O estável, porém frágil governo brasileiro

O desencanto com a política democrática convencional é um problema global, especialmente nos países desenvolvidos. Governos fragilizados e instáveis é algo recorrente e até uma característica da história da América Latina, desde quando as guerras de independência deixaram os Estados frágeis, incapazes de reprimir as investidas para a tomada do poder e então, muitos governantes tiveram momentos de redução significativa da expectativa do poder que exerciam.
A fragilidade política é ruim e é frequentemente utilizada como subterfúgio para propostas de golpe de estado, mudanças de regime, crises econômicas e muitos outros processos que desafiam a normalidade do estado.

Em termos simples, a democracia brasileira não corre risco, porém é inegável que estamos vivendo um momento de fragilidade política. O estado cumpre suas funções com certa fraqueza e instabilidade, com capacidade administrativa meio caótica, conflitos de interesses e corrupção no entorno dos órgãos governamentais, envolvendo além de servidores, políticos e empresários privados. Um estado de coisa mais do que suficiente para fragilizar o Estado e não para corroer as bases da democracia.
O Estado brasileiro tem se mostrado abstinente em relação a vontade de fazer política e com isso os elementos que expõem a fragilidade ficam mais à mostra; o diálogo é substituído por pressões, revanchismos e ameaças. Talvez a longevidade concedida pelo instituto da reeleição seja um mal que vai se alastrando ao longo do tempo e acaba não melhorando as condições de desenvolvimento, além de recrudescer a prática da corrupção.
A sociedade demonstrou lá atrás, sinais de insatisfação e clamou por mudança, contudo o segundo mandato da Presidente Dilma mal começou e enfrenta sérias dificuldades; perde apoio político e delega completamente a política econômica ao Ministro Joaquim Levy e as negociações políticas, ao vice presidente, Michel Temer.

Cientistas políticos sublinham que uma causa provável das turbulências é a incongruência entre a agenda escolhida pelos eleitores nas urnas e a implantada depois pelo candidato vitorioso. Ou seja, depois de eleito, o governante atropela a agenda proposta e define outra. As consequências desta prática são perversas para a democracia na medida em que as preferências dos cidadãos são violadas.
A fragilidade política do governo existe em razão de sua própria natureza, falta de paciência para dialogar e também devido a magnitude dos desafios que tem de para superar a fim de obter um acordo concreto que garanta a governabilidade com a principal força aliada, o PMDB, partido do vice-presidente Temer.
Parece certo que um gatilho dispara outro e assim sucessivamente. Os problemas parecem infindáveis. Há múltiplos fatores que afetam a instituição do Estado e muitos destes fatores reforçam e sobrepõem-se uns aos outros e atiça outras instituições a movimentarem seu potencial de impacto para promover mais drama. Vê-se que aqui e em toda parte é assim que a política está funcionando. Gestando um imbróglio atrás do outro.
Há um longo caminho pela frente. A presidente conta com apoio profundo entre os beneficiários dos programas de erradicação da pobreza. Passando o escândalo da Petrobras a limpo, Dilma terá uma chance de reformular a presidência em torno de questões positivas, como a educação.

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