Velha opinião formada sobre tudo

Embora seja absolutamente natural a tendência das pessoas de se alinharem nas situações em que há dois lados antagonizando situações, não há nada mais confuso do que as razões que levam as pessoas a escolher um lado e não o outro. O ato de alinhar-se em tese, preenche a necessidade de identificar o grupo social ao qual pertencemos e a vontade de sermos protagonistas de uma história que relata e realça nossa participação vaidosa.
Porém, o discurso e a luta são enriquecidos quando ambos ao lados abdicam do comodismo tradicional para debater temas nacionais, como a reforma política e a corrupção, uma coisa intrinsecamente relacionada e consequência da outra.
A política não é business e o Estado não é o espaço a favorecer um processo lucrativo para quem a exerce. O que deve estar em jogo é o bem do país e não a generosidade dos governos com os empresários, tampouco dos políticos com os eleitores. Afinal político e eleitor corruptos tem o mesmo peso de responsabilidade na sangria das instituições.
A questão central é que a maioria dos casos de corrupção passam exatamente pela relação entre o Legislativo e o Executivo e os deputados e senadores que foram votados devem ao eleitor, o responsável acompanhamento das CPI´s instauradas no Congresso, dos indiciamentos feitos pela Polícia Federal e Procuradoria-Geral da República.
O histórico de corrupção é antigo e não é exclusividade da classe política, como explica a antropologia contemporânea de Roberto DaMatta em Carnavais, malandros e heróis, onde interpreta alguns traços marcantes do nosso caráter, como povo e nação; o tal “jeitinho brasileiro”, o “sabe com quem está falando” e muitos outros traços que não nos orgulham, ao contrário, torna evidente que no mundo real essas atitudes arrogantes e embaraçosas ajudam a identificar algumas raízes da corrupção.
O povo tem sido conivente e segue elegendo pessoas que claramente apresentam um enriquecimento no mínimo suspeito dentro de suas cidades e dos seus Estados. Antes de mais nada, devem mudar as pessoas! Não devemos de ser refratários à mudanças profundas, cortes em vícios e comodidades seculares; Não devemos temer as mudanças e sim, a perenidade de processos políticos que estão superados. É hora de submetermo-nos a um processo de reforma e reeducação política.
E você? Já refletiu sobre a razão de haver votado nos seus candidatos? Pois bem, na maioria das vezes nem o candidato foi escolhido por você. A pressão vem da manipulação das teorias de marketing político, influência das lideranças mais próximas, da retribuição de favores recebidos, das pequenas subversões concedidas.
É preciso ir além da aparência de engajado, da disseminação absurda do ódio, da necessidade de forjar elementos expiatórios para a impureza de um mundo ao qual pertencemos e de cuja impureza partilhamos.

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