Pequenas intervenções

Nós estamos juntos nesse grande mistério que é viver. Nós caminhamos, corremos, dançamos e descobrimos que a vida é um presente maravilhoso para ser compartilhado entre os iguais e diferentes. Os desafios que enfrentamos são sérios e são muitos. Eles não serão vencidos com facilidade ou num curto período de tempo. O que desejamos nem sempre é possível, por isso temos que saber esperar, renunciar, sem alardear.  A cooperação deve substituir o conflito na construção de relações políticas saudáveis, de modo que as pessoas possam desfrutar do direito a ter direitos em todas as esferas da vida. Ainda estamos a aprender a ser um todo, a ser uma coisa só.

Se queremos crescer, temos de estar dispostos a aceitar uns aos outros em um nível mais profundo do que temos feito até agora. Temos de estar dispostos a unir as faces das diferenças de crença e de perspectiva. Ainda que dotada de certa inquietação e insubordinação numa sociedade marcada por porteiras e fronteiras, discorro sobre os poderes extraordinários dos seres humanos, que mantém-se no limiar do que pode ser explicado, dentro da moralidade ortodoxa que nos vigia.

Nós temos condição de converter nossas histórias, que tem poder de sedução para encantar os jovens. Acho que não deveríamos perder este momento. Não estamos aqui para sermos um fardo pesado ao planeta, ao próximo; estamos aqui para criar um mundo novo; uma sociedade nova que opera baseada no amor e na aceitação do outro e nesse sentido, mesmo as perspectivas mais estranhas podem ter algo genuíno para nos oferecer. Acredito nas pequenas intervenções, no poder das pequenas histórias.

Se estamos seguros de nossas crenças, a filosofia de outros não terá influência sobre o que pensamos, todavia, merece ser ouvida e entendida com respeito. Devemos nos deixar conduzir pela magia sob o pretexto de que é necessário aceitar o diferente, com a riqueza de seus pontos de vista. Na vida, as peças vão se encaixando, os pedaços se juntam para formar o todo, em ordem para que todos possam se sentir confortáveis compartilhando sua peça no quebra-cabeça. Vamos aprendendo que as nossas diferenças exteriores não devem nos manter divididos.

Apesar de nossos vários pontos de vista, temos que estar dispostos a escolher um novo modo de vida sobre o velho e fazer um esforço para preencher a lacuna que começa a se formar entre os vários campos da nossa individualidade. Um dos aspectos mais difíceis da vida é crescer intelectualmente, abrir-se, deixar-se impregnar pelo conhecimento, ver o mundo considerando sua multiplicidade espetacular, encantar-se com a simplicidade das pessoas e então, promover pequenas intervenções no mundo interior, para não ficarmos divididos entre o fascínio e a desilusão no ano que vem.

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