O círculo vicioso da violência

Dia 25 de Novembro, foi instituído o dia Internacional da Eliminação da Violência Contra a Mulher. Uma semana antes, a apresentadora da TV portuguesa Cristina Ferreira, lançou o livro “Sentir”, no qual revela ter sido assediada sexualmente em vários momentos de determinadas fases de sua carreira.

Não a conhecia, tampouco li o livro, mas assustei-me com os comentários que li logo abaixo da matéria sobre o lançamento do livro.

Muitos, inúmeros homens demonstraram ignorância e conduziram as palavras pelo caminho da brutalidade. Concluíam, sem nenhum constrangimento, que via de regra, as mulheres reclamam, mas gostam de sofrer assédios e que somente conseguem ascender profissionalmente, as que se sujeitam a dormir com seus chefes, em troca de favores e promoções.

Razão esta, segundo o comentário, que leva os rostinhos bonitinhos e atributos mais abaixo, serem altamente levados em conta na hora das contratações.

Alguns senhores, pude senti-los irritados, chegam a dizer que as mulheres já deveriam estar acostumadas e saber lidar com o assédio e aceitá-lo como parte natural do processo de ascensão profissional feminina. Outros, sem perder tempo argumentando diz que isso tudo é invenção da cabeça histérica das mulheres para irritar os homens.

Causa-me estremeção a mentalidade misógina que existe arraigada nas sociedades de quase todas as partes do mundo. Entendo que o tema não pode ser tratado com leveza. É inaceitável a tendência de desvalorização ou banalização do ato do assédio, dos olhares insinuantes e comentários jocosos dos chefes, de membros da família, dos falsos amigos, nas residências e nos espaços públicos.

Não, não acho que as mulheres tenham que ter jogo de cintura para sair dessas situações pelo simples fato de que elas (as situações constrangedoras) não deveriam acontecer. Não, não é somente na horizontal que as mulheres ascendem.

Circula nas redes sociais um vídeo, onde um jovem ucraniano parte para cima da namorada e durante alguns minutos desfecha-lhe golpes no rosto, na cabeça, chutes e não satisfeito, arrasta-a pelos cabelos até a entrada do elevador. O fato ocorreu recentemente, numa cidadezinha espanhola.

As autoridades locais perceberam que não havia registro policial desse espancamento e de posse das imagens gravadas por um circuito interno, foi atrás da história. A mulher temia sofrer mais violência e ser extraditada se denunciasse. O valentão está preso e sem direito ao pagamento de fiança.

O feminicídio, que é o assassinato de mulheres pelo fato de serem mulheres, ocorre muito no âmbito familiar, nas relações afetivas, e é uma violência que tem a estratégia de humilhar, desmoralizar o ser feminino e se estende por todas as culturas e localidades.

Os números do último relatório da ONU mostram que, numa proporção mundial, uma em cada três mulheres já foram vítimas de violência física ou sexual. As autoridades no tema, embora reconheçam que há muito por fazer no enfrentamento da dolorosa sequência de crimes, dizem que a violência contra a mulher não é um processo inevitável e pode ser prevenida com mais educação e punição exemplar.

O Ministério Público, em parceria com o governo, Assembleia e Tribunal de Contas lançou ontem o projeto “Homens que Agradam, Não Agridem”, destinado a fortalecer o enfrentamento à violência contra mulheres.

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