Mistérios da morte e vida após a morte

Milhares de pessoas passam pelos cemitérios no dia de Finados desde que a data foi institucionalizada a partir do século 13, para prestar homenagem aos parentes e amigos que partiram. O Livro Tibetano do Viver e do Morrer ensina que está na natureza de todas as coisas que tomaram forma, se dissolverem novamente.

O ensinamento Budista destaca que no momento em que atingimos maturidade espiritual entendemos a vida como um processo onde todas as coisas são impermanente e imutáveis e, que o ciclo da existência há de cessar a qualquer momento.

Assim como é natural que pessoas que amamos morram, é natural que o sentimento de dor passe. Seja qual for o sentimento que estamos experimentando, vai passar.

Ao morrer, os corpos são reabsorvidos de volta à essência dos elementos que os criaram, então, o corpo material se dissolve em luz e desaparece completamente. É um processo conhecido como o “corpo do arco-íris” ou “corpo de luz”.

Os mortos tibetanos recebem ajudas espirituais por 49 dias, período em que o espírito passa por 3 estágios, chamados bardo. Parentes e amigos se revezam em atividades respeitosas, silenciosas para auxiliar a família a suportar a perda, para homenagear o morto com ofertas de significados profundos e orações em seu nome. Passado os 49 dias de preparação, a morte, que é inevitável, pode não significar o fim.

Os povos indígenas do Xingu compartilham a visão de que os mortos não querem ver os vivos agindo de forma triste ou que se isolem. O ritual do Kuarup é uma reverência belíssima aos espíritos dos mortos, para agradecer pela convivência e libera-los para viverem no mundo dos espíritos.

Como nos anos anteriores, meu pai, 91 anos, viajou 500 km para visitar o túmulo do filho, porém, chegar ao cemitério localizado próximo ao bairro Parque Cuiabá foi uma saga no mínimo, intrigante. Trânsito completamente engarrafado. Como a pista é larga, formou-se duas filas, que a todo minuto sofria a intervenção de um motorista sem consciência, que tentava ultrapassar pela direita, pela esquerda, pelo centro. Derrotado, entrava na fila e seguia o cortejo.

Plástico, tocos de cigarros, papel, pedaço de comida eram atirados pelas janelas. Carros cheios de crianças, nos quais os pais descontavam o estresse que estavam enfrentando em mais de 1 hora para se percorrer o trecho. Ao longo do caminho, tudo lhe é oferecido: velas, flores de plástico, refrigerante, cerveja, frango assado, sim, havia duas máquinas de assar frango ao longo do caminho.

Lá dentro, espaço com densa área verde, que inspira o silêncio, a quietude. Mas que nada!  Pessoas passam para lá e para cá, olhando as fotografias nas lápides fazendo comentários.

Mulheres arrastam crianças agarradas aos salgados e latas de refrigerantes. O fogo arde ao lado porque as velas são acesas em lugares impróprios, apesar de haver por toda parte, os espaços seguros para acendê-las.

Seja qual for o significado que se dá a este dia, a educação, o respeito e a serenidade são os componentes a existir em qualquer hipótese, sobretudo quando somos tangidos pela glorificação da dúvida quanto ao supremo significado e mistérios da vida e da morte e da vida após a morte.

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