Janela para o diálogo

Ao exercer a cidadania, naturalmente assumimos ares de engajamento político e isso sinceramente não é algo que emerge como se fosse da nossa natureza. É sim, um exercício cultural de realização adotado por indivíduos que interagem significativamente e puxam o debate para si. Na política nada se move ou acontece que não seja por articulação, cobrança e mais cobrança.

Lutas de décadas para consolidar a democracia, para garantir lugar mais amplo para o envolvimento de sociedades plurais na elaboração de planos de governos e estes são sistematicamente abandonados e substituídos pelas velhas práticas do toma lá, dá cá. Tem que cobrar? Tem!

A participação dos cidadãos no desenvolvimento de políticas ou no acompanhamento da prestação de serviços são disposições que dão visibilidade para uma sociedade civil vigorosa e vibrante. Os governos brasileiros tradicionalmente convivem bem com críticas, cobranças, demonstrações públicas de apoio e repúdio e o povo tem conseguido dar o recado, ciente de estar vivendo simultaneamente as duas piores crises; política e financeira.

Não somos espectadores. Somos os protagonistas de nossas existências e responsáveis por manter a vida dentro do padrão que acreditamos ser ideal, somos responsáveis por expressar ideias e defende-las com argumentação séria e procedente.

Janelas precisam ser abertas para o diálogo e não apenas para permitir troca de partido. Não devemos assistir inertes os preços subindo a níveis descontrolados, a corrupção levando para o setor privado recursos que deveriam abastecer políticas públicas, das quais muitos se beneficiariam. Não há como não nos envolvermos nas tomadas de decisões, pressionando a classe política, que em tese nos representa nas esferas mais altas na corte estadual e federal.

Cidadãos e governantes são atores inseparáveis. É pior se você pretende ignorar a política, não tomar conhecimento das audiências públicas que são realizadas, dos movimentos sociais e sindicatos que lutam por determinadas categorias. Parece razoável sugerir que o exercício para desenvolver a cultura do engajamento político comece nos pequenos agrupamentos de amigos e familiares e nas reuniões de organizações sociais.

A participação dos cidadãos nas decisões políticas é a base da democracia. E a democracia, como um processo de liberdade em construção, deve ser recalibrada e re-imaginada sempre que o caminho da política não nos ofertar serviços públicos decentes, educação de qualidade, acesso ao sistema de saúde, entre outros.

Num discurso inovador, o primeiro-ministro inglês David Cameron disse que em sua visão de grande sociedade (Big Society) é imprescindível o governo adote abordagem totalmente nova para governar; envolvendo a comunidade e os funcionários públicos nas tomadas de decisões. Em termos gerais, a medida evita pressões, cobranças dos cidadãos quanto aos serviços ofertados, além do interesse real de entregar melhores serviços a população.

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