Questão de gênero, sim!

As mulheres não devem entrar na política apenas para preencher a cota percentual exigida por lei aos partidos políticos que, desde 2009, é fixada em 30% dos candidatos a cargos eletivos. Há projeto de lei tramitando na Câmara e no Senado tentando ampliar esse percentual para 50%.

Ainda que as mulheres brasileiras representem 50,8% da população, 51% do eleitorado, no século XXI, ano 2016,  tem que mendigar espaço nos cenários políticos.

Em muitas outras partes do mundo contemporâneo, esse estado de coisa é superado e as mulheres sentam-se à mesa dos grandes líderes, como profissionais igualmente capazes de liderar importantes ministérios ou secretarias de estado.

No Canadá, o primeiro ministro Justin Trudeau tem a metade do seu governo formado por mulheres, observou ainda a representação indígena na composição do quadro. Quando foi perguntado porque a divisão de gêneros nos ministérios foi igualitária, ele respondeu: “porque estamos no ano de 2015”.

O governo do inglês David Cameron é um recordista em número de mulheres a ocuparem cargos no primeiro escalão no Reino Unido. São 7 mulheres no Conselho de Ministros. François Hollande segue também com 7 mulheres entre os ministros.

Os Estados Unidos, sob Barack Obama tem 15 secretarias de Estado e 7 são tocadas por mulheres. Na Austrália, o primeiro ministro Turnbull tem 5 mulheres ocupando ministérios; Mauricio Macri, na Argentina tem 4; no Chile, sob Michele Bachelet, de um total de 23 ministros, 8 são mulheres.

O que está acontecendo por estas bandas onde nenhuma mulher preencheu o requesito para ser designada ministra se unanimemente as estratégias globais são focadas em potencializar o compromisso com a igualdade de gênero? É difícil crer que mulheres não foram chamadas porque “isso” não tem relevância.

Claro que tem! Até por uma questão simples de proporcionalidade representativa para não falar da natureza diversificada que devem ter os governos democráticos, com a comprovação de que ambientes de decisões plurais produzem resultados mais justos.

Mais ainda, como esperar que a economia, que a educação, saúde e outras áreas prosperem se mais da metade da população está excluída do processo decisório da construção do novo governo?

Diante desta constatação vamos tomando como verdade a mensagem de que o jogo político é um jogo de oportunidades só para homens, preferencialmente brancos, para governar uma das nações etnicamente mais diversa do mundo.

Pior ainda quando explicam que a escolha dos ministros foi baseada no mérito. Só ELES tem mérito?

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