Eu não sou um homem, sou um irmão

E por que devo me interessar pela fraqueza dos outros? O leitor tem direito a ficar incrédulo, mas digo: sejamos verdadeiramente pelo outro; façamos do fraco, forte, façamos o silencio falar, deixemos a necessidade do outro nos comandar, tomemos responsabilidade pela vida do outro nos momentos mais sombrios, nas lutas mais difíceis.

Diante da profunda desconfiança causada pelo individualismo contemporâneo, você pode despertar ou pode não despertar e continuar aparteado dessa proposta de responsabilidade pelo outro, porém, além do alarme de que estamos vivendo a era do vazio, onde o indivíduo maneja sua existência como bem quer, posso demonstrar que minha emancipação não está comprometida com a submissão e emergir para a sensatez, readmitindo o outro como o próximo.

Nem sempre rende votos a construção de hospitais e escolas, o acolhimento aos imigrantes, a defesa de políticas de proteção à criança e ao adolescente e às mulheres vítimas de violência. A visão conservadora persiste neste mundo, que é um lugar imperfeito, que finge que não sabe que não é a pobreza a causa das catástrofes estruturais, são os governos que não erradicam a pobreza, por que esta, alinha-se às promessas no discurso político, é a massa que rende boa manobra e então, por ato deliberado, os governos não avançam realmente em direção ao problema.

É apenas um exemplo. Dias atrás os jornais estamparam a notícia de que as Santas Casas de Misericórdia de várias cidades poderiam fechar devido ao problema crônico da falta de apoio. Se os governos não se dispõem a cobrir-lhes os custos, devemos ser tocados e movidos para alterar esta realidade. Devemos doar tempo e energia e quem pode, doar algo mais, para que o atendimento não seja paralisado. Não é justo milhares de olhos nos encarando, crianças nos braços de suas mães implorando pela vida e virarmos às costas. As Santas Casas servem a quem? Basicamente aos mais pobres!,

Estamos cientes que problemas estruturais não se resolvem com doações esporádicas ou esmolas, tampouco com ideias simplistas; é preciso que nos coloquemos contra a parede para assumirmos compromissos com as causas sociais, é necessário que estejamos conectados por um fio inegável de amor e não importa se estamos lutando apenas por uma possibilidade ou, por esperança.

Há luz! Há bons homens!  E vale a pena ser bom com os outros, sem a obrigação moral, sem a expectativa de reciprocidade, mas porque a minha ética me guia para ações que possuem sentido e significado, porque a minha liberdade consegue construir em cima da desconfiança do outro.

A ética pós-moderna pode ser a ética do amor. E o amor, sempre encontra um meio de reafirmar-se vivo.

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