Espiritualidade, como oposição à ignorância

Chegamos a um eixo do tempo em que muitas vezes nos sentimos desconfortáveis e perturbados com emoções que não entendemos. Acima de todos os níveis da nossa existência, o que mais precisamos é desarmar nosso interior, por isso urge que vivamos sob o signo espiritual capaz de causar profunda mudança social, econômica, política e cultural e lançar as bases para uma sociedade mais justa, equitativa, fraterna e respeitosa.

É uma oportunidade independentemente da proximidade com a igreja; é uma reflexão sem sectarismo, um respeitoso diálogo que pode contribuir com a abertura de novos pontos de vista. Pois há um vácuo de espiritualidade fora das religiões. Talvez uma luta para que a motivação espiritual ganhe uma versão de ativismo e quebre o estereótipo de que a espiritualidade está ligada a uma identidade religiosa ou a determinada orientação política. Essa ligação descabida é ainda estabelecida na mente de muitas pessoas, porém, a reflexão tem preocupações com qualidade de vida, justiça social, ecologia, democracia pacífica e educação.

Se o vento da espiritualidade sopra forte em tempos de crise, é a hora ideal de descobrir o que significa espiritualidade para uma sociedade secular, democrática, mas injusta e desigual. Todas as pessoas, mesmo que elas não estejam associadas a qualquer religião ou seita, devem  apostar na espiritualidade como item facilitador nas relações. É sabido que atitudes positivas e gestos de bondade nem sempre são expressões de práticas religiosas, mas contribuem para a construção de uma sociedade plural e transcende o lugar comum do pregar e não praticar.

O ex presidente americano Jimmy Carter (1977 a 1981) escreveu um artigo extenso, esta semana, expondo as razões pelas quais ele estaria rompendo com a Convenção Batista, abstendo-se da sua fé professada ali, por mais de sessenta anos. Diz-se incomodado com a inércia da Igreja diante da discriminação, subjugação e violência praticada contra as mulheres em interpretações distorcidas da palavra de Deus. Segundo o ex presidente os líderes da Convenção ainda citam alguns versos da Bíblia cuidadosamente selecionados, ordenando que as mulheres devem ser “subserviente” aos seus maridos e proibidas de servirem como diaconisas e pastoras.

Essa visão de que as mulheres são inferiores aos homens de forma alguma se restringe a uma religião ou crença. As mulheres são impedidas de desempenhar um papel pleno e igual em muitas religiões e instituições. Esta discriminação, injustificadamente atribuída a uma interpretação do evangelho tem proporcionado desculpas para a privação de direitos iguais às mulheres em todo o mundo durante séculos. E embora as raízes dos preconceitos estejam profundamente ligadas ao passado, os impactos são sentidos até os dias atuais.

O homem goza de uma vida com privilégios nunca antes imaginados no sentido material e pode se instrumentalizar igualmente para refletir valores espirituais nas ações diárias e deixar que a prática da honestidade, da generosidade, da igualdade sejam materializadas no cotidiano como elementos indissociáveis da boa educação.

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