Defesa da política

A beleza que reside na política é a interlocução, o aprender sobre as necessidades dos outros, legislar ou executar para lá na ponta, beneficiar quem não tem voz ou liderança para fazer-se ouvir; a política é uma atividade que, em tese, reconhece a existência das diferenças em quase todos os aspectos da vida dos indivíduos; das opiniões aos interesses; sendo assim, afirma-se como instrumento perfeito para expressar a contradição entre discordância e reconciliação. A política em si não corrompe o ponto de vista de quem é firme.

Veja a atitude do Governador do estado americano de Minnesota depois da violência de policiais contra negros americanos e depois de um negro contra policiais. Ele admitiu em entrevista à imprensa, que o cidadão negro Philando Castile, não teria sido morto pela polícia, numa abordagem para checar documentos, se fosse um homem branco. Encarou a verdade e pronunciou-a, mesmo constrangido.

Qualquer conversa sobre projetos políticos deve começar sem preconceitos de forma generalizada contra os políticos. Há de se condenar homens que praticam a arte da política desviando-se do propósito de ouvir, ecoar e compartilhar o grito da sociedade por justiça isenta de cor e gênero, por educação de qualidade, saúde pública de fácil acesso, segurança para sair e chegar em casa vivo depois de um dia de trabalho. Isso é de responsabilidade de agentes políticos, sim.

Estamos a viver momento que oscila entre a esperança e o medo. E isso não faz bem aos políticos, tampouco aos não políticos. O medo se justifica diante de governos burocráticos, que justificam suas ações sob o jugo de um estado que resolve os conflitos fazendo contas, como se governar fosse meramente administrar finanças. Certo que para agir socialmente depende-se da saúde financeira, mas não tão somente dela. Assim, a política pode ser uma arma desorientadora.

Políticos nem tudo podem fazer. Embora as práticas sejam confusas, os indivíduos tem que resolver seus problemas particulares entre os seus, reconhecendo as restrições legais que os políticos tem para se envolverem efetivamente em situações de assistências pessoais. Nas limitações reside a moral que freia e por outro lado, a desvantagem de não ser compreendido quando diz “não”. Concordo que político não deve auto promover-se ou alterar o signo para expressar simpatia e consentimento o tempo todo.

Este tem sido um século complicado, que traz latente a preocupação imensa com o mundo, no qual nossos filhos e netos estão crescendo, porque sinto que não cabe mais a nós protegê-los e que o amor, por mais imensurável que seja, pode não ser suficiente para sustentar nossas orientações. E poderemos ser cobrados: “O que você fez com meu futuro? O que você fez com a sua vida?”

Eu não gostaria de permanecer em silêncio.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s