Juizes das nossas próprias causas

O melhor de nós construiu-se às custas de muita luta, resignação, determinação, estudos, reuniões, esperas, tentativas, derrotas, persistência, vitória fragmentada, alegria e amor. O ritual de iniciação dá-se de forma variada, com bons exemplos ou maus exemplos, violência ou proteção.

A verdade é que ainda vê-se muito do estado de natureza no mundo pós-moderno; guerras por todos os lados, Justiça sendo feita pelas próprias mãos, povo sem governo.

Estado de natureza é o que o filósofo inglês Thomas Hobbes argumenta como sendo uma condição de vida sem governo, um estado permanente de guerra, desconfiança que não garante a realização de nenhum dos fins que consideramos importante para a nossa sobrevivência.

A condição de natureza é um estado sem julgamento, em que não há nenhuma autoridade reconhecida para arbitrar disputas e fazer cumprir as decisões. Assim como hoje, a falta de governo convida ao conflito, alimentado pelos desacordos, pela falta de diálogo e pela desconfiança defensiva, que leva ao ataque diante do medo de ser atacado.

Hobbes diz que: “onde falta autoridade política, nosso direito fundamental é salvar nossa própria pele, por qualquer meio que julgarmos adequado. Onde existe autoridade política, nosso dever é bem mais simples: obedecer quem está no poder”.

Tomadas em conjunto estes pressupostos assustam. O estado de natureza em Hobbes é pessimista, trata os homens como seres interesseiros e egoístas, mas não simplesmente isso. A própria vida seria uma busca egoísta da realização dos desejos e no caminho para concretiza-los, os homens subjugam, exploram e destroem todas as forças que se colocam como obstáculo.  Mas o que temos vivenciado senão um mundo assolado pelo ódio, pela crise econômica. tensão política, competição e ganância pelo uso dos recursos naturais e tentativas de dominação de um povo sobre outro?

Os homens se levantam uns contra os outros movidos pela concorrência, pela desconfiança, pela inveja, pelo desejo de prosperar a qualquer custo.  Porém, havemos de entender que nascemos todos iguais: frágeis e vulneráveis! E a este estado voltaremos na velhice.

Somos facilmente desviados das tentativas de melhorar o mundo que nos rodeia, porém a vida pode melhorar. O processo de estabelecimento da harmonia inicia-se de dentro para fora, com a desconstrução dos valores negativos do estado de natureza.

Se no estado de natureza cada pessoa é livre para decidir por si própria, nós podemos decidir sobre o que precisamos com parcimônia, o que é devido com senso de justiça, o que é respeitoso, prudente sem temer sermos subjugados, atacados ou invadidos. Desacordos de pontos de vistas acerca de religião, questões comportamentais, preferências, não precisam ser conflituosos. Respeito basta!

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