A má vontade emperra a reforma política

As discussões sobre a reforma política têm dominado a agenda dos políticos brasileiros desde que a democracia foi reintroduzida no Brasil, como o único instrumento viável para a renovação do ambiente político, mas igualmente há décadas, encontra-se emperrada nos corredores da Câmara Federal.
Sem entendimentos, exibindo conteúdo fatiado e com viés de autoritarismo, o processo de reforma tem sido conduzido de forma caótica. Até agora, o que parece real é apenas o fim da reeleição para os cargos do executivo, quando vários outros temas considerados de suma relevância, tais como; a redução do número de partidos, o fim do financiamento empresarial às campanhas, regulamentação mais sérias as formas de coligações, para que elas não sirvam apenas para somar tempo no horário político na TV e a unificação das eleições, devem aguardar na prateleira do plenário.

Quanto ao financiamento empresarial de campanhas, nada vai mudar. Aécio Neves, quando presidiu a Câmara, colocou o financiamento público num conjunto de projetos para melhorar a imagem do Congresso, mas não houve acordo para a votação da proposta.
As mesmas grandes empresas e empreiteiras continuarão dando as cartas na política brasileira. Embora esse relacionamento financeiro seja legal, percebe-se portanto, que entre o financiador e o financiado, ficará a dívida perversa e o ônus da retribuição, num universo gigantesco.
O Brasil tem 32 partidos, segundo o site do TSE. A cada ciclo de 4 anos, com eleições regulares de dois em dois anos, o Brasil elege 59.500 vereadores, 1.059 deputados estaduais, 513 deputados federais, 81 senadores, 27 governadores e um presidente da república. O povo, que deveria estar na base do debate, apenas abana a cabeça consentindo com o que o Congresso decide.
De concreto, a única mudança real no atual cenário foi o fim da reeleição para presidente, governadores e prefeitos. Para deputados e senadores, a reeleição continua valendo, lógico ou você acreditou que os deputados votariam contra algo que os favorece?
A falta de empenho e má vontade política são claras. Os parlamentares estão performando para dizer que tentaram, mas não vai haver avanço significativo.
Os partidos estão acomodados do jeito que as coisas estão. Vão adiando, protelando até onde puder para não fazer efetivamente uma reforma política que possa decrescer os favorecimentos.
Sabíamos que iriam emperrar a proposta porque para os políticos, a discussão básica passava pela manutenção do financiamento das campanhas por empresas privadas, embora os partidos e candidatos podem, voluntariamente, recusar dinheiro de empresas mal intencionados. Parece que isso já ocorreu num passado recente. Poucos porém, ousam dizer não.
Enfim, o pacto em torno da construção de uma profunda reforma política, que ampliasse a participação popular, não aconteceu.

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