É possível viver sem ter superpoderes

É possível viver com sensatez e equilíbrio, transitar entre a cautela e a realidade, sem conformar-se em ser sujeito passivo de marcas e publicações alheias, mas produzindo o próprio conteúdo da vida. É possível fazer da necessidade a virtude de querer mudar o mundo a partir da comunidade local. É possível recriar os espaços se o mundo, tal qual está não parece um lugar habitável com justiça e transparência. A sensação de degradação por vezes, invade várias esferas da vida e surge como uma preocupação decorrente dos excessos que costumeiramente cometemos contra a natureza e a natureza humana.
É possível retomar a serenidade mesmo após o gigantesco esquema de corrupção que bombardeou órgãos governamentais. O Brasil tem jeito. Precisamos nós ter jeito também. Havemos de entender que a corrupção corrói não só dinheiro, mas valores éticos e morais e que essa prática danosa é apenas a conseqüência da escolha feita pelo indivíduo através do voto, ou pela omissão deste. Porém, é possível desfazer certos mitos; a política não precisa ser a arte de escolher entre o desastroso e o intratável, tampouco é necessário que todos os reis e presidentes sejam filósofos como quis Platão, para o mundo conhecer a paz e humanidade. É possível haver paz no mundo , desde que os povos tenham suas necessidades de vida compreendidas. A paz deve ser baseada na abundância do mundo.

Em sintonia com os tempos de mudança, a consciência social substitui o mal estar por abordagens práticas e concretas. Não precisamos apontar defeito nos outros como estratégia de ocultação das nossas imperfeições. E se o sistema político, financeiro e social está ultrapassado, falido, é possível reorganizar os excessos, reconstruir a confiança e crescer de novo. Em verdade, é sempre possível emergir. Basta definir o que é essencial e útil, canalizar as preocupações para organizações que atuem na área que preocupa; basta declarar a favor de fórmulas alternativas de participação na política, se os meios tradicionais não inspiram confiança. É preciso estar propenso a prudência em tempos de crise para alcançar os objetivos.
É possível que o tempo esteja mudando, que a solidariedade seja um valor importante. Pode ser. Mas se não muda o tempo, mudamos a forma de observar as coisas e as pessoas. Mas é possível que não consigamos afastar a tristeza a que nos expomos por sermos humanos, a nos livrar da dor da vida, o que nenhum sistema político pode nos ajudar, nem fugir do medo da morte, da sede do absoluto. É possível que o tempo seja melhor aproveitado, que o mundo esteja pronto para entender a mensagem que buscar uma vida boa é algo que perturba. Porque exige acima de tudo um novo estilo de vida, com outros objetivos, uma mudança na forma como usamos nossa capacidade de quebrar certos esquemas pessoais. O ponto é, que chega um momento em que somos solicitados a viver mais generosamente, a fazer contacto com as diversas periferias que não fazem parte do nosso círculo fechado de relacionamento. Eu, pessoalmente, longe de ser um exemplo do que proponho, entendo que o grande problema atual é traduzir o pensamento em estilo de vida.

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