A vida é muito curta para ser pequena

Apesar de ouvirmos sempre que a vida é um teatro, que não permite ensaio, que vem sem manual de instruções, o Ministro do Supremo, Luís Roberto Barroso, que tem sido convidado a ser patrono de turmas de Direito, sobretudo da UERJ, onde ministra aulas há décadas como professor titular, chama os alunos de filhos espirituais, enumera as boas ações que devem praticar segundo um manual para a vida, cuja oralidade busca palavras simples, porém de efeito profundo, para a reflexão dos jovens.

Dá exemplos, cita parábolas bíblicas, trechos de Kant, numa tentativa monumental de dar vigor e esperança para quem está se apresentando para a vida adulta.

Ao ler os discursos não resisti reproduzi-los, com revelada pretensão, à minha maneira, ora acrescentando ingredientes éticos que considero indispensáveis à uma vida plena e harmoniosa, ora revelando a insensatez do mestre adentrado a vida pessoal e espiritual dos pupilos.

Mas isso é também fruto do afeto, da ansiedade de condensar os ensinamentos num guia para se ter às mãos nos momentos tempestuosos. Sabemos que a vida é plural, que a felicidade é vivida de forma diferente por cada pessoa e que as verdades são descobertas ao longo da caminhada.  É preciso estar atento, saber ouvir todos os lados da mesma história.

Percebo que muitas vezes não sabemos quem está certo porque não sabemos interpretar os fatos. Temos a tendência de não vermos as coisas como elas são, nós as vemos como nós somos. Portanto nunca formemos uma opinião sem antes ouvir todos os lados. Pois a verdade não tem dono.

Diz que não somos dispensados de agir com integridade nem quando somos acometidos por coisas tristes. Portanto, independente do que estiver acontecendo à nossa volta, devemos fazer o melhor que pudermos, sermos bons e corretos, mesmo quando ninguém estiver olhando. É sábio pavimentar o caminho sem esquecer que ninguém é bom demais, que ninguém é bom sozinho e que precisamos aprender a ser gratos.

Certamente alguns se reportarão ao advogado constitucionalista, como o ministro que defendeu pesquisas com células tronco, a equiparação da união homoafetiva à união convencional, que determinou a migração de José Genoíno para o regime aberto e Delúbio Soares, ao trabalho externo e que seria um excelente ministro na Suécia. Intrigas? Má vontade com o ministro? Não sei. Mas não é disso que estamos falando aqui e sim, do breve manual de instruções que afetuosamente elaborou para seus alunos.

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