Guerra política

Numa estrutura extraordinariamente burocrática, ineficiente e atrasada, os homens prosperam em corrupção. Não um partido, não um homem, mas muitos homens que integram o emaranhado sistema partidário brasileiro.

Não existe política partidária coerente no país neste momento. O vice presidente Michel Temer tenta manter o controle de pelo menos metade da bancada do PMDB, os presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado estão na lista dos que estavam se beneficiando dos subornos do escândalo de corrupção da Petrobrás. O Partido dos Trabalhadores e a presidente Dilma, enfraquecidos não se entendem.

Menos de um ano do início do segundo mandato, a presidente Dilma vê o pedido de seu impeachment ser aceito pelo presidente da Câmara Eduardo Cunha e ganhar contornos indecifráveis nos próximos episódios, já que uma pesquisa feita recentemente pelo MDA Pesquisa indica que 59,7% dos entrevistados querem a saída da presidente. É certo que a corrupção causa indignação e que ver políticos utilizarem bens públicos como se fossem patrimônios particulares causa não apenas indignação, mas náusea.

Todo esse compadrio existente entre parlamentares é sinal de negociata, de toma lá, vota cá. E isso tem que acabar.

Cunha, dissimulado, disse em entrevista que ele não estava feliz com a aprovação do processo de impedimento contra a presidente, mas que não poderia perder a oportunidade de colocar em pauta esta questão tão discutida em todo país, nos últimos meses. Assim o fez o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), um político que ganhou notoriedade após assinar a autoria do ultrajante projeto  que institui o “dia do orgulho hétero” e pela movimentação de robustos valores nos bancos suíços, provenientes de intragáveis subornos em conexão com a corrupção da Petrobrás.

Tem muitos pupilos espalhados na bancada denominada BBB: Bancada do Boi, Bíblia e Bala. 342 destes ilustres senhores são esperados a votar favoravelmente ao impeachment da presidente, após serem instruídos por membros da Comissão Especial do Impeachment, composta, entre outros por Eduardo Bolsonaro e pelo pastor Marco Feliciano. ( A comissão foi suspensa  pelo Supremo Tribunal Federal até dia 16 de dezembro, porque a escolha de seus membros deu-se em votação secreta, o que não está prevista nem no regimento interno da Câmara, nem na Constituição Federal).

Percebem que até para votar um pedido de impeachment contra a presidente, acusada de atos de corrupção, o fazem burlando a lei? Os líderes de 10 partidos pró-impeachment estão em campo, coletando assinaturas e cooptando adesão de outras siglas. Em entrevistas afirmam que contam com apoio de 280 parlamentares até o momento.

Bizarro mesmo é o PMDB, cujo vice-líder Deputado Darcísio Perondi, afirma que dos 66 membros da bancada, metade é a favor da aprovação do impedimento, que beneficia diretamente seu presidente, Michel Temer, vice-presidente da República do Brasil, outra metade, contra.

Se aprovado na Câmara, a votação segue para o Senado e a presidente ficará afastada do cargo até o fim do processo, ou até por 6 meses

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