Homens toscos

Não entendo a política como algo engraçado. Não consigo rir dos milhões de piadas e memes que retratam o momento político que vive o Brasil. Quando muito deveríamos chorar por alguns casos e nos envergonhar da maioria deles.

Fazer humor requer sagacidade, inteligência e citações como “tchau querida / tchau querido” estampadas nos veículos de comunicação demonstram exatamente a que ponto chegou-se as brincadeiras com questões sérias.

Eu vejo que os próprios políticos constroem minuciosamente suas charges, e reproduzem com suas assessorias aquilo que pode soar contraditório, forte, tosco e que o diferenciará dos demais. É uma diferença medida de ponta cabeça: por aquilo se tem de pior, que pode causar repulsa, martelar a mente dos desavisados que creem nas bobagens que mandam divulgar.

A obsessão de ficar na mídia, de ocupar espaços conservadores, demagógicos e que patrocinam a promoção pessoal é moda eterna. Como crer que um indivíduo como o deputado federal Jair Bolsonaro diz a verdade quando afirma que prefere ter o filho morto a sabe-lo homossexual? Ou quando esbraveja dizendo que não estupra uma colega deputada porque esta não o merece? Quando diz que seus filhos jamais se casariam com mulheres negras porque são jovens educados e não vivem em ambientes promíscuos?

Como levar a sério um indivíduo que incentiva os fazendeiros do meu Estado a se armarem com fuzis para combater as invasões? Como levar a sério um deputado que sequer conhece as leis brasileiras e do púlpito do Congresso desembesta a fazer elogios a um militar torturador e assassino nos anos da ditadura, sobre a qual Bolsonaro dispara: “O grande erro da ditadura foi torturar e não matar”. Nos dias atuais, o deputado ainda prega a necessidade da tortura, do pau-de-arara e da porrada, para se conseguir confissões.

A América tem produzido tipos estranhos. Um Bolsonaro aqui, um Trump lá. Um homem que quer matar todos os mexicanos, construir muros para barrar a migração; que diz que as mulheres são objetos sexuais e que todos os americanos devem fazer de “tudo” para seguirem seu modelo de beleza: “a riqueza”. Diz-se contra casamento homossexual e favorável ao casamento tradicional.

Entretanto, casou-se três vezes. Faz elogios inadequados a beleza da própria filha e diz sem rodeios que se ela não fosse sua filha, sairia com ela; faz paródia sobre mulheres, minorias e aquecimento global. Quanto ao clima, Trump diz não crer na tese de aquecimento global porque ainda neva em Nova Iorque. Não, não é para rir!

Essa teatralidade, o acinte não é nada novo. Há um palhaço de profissão na Câmara Federal e ele faz troça de seus pares no episódio chocante da votação do impeachment. Mas isso vale. Essa é a profissão dele. Quanto a nós, retratarmos esses homens como figuras toscas não basta. São indivíduos dados à galhofa, à farra e ao deboche. São reacionários que trocam agressões verbais e plantam sandices com o intuito de “causar” e de intimidar.

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