Discreto silêncio

Aprendi a calar-me enquanto sou assediada pela dúvida e pelo estranho caráter da contradição dos meus pontos de vista. Falta-me respostas essenciais sobre direitos humanos, sobre a paz, sobre a ética e bondade; sobra a desconfiança de que esta conjuntura inquietadora, cheia de angústia é estéril e dá sono se não se pressentem soluções.

Quando muitos se aventuram a diagnosticar o que não entendem, a propagar boatos rasteiros, eu encolho-me para passar incólume a este estado de degenerada expectativa, vendo os mesmos homens passarem uns por cima dos outros e depois espetacularmente unirem-se no vicio nacional de traírem-se uns aos outros. Traem em troca de Ministérios, mistérios e boa vida.

O que verdadeiramente me cala são os voos razantes dos bons comerciantes, que agora se acham os tais que podem adocicar a aspereza do mundo; são candidatos reluzentes que advogam menos impostos…para quem? Eles próprios!

Não hei de ser impaciente e querer indicar os fatos proeminentes do nosso tempo, mas por certo causa espanto as teorias delirantes, o achismo dos que agora, beirando uma eleição colocam suas vozes sem erudição para ora exaltar conquistas, ora denegrir invenções prodigiosas que merecem ser reconhecidas.

Quando tudo tem que ser light, ligeiro, mainstream, mundo-tela e cultura de marcas, não tenho nada a ver com isso; mantenho apreço pelo valor do  silencio, para não reprimir o que já está colocado e para não viver em deslocamento contínuo rumo ao mundo das coisas fora de moda. Mas nossa época, em conformidade com a cultura do privilégio faz muito pampeiro. Acredita voce que os garimpos não mais podem pertencer aos garimpeiros?

Estamos presos as novidades. E como espectadores, não temos boa memória nem consciencia. A linha que separa uma vida de significados e frivolidades é muito tenue. Evidentemente há excessões. Mas falar o que se pensa só para quem le muito antes de pensar.

Formas criativas de cultura existem fora do ambito das redes sociais,e dos roteiros de jogos e filmes, mas é preciso estar com apetite para experimentar, com senso crítico, um conteúdo novo. O discreto silencio é para não ser alarmista e descrente quando riem-se da intimidade de uns, alardeiam sensacionalmente as fraquezas de outros, sendo que não há mais vida privada e a pública tem-se tornado um conceito indecente.

O povo, quando não tem esperança nem garantias de salvação, começa com as argumentações que se estendem e se prendem a toda sorte de explicação da comédia de sempre; onde os homens privilegiados aguardam o momento de exibirem suas medalhas, o que Ricasoli, um político italiano combateu no parlamento, dizendo:. “A Pátria está fatigada de discussões estéreis, da fraqueza dos governos, da perpétua mudança de pessoas e de programas novos.

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