do ensino básico. Meta que o mundo não alcançará, por várias razões, entre elas, a exorbitante disparidade social que ainda separa um homem do outro e pela lentidão com que as reformas são implantadas.

A estrutura fundamental do pensamento de Gandhi sobre a educação, baseia-se no princípio de preparar a sociedade com pessoas boas, não apenas com alfabetizados e escolarizados. A educação deve ser uma arma poderosa capaz de promover uma revolução social silenciosa. Desdobra-se em liberdade, libertação da ignorância, da superstição e da submissão.

A concepção dessa ideia de educação, conhecida como Nai Talim, traduzida como Educação Básica para Todos, deu-se nos anos que Gandhi esteve na Africa do Sul e tal modelo educacional contraporia a herança imperial do modelo inglês vigente na India, que legava à nação a educação de homens dentro das necessidades de absorção de mão de obra do mercado e do estado, numa ação descoordenada entre mente, corpo e alma; por esta razão, a ênfase foi dada na conduta, nas qualidades espirituais, no serviço comunitário; uma escola com práticas acolhedoras, que se utiliza da diversidade cultural e religiosa do país subdividido em castas, para promover a inclusão. O objetivo da prática Nai Talim é extraordinário: Remover as intocabilidades.

Este estado bom, perseguido como um sonho distante, foi sendo implantado no país, diante do olhar incrédulo de muitos educadores e especialistas. Gandhi, um advogado que pregava a resistência à dominação inglesa, não está preocupado apenas com o intelecto. A alfabetização é apenas uma ferramenta para atingir o verdadeiro fim, que é o desenvolvimento pleno do ser humano.

Gandhi considerava que dois aspectos poderiam regenerar e melhorar a vida de seu povo: a saúde e a educação. Tanto a saúde quanto a educação, em sua opinião, envolvem todos os homens e toda a sociedade.  A saúde da comunidade não pode ser alcançada apenas através da construção de uma clínica; nem a educação da comunidade poderia nutrir e manter o espírito altivo, apenas construindo escolas. A visão holística ampliada de Gandhi foi marcada pelo uso de um novo vocabulário. A partir de então ele falou não só da Educação Básica Nacional, considerada um equipamento mínimo necessário para as crianças da nação, mas também de Nai Talim, o modelo da nova educação.

Para ser educativo para a mente, o corpo e alma, o projeto deve ser planejado e os materiais e ferramentas preparados para um fim comum. São todos ensinados a cooperar a despeito das diferenças de capacidade e temperamento. O tempo de provação, porém, não tardou chegar. O governo prendeu não só políticos companheiros de trabalho de Gandhi, mas muitos trabalhadores e alunos adultos das novas escolas.

O trabalho foi interrompido e somente gradualmente reorganizado em  1947, ano em que a liberdade política do domínio britânico foi restabelecida. Um ano depois, Gandhi é assassinado. Mesmo muitos anos após a morte de Gandhi um grupo grande de educadores Nai Talim prometem dedicar o resto de suas vidas para propagar a educação baseada no espírito da verdade e da não-violência.

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