Quem cala nem sempre consente

Calar-se nos dias de hoje, longe de significar consentimento é minha maneira de não permitir se rotulada “coxinha” nem“petralha”. Engraçado, mas ocorreu agora, que posso estar vivendo num limbo político.

Não concordo com a polarização de rótulos, não acredito que temos capital humano que possa nos tirar da crise com saída política honrosa, num curto tempo. E não concordo que tenha que ser o Judiciário a nos dizer: “Olha, os políticos não tem capacidade de governar com a virtude da honestidade, então, tratamos nós de regular-lhes os vícios e ditar-lhes as regras da governança”.

A ética na Justiça é um valor igualmente capenga.

Calar-se é um sinal de diferenciação quando todos gritam, quando todos tem uma receita milagrosa para a crise. Confesso que de xingamentos e milagres não entendo não. Porém a democracia sobreviverá mesmo estando nossas vidas sob ataque da paralisia governamental, com nosso presente comprometido pelas falhas de um governo inábil para lidar com os pilares da vida pública: economia e política. E raramente vamos corrigi-las no mesmo tempo verbal. Porém não podemos viver sem acreditar em alguma coisa, ainda que seja fora das nossas possibilidades imediatas.

Não há como negar que o momento é de certo desencanto, de perda da certeza, de um individualismo absurdo, onde cada um a seu modo, tenta ser protagonista de uma cena mais bizarra que a outra. Vi amigos liderando movimentos, dei-lhes crédito pelo espírito político altruísta, mas estavam apenas advogando em causa própria e já mostram que o altruísmo tem seu preço.Na onda, já se lançam candidatos a vereador. Num caminho paralelo, que talvez peque pela não transversalidade com os acontecimentos atuais, prefiro fazer escolhas autônomas, dentro do arcabouço da minha crença de viver com coragem e independência, sem preocupar-me em agradar ou constranger os que me cercam.

A pós modernidade é entendida como uma condição de fluxo constante. Onde avançar para um estado diferente é a única possibilidade. Se a política estáradical e agressiva é porqueos políticos aceitam todas as condições e se orientam por más intenções.

Porém, se nós pudéssemos nivelar as diferenças veríamos que quase todos lutamos pela mesma coisa; pelo ideal de romper com o desconforto de viver uma vida pequena, sem perspectiva no presente. Porque o presente é tudo que temos.E nossa racionalidade mostra que ele não está funcionando adequadamente e deve ser reformado.

O sociólogo polonês ZygmuntBauman, ao discorrer sobre momentos de crise diz que os otimistas acreditam que este mundo é o melhor possível, ao passo que os pessimistas suspeitam que os otimistas podem estar certos. E existe uma terceira categoria: pessoas com esperança. Eu me coloco nessa terceira categoria.

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