A vida caça jeito

Quando se conta uma piada interessante pela primeira vez para um determinado grupo de pessoas, todos riem muito. Ao contar a mesma piada para o mesmo grupo pela segunda vez, poucos riem. Ao contá-la novamente para o mesmo grupo, ninguém mais ri.

Assim estamos nós; reclamando das mesmas coisas, da política à vida amorosa, dia após dia. É preciso reagir aos acontecimentos, aprimorar os argumentos, ceder, mudar, avançar para um estado de coisa sem essa velha fragilidade de temer as turbulências ou mudanças.

Eu sou resmungona e ás vezes repetitiva como muitas pessoas. Eu reclamo por impaciência de ter discutir os mesmos problemas todos os dias, sem nenhum fato novo para dar combustível a novas leituras. Eu resmungo por sou incapaz de considerar normal essa bagunça que virou meu país.

Mas sinceramente? É hora de lembrar que nada muda da noite para o dia, nada muda se não mudarmos nós, se não sairmos do estado de paralisia e negatividade, se não aprendermos a colocarmo-nos numa posição de indivíduos merecedores de respeito. O que sempre foi assim, não tem que ser assim para sempre.

Não devemos ignorar a existência das crises pelas quais passamos, tampouco viver como se não houvesse amanhã, senão as coisas podem ficar muito pior antes de melhorar. Queixar-se não é necessariamente o primeiro passo para a mudança se a insatisfação não encontrar um meio de ecoar. Assim como o inverso, calar-se e aceitar a situação ruim e aprender a conviver com ela, ajuda a perpetuar a insatisfação. Devemos prestar atenção nas mensagens que transmitimos e ouvimos. Pessoas muito rápidas para criticar e julgar não se interessam e não são respeitosos com o ponto de vista dos outros.

Há pouco vimos o quanto os políticos são intolerantes e arrogantes uns para com os outros quando divergem ou tem seus interesses contrariados. São homens birrentos! E não tomemos nós essa divergência como sinal de liberdade. Nesse caso é birra mesmo! É a forma como se trata a política, as demandas do povo, os interesses do País. O contexto político atual segue frágil e despadronizado, embora gozemos de uma democracia que resiste bravamente ao processamento dos desmandos, da pessoalidade e da falta de ideias novas.

Os partidos permitem qualquer acordo, entendimento, coalizão imediatista para conquistarem a condição para governar. E repetindo sempre a mesma cantilena, dizemos que esse comportamento faz parte da dinâmica política e que o abraço entre amigos e inimigos é um gesto natural já arraigado no cenário político brasileiro. Consideramos porém, que alianças mal explicadas apenas agrega gente, porém enfraquece o cenário pela calibragem mal ajambrada.

Poucos políticos ainda buscam orientação pragmática substancialmente voltada para os interesses da sociedade, dentro de siglas que não tem identidade nem capacidade para controlar seus filiados comuns, imagina então, os que detém mandato.

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