Não existe base

As campanhas eleitorais devoram tempo, energia e muito recurso. Os momentos que antecedem as convenções são tensos, instáveis e criam uma divisão generalizada entre membros dos partidos e a própria população. Especula-se muito, propaga-se, propositadamente, certos nomes como forma de avaliar a aceitação da pessoa como candidato, ou faz-se conjecturas de possíveis coligações.

Os ciclos eleitorais quase não se fecham. Termina uma eleição já estamos envolvidos em outro momento de ebulição das críticas, das discussões, das promessas. É preciso ouvir, refletir criticamente sobre os problemas que enfrentamos sem radicalismo e sem esconder-se atrás do escudo da neutralidade.

Momentos eleitorais demandam decisão. Porém, nem sempre pode-se declarar a preferência. Para preservar-se e preservar emprego sobretudo.

O período é conturbado. As pessoas atacam a partir de suas perspectivas ideológicas, o que dificulta compreender com precisão como o jogo esta sendo jogado. Nada se sabe ao certo. E essa é a tática. Usar termos abstratos, evasivos para não dar “nomes aos bois” e proteger o projeto.

Amigos se estranham. São colocados de lados opostos num jogo onde grupos entrincheirados ditam as regras nos bastidores. À luz, faz-se silêncio, prometem ouvir e respeitar “as bases”. Nas convenções e momentos pré-convenções, onde os acordos são firmados, não existe base. A maioria dos eleitores são incapazes de exercer qualquer influência apreciável nos debates e nas tomadas de decisões. Os partidos vem para as convenções com chapas fechadas, martelo batido!

Os nomes dos candidatos a vice-prefeitos são experimentados dependendo do grupo onde a conversa acontece. Cada nome que nada agrega! Minimamente deveriam ter votos, dinheiro, bom trânsito no meio político, serviço prestado à cidade. Vice é posição importante dada as vicissitudes da vida, dos projetos, das possibilidades futuras. Exemplo? Michel Temer.

Os nomes dos vereadores que já se lançaram somam o triplo das vagas que as Câmaras municipais oferecem. E todos postam-se vitoriosos. Como? Mentindo para você! Ninguém sai do nada, do mais puro anonimato sonhando ser vereador.

Tem que haver um certo nível de comprometimento, um passado dedicado a alguma causa social, um campo de conhecimento que permita pelo menos discernir o que é atribuição do legislativo municipal. Muitos candidatam-se mirando cargos no executivo municipal, outros simplesmente compram  votos.

A política como ciência não pode insultar a inteligência do eleitor, causar constrangimentos com simplificações de questões complexas, com formatação piegas e omissões. Tampouco pode esgotar nossas capacidades intuitivas de buscar alternativas além da dependência do poder político.

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