A divinização das más notícias

Disseminar instabilidade está se tornando uma ferramenta política poderosa e o engraçado é que não há muito tempo, os políticos nos ofereciam a realização do sonho de viver num mundo melhor, agora, prometem nos livrar dos pesadelos, das ameaças dos corruptores, da violência escamoteada por toda parte. Esse mito espalhou-se inquestionável através da mídia e da própria ação política. Parece que não temos escolhas.
Nossas mentes têm donos! Esse processo é danoso pois, além de inibir a solidariedade e a esperança, promove o confinamento das pessoas dentro de zonas de histeria, como se não houvesse saída para as crises. Creio que é desta forma que se institui a ditadura do medo. Medo da violência, da crise ambiental, crise moral, crise política, medo de não ser aceito, medo do migrante, do crente, medo de perder o emprego, perder a bolsa, medo de ser descoberto, chantageado, medo de não caber no mundo de emoções distorcidas, noticias maquiadas, dos homens endeusados e da mídia manipulada.
A modalidade moderna é bloquear o indivíduo dentro de um sistema cada vez mais sofisticado de comunicar mensagens e informações que produzem respostas de insegurança e medo. Espalhar terror virou uma forma de nos manter “na linha”, obviamente dentro dos parâmetros dos que ditam a ordem política, religiosa ou outra… Contrário da prática de denunciar, punir, corrigir e seguir o curso, o denuncismo por si é promotor apenas da indignação e estagnação.
Poderiam espalhar consciência, educação, mas não; a opção foi pelo medo. O medo, sentimento considerado primordial para sustentar a própria sobrevivência, é, por natureza, paranóico e capaz de criar situações favoráveis à propaganda tendenciosa e desinformação. Quando generalizado, essa força poderosa abre caminho para uma sociedade autoritária e restritiva
Entretanto, quando os ombros pesam, é sinal que precisamos aprender a viver aliviados de bagagens desnecessárias. Isso significa fundamentalmente ouvir e discernir, não sujeitar a vida a adoecer o corpo carregando paranóias alheias e sentimentos inúteis; cultivar a fé na vida, a confiança nas pessoas, na durabilidade das relações, na reutilização das coisas.
Não devemos descartar o entusiasmo e o idealismo fervoroso que carregamos, que são componentes imprescindíveis para a construção de uma sociedade melhor, porque querem nos fazer crer que o homem chegou agora a última extremidade da difamação. E assim, entre as ruínas morais e espirituais estamos além dos limites da escuridão. O homem porém, pode ansiar a viver numa nova terra, despido de mentiras e medos, sem a divinização das más notícias.

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